Cuidado paliativo: entenda abordagem de saúde adotada pela influencer Isabel Veloso

Isabel foi diagnosticada com Linfoma de Hodgkin.

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 19:43)
montagem duas fotos da influenciadora isabel veloso. uma ela com cabelo e uma no hospital. Imagem usada em matéria sobre cuidado paliativo.
Legenda: A influenciadora compartilhava sua rotina nas redes sociais.
Foto: Reprodução/Instagram.

A influenciadora Isabel Veloso, de 19 anos, vinha passando por cuidados paliativos. Isabel morreu neste sábado (10), em decorrência de complicações relacionadas ao transplante de medula óssea, parte do tratamento de Linfoma de Hodgkin.

Os cuidados costumam ser opção da família e do paciente quando é informado o estágio terminal, ou seja, não há como reverter o prognóstico de uma morte em um prazo relativamente breve.

A Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) indica que "cuidados paliativos não significa que não haja mais nada a fazer por você ou pela pessoa que você ama".

Quais são os 3 principais cuidados paliativos?

Os cuidados paliativos englobam ações voltadas para o bem-estar e qualidade de vida de pessoas que convivem com uma doença grave, buscando prevenir e aliviar o sofrimento físico, emocional, social e espiritual por meio de suporte integral à saúde.

Os tipos de cuidados costumam variar conforme o grau da doença, proporcionando também apoio aos familiares dos pacientes, a partir da abordagem de diagnósticos e condutas. As três principais categorias são:

  1. Cuidados Paliativos Complementares: Em geral, são realizados no início da doença grave, em conjunto com o tratamento. O paciente recebe todo o suporte intensivo, ao mesmo tempo que há um rigoroso monitoramento da evolução do quadro.
  2. Cuidados Paliativos Predominantes: São utilizados quando a doença avança e há resposta insuficiente ao tratamento. O foco principal se torna o alívio do sofrimento e manutenção da qualidade de vida.   
  3. Cuidados Paliativos Exclusivos: Em geral, ocorre quando não há mais opções de cura e reanimação ou encaminhamento para a UTI já são descartados. Nesse caso, o foco é voltado ao conforto do paciente nos últimos dias ou meses de vida.

Qual a diferença entre paliativo e terminal?

O termo "terminal" é considerado ultrapassado pela Academia Nacional de Cuidados Paliativos, que estabeleceu no Manual de Cuidados Paliativos, de 2009, que não se deve usar a terminologia para se referir ao estágio de um diagnóstico. 

Na verdade, a instituição recomenda o uso de "doença que ameaça a vida". Em geral, essa categoria classifica o paciente que tem uma patologia grave, progressiva e irreversível, com prognóstico de óbito em curto espaço de tempo. 

Os cuidados paliativos são, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), medidas voltadas a pacientes que estão enfrentando problemas relacionados a doenças que ameaçam a vida.

As ações envolvem uma equipe multidisciplinar — que inclue médico, enfermeiro, assistente social, nutricionista e fisioterapeuta —, e consideram aspectos físico, social, emocional e espiritual para oferecer conforto e autonomia para o enfermo e os familiares.  

Apesar de serem frequentemente associados a pacientes oncológicos em situação crítica, os cuidados paliativos também são opção para outras pessoas que possuem doenças graves, progressivas e incuráveis.

QUALIDADE DE VIDA

Isabel foi diagnosticada com Linfoma de Hodgkin quando tinha 15 anos. Ela passou por um longo tratamento, incluindo transplante de medula óssea.

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No ano passado, a influencer chegou a publicar nas redes sociais que estava em remissão da doença. No entanto, nos últimos meses o corpo dela estava enfrentando a rejeição do enxerto, conhecida como Doença do Enxerto contra o Hospedeiro, assim como infecções graves.

Isabel estava hospitalizada e sob cuidados paliativos, definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma “abordagem que melhora a qualidade de vida dos pacientes (...) que estão enfrentando problemas associados a doenças que ameaçam a vida”.

A OMS estima que, a cada ano, 56,8 milhões de pessoas precisam dos cuidados paliativos no mundo.

Dentre as doenças crônicas de pacientes que precisam deste tipo de cuidado estão: problemas cardiovasculares (38,5%); câncer (34%); doenças respiratórias crônicas (10,3%); síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids) (5,7%) e diabetes (4,6%).

O QUE É LINFOMA DE HODGKIN

A doença se origina em células do sistema imunológico e pode começar de forma discreta, com sintomas indolores. Conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), homens são mais propensos a desenvolver o linfoma do que mulheres, e todas as faixas etárias podem ser acometidas pela condição. 

Segundo o Inca, o linfoma de Hodgkin pode surgir em qualquer parte do corpo, o que influencia diretamente nos sintomas da doença. No entanto, as regiões nas quais a doença se desenvolve com mais frequência são o pescoço e o tórax.

Confira, a seguir, os principais sinais do linfoma conforme a localização da doença no corpo:

  • Linfoma no pescoço, axilas e virilha: formam-se ínguas indolores (linfonodos inchados) nesses locais;
  • Linfoma no tórax: o paciente pode apresentar tosse, falta de ar e dor torácica;
  • Linfoma na pelve ou no abdômen: desconforto e distensão abdominal fazem parte dos sintomas. 
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