8 recordes conquistados por mulheres no Oscar 2026

Na lista de indicações do Oscar neste ano, cineastas, atrizes, diretoras de fotografia, figurinistas, produtoras e outras profissionais marcaram espaços importantes.

Escrito por
João Gabriel Tréz joao.gabriel@svm.com.br
Legenda: A diretora Chloé Zhao, A figurinista Ruth E. Carter e A produtora Emilie Lesclaux são algumas das profissionais que compõem conquistas de espaço importantes para mulheres no Oscar 2026.
Foto: Pool / Getty Images North América / Getty Images via AFP; Frederic J. Brown / AFP; Bertrand Guay / AFP.

Ao longo de quase 100 anos de história, o Oscar guarda nas listas de indicações e vitórias inúmeros marcos e, também, discrepâncias. No próximo domingo, 15, será realizada a 98ª edição do evento, que nos anos anteriores premiou mulheres com o troféu de Melhor Direção somente três vezes.

Até hoje, somente uma mulher negra venceu o Oscar de Melhor Atriz: a estadunidense Halle Berry, em 2002, que levou por “A Última Ceia”. A vitória na categoria de uma mulher asiática — Michelle Yeoh, por “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” — demorou ainda mais, vindo apenas em 2023.

À luz de tais informações, que evidenciam as faltas e ausências da premiação, vale lançar o olhar para o que vem sendo conquistado. De indicações inéditas em categorias técnicas ao recorde de produtoras indicadas em Melhor Filme, veja — e celebre — conquistas e ganhos de espaço importantes de mulheres no Oscar de 2026.

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Ruth E. Carter é a mulher negra mais indicada da história do Oscar

Figurinista premiada, Ruth E. Carter se tornou a mulher negra mais indicada da história do Oscar. Neste ano, ela recebeu a quinta indicação em Melhor Figurino pelo trabalho no terror “Pecadores”.

Ruth já havia conquistado outros marcos antes. Em 2019, ela foi a primeira pessoa negra a vencer um Oscar na categoria de figurino pelo trabalho em “Pantera Negra”. Em 2023, ela levou o mesmo prêmio com “Pantera Negra: Wakanda para Sempre”, se tornando a única mulher negra a ganhar um Oscar mais de uma vez. 

Autumn Durald Arkapaw​ é a primeira mulher não-branca indicada a Melhor Fotografia

“Pecadores” também trouxe outro marco histórico para o Oscar, com a indicação de Autumn Durald Arkapaw ao Oscar de Melhor Fotografia. Ela se tornou a primeira mulher não-branca a ser indicada na categoria, uma das mais excludentes da premiação. A profissional é favorita ao prêmio e pode se tornar a primeira mulher a vencer.

Antes dela, só outras três mulheres disputaram o troféu. A primeira indicada a Melhor Fotografia foi Rachel Morrison (por “Mudbound”), em 2018. A categoria é a que passou mais tempo sem indicar uma mulher (à exceção das disputas de atuação, que têm distinção de gênero) na história do Oscar.

A diretora de fotografia Autumn Durald Arkapaw fala ao microfone atrás de um púlpito com a logomarca da Kodak, vestindo uma jaqueta de couro preta e com seus longos cabelos escuros soltos. O fundo é composto por cortinas vermelhas profundas que criam um cenário solene e focado durante o evento.
Legenda: Autumn Durald Arkapaw pode se tornar a primeira mulher a vencer o Oscar de Melhor Fotografia.
Foto: Rodin Eckenroth / Getty Images North America / Getty Images via AFP.

Pela primeira vez, uma equipe de som composta só por mulheres é indicada

Categorias técnicas, caso de Melhor Fotografia, são reconhecidamente mais fechadas para indicar mulheres por conta da ausência de oportunidades para essas profissionais nas grandes produções.

No caso de Melhor Som, 2026 marca a primeira vez que uma equipe formada somente por mulheres ganhou uma indicação, o que ocorreu com o longa espanhol “Sirât”. Laia Casanovas, Yasmina Praderas e Amanda Villavieja foram reconhecidas pelo trabalho de design, mixagem e edição de som da produção.

Chloé Zhao é primeira cineasta não-branca indicada duas vezes a Melhor Direção

Diretora do drama “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, a chinesa Chloé Zhao foi indicada pelo longa e, com isso, se tornou a primeira mulher não-branca — e a segunda mulher da história do Oscar — a receber duas indicações de Melhor Direção.

Em 2021, a cineasta já havia sido a primeira mulher não-branca e a terceira diretora em geral a vencer o Oscar da categoria, com o longa “Nomadland”. Antes dela, as únicas vencedoras foram Kathryn Bigelow (em 2010, por “Guerra ao Terror”) e Jane Campion (em 2022, por “Ataque dos Cães”).

Amy Madigan quebra recorde de distância entre indicações

Indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “A Hora do Mal”, Amy Madigan fez história com o reconhecimento neste ano ao garantir a segunda indicação da carreira no prêmio 40 anos depois da primeira, em um desafio ao etarismo.

Essa diferença entre as indicações — com a primeira, por “Duas Vezes na Vida”, tendo ocorrido em 1986 — é a maior já registrada na premiação para uma atriz. Vale ressaltar que, aos 75 anos, Amy é uma das favoritas e pode se tornar a segunda vencedora mais velha da categoria.

Amy Madigan, caracterizada como a personagem Aunt Gladys, sorri sentada em um sofá usando um conjunto roxo vibrante com detalhes em vermelho e branco, óculos de armação verde e um colar de contas grandes. Seu visual excêntrico é completado por cabelos ruivos ondulados e uma maquiagem marcante, em uma composição de cores vivas que contrasta com o ambiente doméstico ao fundo.
Legenda: Amy Madigan foi indicada ao Oscar de 2026 pelo papel no terror "A Hora do Mal".
Foto: Quantrell Colbert / Divulgação.

Dede Gardner se torna a produtora mais indicada a Melhor Filme

Com a indicação para "F1: O Filme", Dede Gardner se tornou a mulher com mais indicações ao Oscar de Melhor Filme, que reconhece produtores e produtoras. Neste ano, ela alcançou a nona indicação na categoria. 

A produtora é outra que já havia garantido um feito histórico anteriormente, sendo a primeira e até hoje única mulher a vencer duas vezes o Oscar de Melhor Filme, com "12 Anos de Escravidão" (2013) e "Moonlight: Sob a Luz do Luar" (2016).

Oito dos 10 indicados a Melhor Filme têm mulheres na equipe de produção

Desde 2009, o Oscar mudou as regras para acolher um número maior de indicados na categoria de Melhor Filme, primeiro oscilando entre cinco e dez e, a partir de 2021, fixando em dez.

Em 2026, é a segunda vez que o número de longas indicados com mulheres como produtoras chega a oito, o recorde até aqui. Antes, isso só havia ocorrido em 2020. Vale ressaltar que, na lista de indicações deste ano ano, está Emilie Lesclaux, produtora francesa radicada no Brasil e indicada ao Oscar pelo longa “O Agente Secreto”

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2026 tem o maior número de mulheres indicadas da história

Com 24 categorias e múltiplos reconhecimentos em várias delas, o número de pessoas indicadas no prêmio anualmente passa das centenas. Neste ano, 77 das indicadas ao Oscar são mulheres, o recorde de maior número de profissionais desse gênero já indicadas na mesma edição.

Antes, o ano que detinha o recorde de mais mulheres indicadas havia sido 2023, quando 71 recebem indicações à premiação.

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