Covid-19: saiba tudo sobre as principais vacinas experimentais

Cientistas de todo o mundo buscam a imunidade para o coronavírus; conheça os projetos mais avançados de vacinas e suas respectivas etapas

Legenda: Projetos mais adiantados de vacina já estão na fase de testes em humanos
Foto: AFP

Chegou a 191 o número de vacinas em desenvolvimento em laboratórios de todo o mundo para o novo coronavírus, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Desde o começo da pandemia, cientistas buscam agilizar o processo de conclusão do antídoto que a população mundial inteira espera e, atualmente, 40 protótipos estão em período de testes em humanos.

Todas as vacinas devem passar por uma fase de teste laboratorial, três períodos de testagens em humanos e, no caso da vacina da Covid-19, uma autorização emergencial será concedida para que possa ir para a aprovação final e distribuição. 

Confira as principais vacinas e a fase em que cada uma está:

AstraZeneca/Oxford

A vacina ChAdOx1, em desenvolvimento pela farmacêutica sueco-britânica AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, está com fases combinadas: o período 2 e 3 acontece na Inglaterra e Índia, enquanto Brasil, África do Sul e Estados Unidos vacinam para a fase 3. A AstraZeneca indicou que pode começar a fornecer vacinas de emergência em outubro, a depender dos resultados.

Após suspender os testes por suspeitas de reações adversas em uma paciente no dia 8 de setembro, a farmacêutica retomou a testagem no último sábado (12). No Brasil, a Anvisa também autorizou a retomada

Esta vacina experimental foi a primeira a ser autorizada pela Anvisa para testes no Brasil, em junho. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) firmou acordo com a biofarmacêutica AstraZeneca pela transferência de tecnologia para a produção no País.

Sinovac Biotech

A Coronavac, vacina em produção pela empresa chinesa Sinovac Biotech, está em testes da fase 3 no Brasil desde julho, em parceria com o Instituto Butantan e, no último mês de agosto, foi lançada a testagem na Indonésia. 

O laboratório informou que sua vacina parece ser segura em pessoas mais idosas, segundo resultados preliminares de seus testes em Fase 1 e 2, embora as respostas imunológicas induzidas tenham sido moderadamente mais fracas do que em adultos jovens.

No fim de agosto, a China autorizou a vacina para uso emergencial em profissionais de saúde, que atuam na linha de frente contra a Covid-19. Recentemente, o governador de São Paulo, João Doria, anunciou que o Estado deve receber 5 milhões de doses da vacina em outubro. A previsão é iniciar a vacinação no dia 15 de dezembro.

Sinopharm 

A estatal chinesa Sinopharm está com duas vacinas de vírus inativados sendo desenvolvidas pelo Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan e outra pelo Instituto de Pequim. Ambas se encontram na fase 3 de testes nos Emirados Árabes Unidos e no Peru. 

No Peru, terceiro país mais atingido da América Latina, 6 mil pessoas receberão imunização para a pesquisa, com início em 8 de setembro.

O estudo em peruanos será feito em três grupos: os que receberão a dose de Wuhan, outros da cepa de Beijing e os que receberão em um placebo, de acordo com os pesquisadores. Em julho, o presidente da Sinopharm disse que a vacina pode estar pronta para uso até o final do ano.

Moderna

O laboratório estadunidense Moderna Therapeutics colocou sua vacina na fase 3 de testes em julho, com testagem em mais de 30 mil adultos dos Estados Unidos. Anteriormente, em parceria com o National Institutes of Health, a biofarmacêutica descobriu que a vacina produzida protegeu completamente macacos do novo coronavírus. Os resultados da fase dois foram promissores. 

Neste mês de agosto, o governo estadunidense incentivou a pesquisa da empresa com $ 1,5 bilhão (cerca de R$ 8,4 bilhões) em troca de 100 milhões de doses, caso a eficácia seja comprovada.

Johnson & Johnson 

A vacina da Janssen Pharmaceutical, do grupo Johnson & Johnson, é a quarta e mais recente aprovada pela Anvisa para testes da fase 3 no Brasil. O experimento da farmacêutica é baseado no Adenovírus 26, assim como a vacina produzida anteriormente para o Ebola pela mesma empresa. 

As provas do estágio final serão feitas em mais de 60 mil pessoas em todo o mundo, sendo 7 mil no Brasil. Os voluntários serão dos estados do Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Paraná. Mais recentemente, foram anunciados testes também no Distrito Federal, que devem iniciar em outubro. 

Pfizer/BioNTech

Esta vacina é uma parceria entre a farmacêutica alemã BioNTech, com a norte-americana Pfizer e a chinesa Fosun Pharma. Atualmente, testes das fases 2 e 3 estão combinados e sendo feitos em 30 mil voluntários nos Brasil, Estados Unidos, Argentina e Alemanha. No Brasil, os testes estão acontecendo em São Paulo e Salvador.

Nas fases 1 e 2, os voluntários produziram anticorpos e células do sistema imunológico (células T) contra o SARS-CoV-2. A Pfizer se pronunciou dizendo que, se aprovada, fabricará mais de 1,3 bilhões de doses até o final de 2021.

A BioNTech e a Pfizer disseram, no dia 7 de setembro, que receberam aprovação por parte da autoridade regulatória alemã para iniciar os testes da fase 2/3 de sua vacina contra Covid-19 na Alemanha.

Novavax

A Novavax, sediada em Maryland, nos Estados Unidos, lançou testes iniciais da vacina para Covid-19 em maio. Atualmente, o antídoto experimental está na fase 3 no Reino Unido, que registra uma nova alta nos casos da doença. 

Os resultados das fases 1 e 2, que aconteceram na África do Sul, foram promissores. 

Inovio 

O medicamento da Inovio obteve resultados positivos na fase inicial de testes em humanos, segundo comunicado divulgado em junho pela empresa de biotecnologia farmacêutica. A segunda fase, no entanto, ainda não foi anunciada.

J. Joseph Kim, diretor-presidente da Inovio, revelou que quer acelerar os testes da vacina por que esta é a única baseada em ácido nucleico, que permanece estável em temperatura ambiente por mais de um ano, não necessitando de congelamento.

Gamaleya (Rússia)

Anunciada pelo presidente Vladimir Putin em agosto, a Sputnik V, vacina produzida pelo instituto Gamaleya, da Rússia, que foi recebida com ceticismo pelo mundo por não ter seus resultados publicados, foi aprovada para uso prévio pelo governo da Rússia. Nesta terça-feira (8), o governo russo liberou o primeiro lote da vacina contra Covid-19 para a população.

Até agora, o medicamento é destinado para pessoas com idade entre 18 e 60 anos.

Na última sexta-feira (4), resultados de um estudo preliminar que foram publicados no períodico científico "The Lancet", anunciaram que os pacientes apresentaram resposta imunológica sem efeitos colaterais graves.

Cientistas russos afirmam que negociam com o Brasil e outros países a produção em larga escala. O estados do Paraná e Bahia anunciaram parceria com o governo russo, no entanto, a Anvisa ainda não aprovou a testagem ou produção do antídoto. 

Esta matéria está em atualização, com base no avanço das pesquisas de desenvolvimento das vacinas

arte sobre corrida das vacinas

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