Rua histórica de Fortaleza é corredor cultural com cafés, museus, teatro e artesanato

Experiência de um dia inteiro na Rua Doutor João Moreira reserva agradáveis e ricos momentos.

Escrito por
Diego Barbosa diego.barbosa@svm.com.br
Na imagem, colagem digital composta por diversas fotos de pontos turísticos e personagens da Rua Dr. João Moreira, em Fortaleza. À esquerda, destaca-se uma placa de rua azul indicando o nome do local e o prédio histórico do Centro de Turismo do Ceará (Emcetur). Ao centro, um homem segura um disco de vinil e uma artesã trabalha em sua renda de bilro sentada em um banco. A imagem inclui fachadas neoclássicas em tons de branco e amarelo, o letreiro do Teatro Carlos Câmara e o Café Passeio. Há recortes de murais coloridos, arquitetura antiga com colunas brancas e um banco de praça verde à direita. O estilo da colagem é dinâmico, com contornos coloridos em rosa e amarelo destacando as figuras humanas e os prédios, transmitindo uma atmosfera de efervescência cultural e preservação histórica.
Legenda: Diferentes sabores, fachadas, experiências e cantinhos tornam a Rua Dr. João Moreira especial.
Foto: Fotos de Fabiane de Paula/Arte de Louise Dutra.

Encontrar um lugar para salvar a rotina pode ser libertador. Encontrar vários lugares no mesmo endereço é matéria de privilégio. Fortaleza tem essa vantagem concentrada na Rua Doutor João Moreira. Em pleno Centro da cidade, o endereço reserva ampla gama de experiências a quem se dirigir até lá, do café da manhã ao passeio de fim de tarde. 

O Verso experimentou passar uma manhã inteira na rua para saber que momentos ela oferece tanto a cidadãos da Capital quanto a turistas. Tem para todo mundo. Do início ao fim, toda a extensão do logradouro é manancial para desbravar cores, sabores, texturas, palcos, visualidades e, claro, sentir a cultura de Fortaleza pulsando por todos os lados.

Café Comércio, Museu da Indústria, Passeio Público, Teatro Carlos Câmara, Emcetur, loja de discos de vinil, Complexo Estação das Artes, Pinacoteca do Ceará e Museu Ferroviário formam, juntos, o tipo de rota que agrada de crianças a idosos, de jovens a casais.

O convite, de fato, é para que família e amigos estejam juntos no trajeto – embora a perspectiva de ir sozinho, com a calma necessária para observar, também seja irresistível.

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A seguir, você conhece detalhes de cada lugar explorado por nossa equipe. Quer seja nas férias, quer seja fora delas, a oportunidade é perfeita para aliar História, Cultura e diversão sem precisar gastar muito e com a praticidade de encontrar tudo no mesmo itinerário. Ponha mochila e boné, coloque uma roupa leve, e vamos lá.

Café Comércio

Na imagem, fotografia do salão interno de um café histórico. O ambiente possui grandes colunas em tons de terracota, teto branco com sancas decoradas e lustres de cristal pendentes. O chão é revestido com ladrilhos hidráulicos em tons de bege e marrom com padrões geométricos. Diversas mesas de mármore claro estão distribuídas pelo salão, acompanhadas por cadeiras de madeira escura com encosto de palhinha. Vários clientes estão sentados conversando ou consumindo, enquanto garçons vestidos com uniformes claros e aventais escuros circulam atendendo as mesas. Ao fundo, um arco emoldura a entrada para outra área iluminada, e grandes janelas laterais permitem a entrada de luz natural. O clima é de sofisticação acolhedora e preservação histórica.
Legenda: Ambiente aconchegante do Café Comércio atrai público.
Foto: Fabiane de Paula.

Se a intenção é começar o percurso de estômago forrado e num cantinho que parece saído das páginas dos livros de História, passar no Café Comércio é obrigatório. Aberto de segunda a domingo, de 7h às 17h, com opções de almoço a partir das 11h30, o ambiente é perfeito para um café da manhã daqueles.

A diversidade gastronômica do cardápio salta aos olhos, ao passo que detalhes arquitetônicos e a beleza do espaço – com exposição em cartaz no hall – favorecem a permanência por longos minutos. 

Serviço
Rua Dr. João Moreira, 207, Centro. Funcionamento: segunda a domingo, de 7h às 17h; almoço, de 11h30 às 15h. Mais informações pelas redes sociais do café

Museu da Indústria

Na imagem, fotografia do interior de uma exposição no Museu da Indústria. Em primeiro plano, à direita, um homem jovem de costas, vestindo camisa laranja e calça clara, observa painéis informativos. No centro, há uma balança industrial antiga de metal verde, suspensa por correntes, com pesos de ferro sobre sua base de madeira. Ao redor, divisórias de madeira clara exibem textos e fotos históricas em preto e branco sobre a cultura do café. O ambiente tem iluminação suave e focada, teto branco com trilhos de luz e piso de madeira escura polida que reflete a claridade. Ao fundo, à esquerda, nota-se uma mesa de escritório antiga e sacos de estopa que remetem ao transporte de mercadorias.
Legenda: Exposição 'Caminhos do Café no Ceará' imerge visitantes na História.
Foto: Fabiane de Paula.

Terminado o lanche, hora de mergulhar em parte da história cearense, sobretudo no que diz respeito ao café. É um dos instantes oferecidos na programação do Museu da Indústria por meio da exposição “Caminhos do Café no Ceará”, com visitas mediadas aos fins de semana.

A mostra combina objetos, painéis, utensílios e infinidade de informações acerca do tema. Uma cafeteria no andar superior do prédio e o restaurante Aconchego são opções gastronômicas possíveis para quem deseja experimentar variedade de delícias e sabores brasileiríssimos. Outro cantinho para se demorar.

Serviço
Rua Dr. João Moreira, 143, Centro. Funcionamento: terça a sábado, de 9h às 17h; aos domingos, de 9h às 13h. Entrada gratuita. Mais informações pelas redes sociais do equipamento

Passeio Público

Na imagem, fotografia da fachada do quiosque
Legenda: Cardápio do Café Passeio contempla sobretudo almoço.
Foto: Fabiane de Paula.

Caminhar entre as árvores, sentar no banco para conversar, observar o oceano ao longe ou se fartar de delícias. Tudo isso pode ser feito no Passeio Público, espaço de suspensão no Centro, oásis verde e frondoso no qual o passeio pode continuar ou até mesmo finalizar, a depender da rota preferida.

Da fonte histórica ao baobá centenário, um dos destaques culturais do espaço é o Café Passeio, com cardápio para lanche e almoço e, aos fins de semana, apresentações musicais. É leve, simples e excelente.

Teatro Carlos Câmara

Na imagem, fotografia do interior de uma galeria de arte ampla e iluminada. Vários painéis cinza verticais estão espalhados pelo salão, exibindo retratos fotográficos em preto e branco de diferentes pessoas. No centro, um homem de camiseta branca e bermuda escura e uma jovem de macacão jeans e camiseta preta estão de costas, observando as obras. As paredes ao fundo são brancas e o chão é de granito claro.
Legenda: Exposição 'Retratos', de Bob Wolfenson, pode ser vista no hall de entrada do Teatro.
Foto: Fabiane de Paula.

Reaberto em novembro de 2025, é desses recantos para silenciar os ruídos da cidade e ingressar na arte. Com programação divulgada semanalmente, o Teatro Carlos Câmara oferta gratuitamente ao público a oportunidade de conferir espetáculos, participar de oficinas e embarcar em shows.

Uma das ações fixas neste momento é a exposição “Retratos”, de Bob Wolfenson, com registros de algumas das mais importantes personalidades brasileiras. Além disso, o próprio espaço do Teatro é belíssimo, com amplo pátio e belíssimos murais. Não deixe de ir.

Serviço
Rua Dr. João Moreira, 471, Centro. Funcionamento: quintas e sextas, de 10h às 20h; sábados, de 12h às 19h. Entrada gratuita. Mais informações pelas redes sociais do equipamento

Emcetur

Na imagem, uma artesã sentada em um corredor de mercado de artesanato, trabalhando em uma renda de bilro sobre uma almofada cilíndrica apoiada no colo. Ela é uma mulher de pele clara, cabelos castanhos presos e usa óculos. À sua esquerda, há um manequim vestindo um longo vestido branco de renda. O corredor é ladeado por lojas repletas de roupas e redes coloridas, com dois homens caminhando ao fundo em direção a uma saída iluminada.
Legenda: Na Emcetur, é possível ver artesãos trabalhando em frente às próprias lojas.
Foto: Fabiane de Paula.

Eis um lugar que, caso você queira passar o dia inteiro, não apenas é possível, como aconselhável. Primeiro equipamento turístico do Ceará, o Centro de Turismo traz desde artesãos confeccionando produtos às portas das próprias lojas até itens como castanhas, rapaduras, entre outras iguarias de nosso paladar.

Bistrô, quiosque apenas de sucos naturais e outro com produtos regionais completam a experiência, além, claro, de todo o charme e importância de ocupar um ambiente que outrora foi uma cadeia pública.

Serviço
Entrada principal pela Rua Senador Pompeu, 350, mas também pela rua Doutor João Moreira. Funcionamento: de segunda a sexta, de 8h às 17h; sábados, de 8h às 15h; domingos e feriados, de 8h às 12h. Mais informações pelas redes sociais do equipamento

Freelancer Discos

Na imagem, fotografia interna de uma loja de discos de vinil repleta de álbuns. No centro, três pessoas — um homem de camiseta preta à esquerda e duas mulheres à direita — conversam sorridentes enquanto seguram e examinam capas de LPs. O primeiro plano é dominado por grandes caixas e prateleiras horizontais cheias de discos, com destaque para um álbum de Chico Buarque na frente. Ao fundo, as paredes estão cobertas por dezenas de discos de vinil expostos em prateleiras, incluindo artistas da música brasileira, criando um ambiente cultural e nostálgico.
Legenda: CDs, vinis, fitas cassete, entre outras preciosidades, são encontradas na loja.
Foto: Fabiane de Paula.

Saindo da Emcetur, basta passar a pista, logo ao lado do Teatro Carlos Câmara, para dar de cara com CDs, vinis, fitas cassete, entre outras preciosidades de tempos antigos, mas sempre atuais. A Freelancer Discos é um deleite para os apaixonados por música.

Tocado pelo simpaticíssimo Alex, o cantinho por vezes protagoniza até apresentações informais de artistas, num misto de encanto e despojamento. Nascida no Quintino Cunha, a loja faz do corredor cultural da Rua Doutor João Moreira um lugar bem mais sonoro e boêmio.

Serviço
Rua Dr. João Moreira. 485, Centro. Funcionamento: de segunda a sexta, de 9 às 17 horas; sábado, de 9h às 15h. Mais informações pelas redes sociais da loja

Complexo Cultural Estação das Artes

Na imagem, fotografia colorida em ângulo levemente inferior da Estação das Artes. O edifício é totalmente branco e possui uma arquitetura clássica imponente. No centro, há um pórtico sustentado por quatro colunas robustas que terminam em um frontão triangular com um relógio circular. As laterais apresentam janelas altas em arco e detalhes ornamentais na platibanda. O chão à frente é de concreto claro com pequenos pilares metálicos de sinalização (balizadores) e degraus terracota que levam à entrada. O céu ao fundo é azul com nuvens suaves e há folhagens verdes nas extremidades laterais da foto.
Legenda: Fachada do Complexo Cultural Estação das Artes.
Foto: Fabiane de Paula.

No fim da João Moreira, o imponente prédio branco faz convite certeiro: entrar e se deixar levar pela pluralidade. A palavra é bandeira do Complexo Cultural Estação das Artes, com programação para todos os públicos – a infância é contemplada sobretudo aos domingos pela manhã.

Shows, exposições, oficinas, entre outras atividades, fazem parte do roteiro do equipamento, cujo interior abriga o Mercado AlimentaCE, espaço para vivenciar o “Ceará de Comer”, com produtos da terra e toda a simplicidade e sofisticação deles.

Serviço
Rua Dr. João Moreira, 540, Centro. Funcionamento: quinta-feira, 12h às 18h; sexta e sábado, de 12h às 22h; domingo, de 10h às 15h. Entrada gratuita. Mais informações pelas redes sociais do equipamento

Pinacoteca do Ceará

Na imagem, fotografia colorida do interior da Pinacoteca do Ceará. Em uma parede de tom terracota escuro, destaca-se uma instalação artística composta por diversas telas retangulares de tamanhos variados, dispostas verticalmente. Cada tela apresenta cores vibrantes e blocos geométricos, contendo a frase repetida
Legenda: Pinacoteca do Ceará concentra diferentes exposições e atividades.
Foto: Fabiane de Paula.

Outro prédio branco irrecusável é o da Pinacoteca do Ceará. De ações como yoga ao pôr do sol a visitas mediadas por exposições que estimulam o pensar criativo e senso crítico, o lugar é perfeito para explorar as diferentes possibilidades da arte.

A programação é totalmente gratuita e conta com quatro pavilhões expositivos, além de um café no qual família e amigos podem se reunir para fazer aquele lanche entre uma atividade e outra.

Serviço
Rua 24 de maio, s/n, Centro. Funcionamento: quarta a sexta, de 10h às 18h; sábado, de 12h às 20h; domingo, de 10h às 17h. Entrada gratuita. Mais informações pelas redes sociais do equipamento

Museu Ferroviário Estação João Felipe

Na imagem, uma fotografia interna de um museu ferroviário mostrando uma grande e detalhada maquete de um pátio de trens protegida por vidros. Em primeiro plano, a maquete apresenta galpões amarelos, trilhos, pequenos vagões coloridos e vegetação em miniatura. Ao fundo, uma senhora e uma criança observam a maquete com atenção por trás do vidro, enquanto outras duas jovens caminham pelo salão ao fundo à esquerda. Nas prateleiras da parede ao fundo, estão expostas réplicas maiores de locomotivas e vagões de carga. A iluminação é quente e o ambiente é amplo.
Legenda: Maquete com cinco metros de extensão pode ser encontrada no Museu Ferroviário.
Foto: Fabiane de Paula.

Nossa última parada – e a que sugerimos a você também – é o Museu Ferroviário Estação João Felipe. Verdadeiro portal para o Ceará antigo, tem diversos atributos que o colocam como um dos melhores programas para toda a família, em especial às crianças.

Prova disso são os itens expositivos à altura do olhar delas, além de objetos como maquetes, miniaturas, mapa interativo e até projeção que simula a passagem de um trem pelo local. É inesquecível e pra lá de agradável, conexão valiosa entre passado e presente.

Serviço
Rua 24 de maio, s/n, Centro, no mesmo prédio da Pinacoteca do Ceará. Funcionamento: quarta a sexta, de 10h às 18h; sábado, de 12h às 20h; domingo, de 10h às 17h. Entrada gratuita. Mais informações pelas redes sociais do equipamento

Uma rua cheia de História

Tanta efervescência de gente e cultura em um só endereço é justificado: tem ecos históricos. Professor da graduação e do mestrado em História da Universidade Estadual do Ceará, Gleudson Passos explica que a Rua Doutor João Moreira surgiu como via pública em 1816, a partir de reformas propostas pelo engenheiro militar português Silva Paulet.

Entre outros objetivos, ele previa alinhar as ruas e quarteirões da até então modesta e pequena cidade de Fortaleza. “A rua corta o terreno da antiga Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção – o forte hoje conhecido como 10ª Região Militar. A rua principal, hoje Sena Madureira ou ‘Rua da Direita’, como era chamada, iniciou o alinhamento das outras. Perpendicular a ela, estava a segunda rua da cidade, justamente a Doutor João Moreira”.

Na imagem, uma fotografia em perspectiva de uma calçada na Rua Doutor João Moreira, no centro de Fortaleza. No primeiro plano, à esquerda, destaca-se uma placa de identificação de logradouro afixada em uma parede branca de um edifício histórico. A placa contém o nome
Legenda: Rua Doutor João Moreira surgiu como via pública em 1816.
Foto: Fabiane de Paula.

Não à toa a coexistência de tantos prédios históricos em um só corredor, haja vista o começo do alinhamento urbano da Capital ter iniciado ali. O professor recorda que, na segunda metade do século XIX, a João Moreira passou a ser chamada de Ladeira da Misericórdia devido à construção da Santa Casa de Misericórdia, ainda hoje instalada no logradouro.

Essa rua resguarda boa parte do fim do século XIX e começo do século XX, em que temos uma ocupação efetiva da cidade de Fortaleza, um crescimento econômico e populacional devido ao ciclo do algodão. Ela é registro disso”, frisa Gleudson Passos.

Endereço da elite

Professor de História da Universidade Federal do Ceará, Sebastião Ponte complementa a visão. Segundo ele, o centro da cidade, no fim do século XIX, por ser moradia de elites e camadas médias, bem como lugar do comércio, das repartições públicas e dos principais logradouros e equipamentos de lazer, foi o espaço exclusivo das reformas urbanas modernas da época.

A área recebeu embelezamento, praças ajardinadas, bondes, cinemas, lojas chiques, cafés, mansões, palacetes, academias científicas e literárias, entre outros equipamentos.

“A região da rua Dr. João Moreira começou a se valorizar com a construção da Santa Casa de Misericórdia, nos anos 1860, mas incrementou-se sobretudo nos anos 1880 com o surgimento do Passeio Público e da Estação Ferroviária – atraindo, por conseguinte, a construção de ricas residências, como a da família Teles de Menezes, e de suntuosas edificações como a que abrigou a Sociedade União Cearense, depois o Grande Hotel do Norte e que hoje sedia o Museu da Indústria”, detalha.

Na imagem, captura uma vista aérea de uma rua urbana em Fortaleza, Brasil. No centro da composição, há uma praça cercada por uma grade de metal preta com colunas brancas e detalhes em vermelho. A praça é densamente arborizada, com árvores de copas verdes e frondosas que projetam sombras sobre o solo de terra batida. À esquerda, uma placa de sinalização turística marrom indica as direções para a Praça do Ferreira e a Praia de Iracema. No primeiro plano, dois carros brancos circulam por uma avenida asfaltada com sinalização horizontal. Ao fundo, à direita, destaca-se um edifício histórico de dois andares em tom bege, com janelas em arco e um painel de azulejos na fachada. O céu está claro com poucas nuvens, sugerindo um dia ensolarado.
Legenda: Morar ou se estabelecer na rua Doutor João Moreira em outros tempos passou a ser sinônimo de status social.
Foto: Fabiane de Paula.

Morar ou se estabelecer nesse endereço, assim, passou a ser sinônimo de status social na Fortaleza de então; hoje, a proeminência cultural revela outras camadas da mesma rua, e é fruto do trabalho de iniciativas públicas e privadas.

“O que hoje conhecemos como Corredor Histórico da Rua Doutor João Moreira passou por intervenção municipal da administração da até então prefeita Luizianne Lins. Ela trabalhou, no início dos anos 2000, na requalificação do Passeio Público, para torná-lo um espaço de atividades culturais, compreendendo Pré e Carnaval, e a instalação do Café Passeio”, situa Gleudson. “A partir dali, outras atividades foram surgindo e se consolidando”.

Ideia para ser replicada em outros bairros

Se, por um lado, essa movimentação tornou o roteiro mais qualificado para cidadãos e turistas, por outro o professor defende que essa dinâmica deveria ser replicada em vários outros bairros da Capital. É forma de tornar a cidade ainda mais atraente para quem é de dentro e de fora.

Na imagem, fotografia em plano médio da fachada lateral do Centro de Turismo do Ceará (Emcetur), em Fortaleza. O prédio histórico possui paredes pintadas de ocre amarelado com detalhes em branco. Em destaque, à esquerda, há uma grande placa verde com o logotipo do Governo do Estado do Ceará. Na calçada de pedras portuguesas, um homem de camiseta branca observa o movimento, enquanto outro homem, vestindo camisa laranja, caminha em direção à rua. Ao fundo, vê-se o fluxo de carros e a arborização da Rua João Moreira sob um céu claro.
Legenda: Para pesquisador, replicar a ideia do corredor cultural da João Cordeiro é forma de tornar a cidade ainda mais atraente.
Foto: Fabiane de Paula.

“Se o poder público reorientar a população, trazendo profissionais para ocupar imóveis e desenvolver atividades com esses fins – de cafés, de teatro, de entretenimento de maneira geral, com atrações culturais (um dos exemplos seria a Casa do Português, na Avenida João Pessoa), certamente Fortaleza se tornaria um atrativo turístico mais seleto, familiar, capaz de não agregar tantos infortúnios ligados a atividades ilícitas”.

E conclui: “Essa requalificação nos bairros de Fortaleza ajudaria a redistribuir atividades; circular renda e capital; gerar oportunidades de emprego para além do Centro; e transformaria a cidade em um polo de referência para o turismo cultural”.

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