Ministério Público investiga Matheus por homofobia no BBB 26
Órgão recebeu denúncia sobre atitude cometida por "brother" dentro do reality.
Mais um participante do BBB 26 vira alvo de investigação por atitudes dentro da casa. O alvo da vez é Matheus Moreira, denunciado ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em um suposto caso de homofobia no reality da TV Globo.
Segundo o portal f5, a denúncia foi feita por Agripino Magalhães, deputado federal suplente por São Paulo e presidente da Associação do Orgulho LGBTQIAPN, nessa quinta-feira (22), após falas e comportamentos polêmicos do lutador.
O MP-SP aceitou os argumentos e pedirá abertura de inquérito para investigar o assunto. Ainda conforme o portal, a TV Globo deve ser notificada sobre o caso nos próximos dias.
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O que aconteceu?
Matheus foi acusado de homofobia por Marcelo Alves, seu colega de confinamento, após o gaúcho ter imitado, de forma pejorativa, os trejeitos de um homem gay. Na última festa do programa, o médico repercutiu o assunto com colegas de confinamento.
“Ele desfilou como se fosse um ‘viado’. Eu fiquei hiper incomodado. Qual a necessidade de uma pessoa fazer uma coisa dessas?”, comentou Marcelo, em conversa com Breno e Marciele.
As imagens de Marcelo chorando, sendo consolado por Breno repercutiram nas redes sociais. Alguns internautas lamentaram a situação e criticaram a atitude de Matheus.
“Matheus desfilou naquela HR e imitou gay, sendo que ele não é, Marcelo se sentiu incomodado com razão”, publicou uma internauta no X. “Por causa da homofobia praticada pelo Matheus, hétero se fazendo de gay não é engraçado, é insulto!”, respondeu outro, na mesma publicação.
Juliano Floss, por sua vez, alertou o ator Babu Santana de que esta não seria a primeira vez que Matheus fizera algo dessa natureza. O dançarino lembrou que, em determinado momento, Matheus cantou um hino homofóbico entoado em estádios por um time gaúcho.
O que é homofobia
O advogado Victor de Carvalho, em entrevista ao Diário do Nordeste, explicou que homofobia ou LGBTfobia é toda forma de preconceito, discriminação, hostilidade ou violência direcionada a pessoas em razão da orientação sexual (como gays, lésbicas e bissexuais) ou identidade de gênero.
Ela pode se manifestar por palavras, gestos, piadas, exclusões, ameaças, agressões físicas ou qualquer conduta que viole a dignidade da pessoa LGBTI+.
Já o crime de homofobia se caracteriza quando há prática de discriminação, preconceito ou incitação ao ódio contra alguém em razão de sua orientação sexual, ou identidade de gênero. Desde 2019, o Supremo Tribunal Federal equiparou a homofobia e a transfobia aos crimes previstos na Lei do Racismo (Lei nº 7.716/1989).
Assim, condutas que inferiorizem, ofendam, excluam ou estimulem violência contra esse grupo podem ser criminalmente punidas.
Caso de Marcelo foi homofobia?
Segundo o advogado, em tese, sim, Marcelo poderia registrar denúncia ou buscar o Judiciário. No entanto, cada caso deve ser analisado com cautela. A imitação de trejeitos de forma pejorativa pode caracterizar homofobia se ficar demonstrado que houve intenção de ridicularizar, inferiorizar ou reforçar estereótipos negativos contra pessoas LGBTI+.
“O contexto, a intenção do agente, a repercussão do ato e a forma como foi praticado são elementos essenciais para essa avaliação. Além da esfera criminal, a conduta também pode gerar responsabilização civil por danos morais”, explica Victor.