De Odete ‘loba’ a Fátima influencer, como mudanças de ‘Vale Tudo’ mostram nova ‘cara’ do Brasil

Atualizações de tramas e consequentes novas reações do público marcam remake de “Vale Tudo”, que chega ao fim na sexta-feira (17)

Escrito por
João Gabriel Tréz joao.gabriel@svm.com.br
(Atualizado às 09:22)
Montagem com fotos das versões originais e atuais das personagens Odete Roitman, Raquel Acioli e Maria de Fátima Acioli
Legenda: Versões originais e novas de Odete Roitman (Beatriz Segall e Débora Bloch), Raquel Acioli (Regina Duarte e Taís Araújo) e Fátima Acioli (Glória Pires e Bella Campos) refletem mudanças do Brasil.
Foto: Arte Louise Dutra.

A arrivista social Fátima Acioli virou influenciadora. Odete Roitman foi de "vilã das vilãs" à "loba" e "sensata". O público clamava pela morte da empresária como punição, mas passou a achar que a pobreza seria castigo melhor. Fátima e a mãe Raquel eram brancas, agora negras.

Entre a versão original de “Vale Tudo” — escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères e exibida entre 1988 e 1989 — e o remake — assinado por Manuela Dias e que será finalizado na TV Globo nesta sexta (17) —, muito mudou. Mas o que as atualizações revelam sobre como era e como ficou a "cara" do Brasil retratada nas novelas? 

O Verso entrevistou Mauricio Stycer, crítico de TV e biógrafo de Gilberto Braga; Vinicius Venancio, doutor em Antropologia Social pela Universidade de Brasília e professor da Universidade Federal de Goiás; e Rafael Rodrigues, professor de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará, para ajudar a responder.

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Para o público, Odete Roitman de 2025 merecia mais a pobreza do que a morte

Tanto em 1988 quanto em 2025, pesquisas Datafolha foram feitas sobre “Vale Tudo”, incluindo perguntas sobre punições para a grande vilã Odete Roitman, interpretada respectivamente por Beatriz Segall e Débora Bloch.

Registro de cena do assassinato de Odete Roitman no remake de 'Vale Tudo'
Legenda: Apesar da clássica trama do assassinato de Odete Roitman já ser conhecida, público em 2025 preferiria que vilã ficasse pobre.
Foto: Globoplay / Reprodução.

A primeira realizada foi restrita a São Paulo, enquanto na atual foram entrevistadas 2005 pessoas em 113 municípios das cinco regiões do País, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Em relação à punição mais desejada pelo público, houve uma inversão de respostas entre os dois levantamentos. Em 1988, 38% dos telespectadores pediam a morte para Odete. 

Hoje, o destino mais almejado foi a pobreza (47%), seguido da prisão (35%) e, com apenas 4%, a morte — que foi exibida na trama no último dia 6. Apesar da divisão, o entendimento de que a personagem merece ser punida é majoritário.

47%
dos espectadores desejavam que a punição de Odete fosse a pobreza

35%
dos espectadores desejavam que a punição de Odete fosse a prisão

4%
dos espectadores desejavam que a punição de Odete fosse a morte

Para o antropólogo social Vinícius Venancio, a inversão dos resultados entre 1988 e 2025 “parece ter a ver com o desejo da população de ver pessoas ruins pagando em vida pelos seus erros”.

“A morte já não é mais o suficiente, é preciso ver sofrer. Não acreditamos mais que a história irá cobrar, precisamos que a cobrança com juros e correção monetária venha em vida, aos olhos de todos”, segue.

Na visão dele, o resultado mostra uma substituição da morte física pela “morte social”, que ocorre pela miséria ou pela prisão — ambos destinos de “humanidade destituída”. “É justamente aí que reside a chave: seguimos um bocado sádicos, apesar de atualizarmos a forma a qual desejamos a aplicação da pena”, compreende. 

Em diálogo, o professor de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará Rafael Rodrigues destaca que a catarse da punição segue marcando o gênero televisivo.

“A estrutura narrativa de uma telenovela, nesses quase 40 anos entre as duas versões, ainda reserva aos antagonistas o encargo das punições em seu desfecho, o que revela o quanto esse modelo brasileiro de narrativa seriada é sólido em seus elementos reconhecíveis e distintivos”, afirma.

O professor avança ao lembrar que uma das “teorias” mais fortes junto ao público é a de que Odete “não tenha morrido e que conseguirá fugir de qualquer sanção”.

“Qualquer dessas alternativas, no contexto específico de uma telenovela popular enquanto obra ficcional, parece mais excitante do que a simples extinção da personagem”, avalia.

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Odete “loba” e Fátima influencer conquistam espectadores

Neste sentido, desponta como provável ponto relevante para a mudança de resultados das pesquisas a nova representação da “vilã das vilãs”, que em 2025 chegou a ser elogiada como “sensata” e “loba” nas redes sociais.

Para o crítico de TV Mauricio Stycer, a inversão de destinos desejados pelo público “reflete a mudança significativa no perfil de Odete”, que na versão de Manuela Dias “é muito menos ácida e cinzenta”. Para o jornalista, a personagem “se divertiu”.

“Não sobrava muito tempo para planejar suas vilanias, o que explica as inúmeras ações mal ajambradas que promoveu”, aponta. A atualização da personagem também é ressaltada por Rafael Rodrigues:

“Ser uma mulher sexagenária no Brasil de 2025, pós-Estatuto do Idoso e diante de um progressivo avanço no imaginário social acerca das pessoas de mais idade, autoriza no remake (ou reboot, para alguns) uma personagem mais jovial, carismática e sexy”, reflete o professor. 

“A original era vista pelo público como uma ‘velha coroca amargurada’, como ouvi de pessoas próximas, enquanto a feita pela Débora Bloch, mesmo tendo a mesma idade, é vista como mais jovial e no auge da vida”, ecoa o antropólogo Vinícius Venancio.

O lado “sensata”, ele segue, se fortalece pelo “empobrecimento” dos perfis de Afonso e Heleninha Roitman, filhos de Odete — interpretados antes por Cássio Gabus Mendes e Renata Sorrah e, agora, por Humberto Carrão e Paolla Oliveira.

“(Eles) se tornaram, para parte do público, dois personagens muito chatos e mimados. Junto a isso, colocar a Odete como uma mulher workaholic e quase self-made em um mundo de homens, atualmente, tem outro peso com o avanço das discussões feministas. Algo similar acontece em relação à sua liberdade sexual”, avança.

A empresária permanece com ideias “tão controversas e ferinas quanto no original, mas agora capazes de se propagarem de maneira viral nas plataformas digitais em cortes de vídeos, memes e figurinhas”, acrescenta Rafael.

“Um dos possíveis efeitos da construção dessa renovada Odete Roitman é sua popularidade — a vilã que traz frescor, e mesmo um certo alívio cômico para a trama — e não é descabido pensar que o público desenvolveu um certo apego a essa personagem, a ponto de querer prolongar sua existência, mesmo que na prisão ou na miséria”
Rafael Rodrigues
professor de Jornalismo da UFC

Também vilã da trama, Maria de Fátima ganhou contornos próprios da época no remake. Ao arrivismo social da personagem originalmente vivida por Glória Pires, foi atrelado o desejo de virar influencer na versão de Bella Campos, com direito a perfil no Instagram.

Para Vinícius, a repercussão da personagem se liga a uma série de visões e comportamentos de gerações mais novas, incluindo descrença na meritocracia, na educação formal e o desejo de enriquecer pelas redes sociais.

As alterações em geral, na avaliação de Mauricio, “refletem um desejo de atualização e busca de identificação com segmentos do público”. O crítico defende o movimento como “natural” em remakes, mas reconhece reações contrárias dos espectadores.

“É o caso de se perguntar se o público, ou parte do público, esperava e desejava atualizações tão radicais, em alguns casos. A julgar pelas reações nas redes sociais, Manuela Dias cometeu um sacrilégio ao fazer muitas dessas mudanças. Na minha visão, foi uma reação exagerada e, de certa forma, conservadora”, considera.

Em perspectiva de leitura crítica da mídia, Rafael ressalta que o modelo tradicional de telenovela “absorve, refrata e reconstrói esses inputs de mudança social em suas tramas, em especial aquelas que se passam na contemporaneidade”.

“Certamente a Globo, com seu controle de qualidade estrito e as transformações de modelo de negócio pelas quais que passou no sentido de se conectar mais adequadamente às audiências dos dias de hoje, está amparada em dados e perfis de público que justificam, ao menos de um ponto de vista empresarial, as mudanças na construção das personagens”
Rafael Rodrigues
professor de Jornalismo da UFC

Questão racial à frente e atrás das câmeras

Antes do remake começar a ir ao ar, um dos principais debates referentes a uma das atualizações de “Vale Tudo” se concentrou no fato de que Raquel e Maria de Fátima passariam a ser negras.

“Era inevitável que o elenco da atual versão de Vale Tudo fosse enegrecido”, inicia o antropólogo social Vinícius Venancio, “o que não aconteceria sem retaliação social”. “Apesar dos avanços, o Brasil segue sendo um país profundamente racista. Não à toa, tanto Bella Campos quanto Taís Araújo foram desqualificadas quando seus nomes vieram à tona”, relembra.

Foto de divulgação de 'Vale Tudo' que mostra o aniversário da vilã Maria de Fátima (ao centro), com o avô Salvador (à direita) e a mãe Raquel (à esquerda).
Legenda: 'Era inevitável que o elenco da atual versão de Vale Tudo fosse enegrecido', aponta o antropólogo Vinícius Venâncio.
Foto: Manoella Melo / Globo / Divulgação.

A decisão se deu na esteira de um movimento geral da própria Globo de buscar certa “política de equidade racial”, ressalta o professor Rafael Rodrigues, alinhada “com uma mudança mais ampla no mundo do trabalho, o que inclui políticas afirmativas em universidades, concursos públicos e posições na iniciativa privada”.

“A população negra, apesar de majoritária em termos quantitativos, é sub-representada na concepção de produtos de mídia na TV comercial, além de reclamar maior protagonismo nessas obras”, contextualiza.

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Em diálogo, o crítico Mauricio Stycer reconhece a “intenção de ampliar a representatividade racial do elenco” — além de destacar como “excelentes” as escalações de Taís e Bella. No entanto, analisa que a novela “evitou discutir e problematizar a questão racial”.

“Com exceção de um ou outro comentário racista de Odete, a novela mostrou uma situação de harmonia socioeconômica e racial, que, na minha opinião, é fantasiosa. Acho que haveria muito o que explorar, por exemplo, nas dificuldades que envolvem o trabalho de uma empreendedora e empresária negra, como Raquel”
Mauricio Stycer
crítico de TV

Em relação a Fátima, que se alia a Odete em determinado ponto da trama, o antropólogo Vinícius Venancio reconhece que a atualização racial na personagem demonstra “a complexidade do racismo brasileiro ao explicitar como até a mais racista das pessoas pode se associar a negros quando lhes convier”.

Em termos de repercussão, ele celebra ainda o “inegável” impacto de Bella Campos “na captação da atenção pública”. “De uma forma que não víamos há algum tempo, o seu corte de cabelo virou febre nacional entre meninas e mulheres cacheadas”, exemplifica.

Apesar dos destaques, o professor concorda com as limitações da novela sobre o tema racial, criticando a “persistência” do texto assinado por Manuela Dias “em aprisionar Raquel, e em alguns momentos Maria de Fátima, aos estereótipos que mulheres negras são encaixadas há décadas, como o da mulher negra batalhadora que não desiste nunca”.

Vinícius também lembra do desenvolvimento de trama no qual a protagonista empobrece e se reergue pelas mãos da irmã de Odete, Celina (Nathalia Timberg em 1988 e Malu Galli em 2025), além da perda de destaque na reta final.

As falhas, pontua ele, mostram “como temos muito a avançar no que diz respeito ao debate racial por detrás das câmeras”. “Apenas mudar o perfil dos atores e atrizes não basta, a equipe de direção e de dramaturgia também precisa contar com um perfil racialmente diverso”, defende.

Politicamente “apolítica” 

As críticas à abordagem racial se estendem, para Vinícius, a outras pautas retratadas na atual “Vale Tudo”.  

“O remake pecou não apenas em deixar de lado a efervescência política que vivemos hoje, como tratou boa parte das pautas políticas, como ambientalismo, parentalidades LGBT, relações interraciais, racismo e até o machismo de forma muito superficial, sem produzir um efeito e ligação do público para com as questões”
Vinícius Venancio
antropólogo

As abordagens, ou as faltas delas, ganham ainda mais relevância à luz da comparação com a versão original — que foi não somente exibida em meio aos debates e à promulgação da Constituição Federal, mas também refletiu “esse marco político e histórico”, como pontua Rafael Rodrigues.

Imagem de divulgação da personagem Odete Roitman da novela Vale Tudo original
Legenda: Maldades de Odete Roitman eram exibidas enquanto debates sobre a Constituição Federal ocorriam na sociedade.
Foto: TV Globo / Divulgação.

“A perspicácia (dos autores) está em ler esse momento de profunda mobilização política dos anos anteriores à novela, com a dissolução da ditadura militar e o movimento pelas eleições diretas, além da própria Constituinte, e traduzi-lo na forma de uma obra provocativa e impactante sobre questões morais e sociais do Brasil daquele tempo”, sustenta.

Tal “especificidade histórica”, além do próprio papel da Globo “como um agente político a quem se atribuía inclusive a possibilidade de decidir eleições, certamente não existe mais como em 1988”, segue.

O que, avança Rafael, não significa que a política esteja ausente na atual obra. “As disputas por hegemonia se articulam de outros modos, na cultura, no mundo do trabalho e em outras mediações que, muitas vezes, tentam passar por apolíticas mas definitivamente não o são”, contrapõe.

Ao apontar um contexto geral no mundo digital em que empresas e influenciadores enunciam pontos de vista neoliberais, que defendem o individual e apresentam precariedade como autonomia, Rafael vê Fátima, representante disso, como “essencialmente um personagem político”.

“O político em 2025 (já há algum tempo, diga-se) se disfarça de apolítico para parecer mais atrativo a um contingente de pessoas desiludidas com a política tradicional, um lembrete de que a promessa de justiça e igualdade da Constituição de 1988 se deteriorou bastante nessas últimas décadas”
Rafael Rodrigues
professor de Jornalismo da UFC

Tal diluição é reconhecida também por Vinícius: “É uma pena que, no contexto político em que vivemos, marcado por uma promovida por forças militares (e elites econômicas, que financiaram os acampamentos e manifestações em Brasília), a autora e sua equipe tenham preferido higienizar politicamente o enredo”.

Já Mauricio partilha que “lamenta” a suavização feita por Manuela Dias do conflito social de classes no remake. Para o crítico, a cena em que Raquel rasga o vestido de casamento de Fátima guarda "rara observação" de Odete que explicita o tema:

"A sua filha é uma moça excelente, que descobriu muito cedo que existe o nosso mundo e esse mundinho aí onde vocês chafurdam. E ela lutou bastante para passar para o lado de cá. E passou. E uma pessoa assim sempre vai ter o meu apoio incondicional"

“A autora, de fato, evitou se aprofundar neste tema, mas não sei dizer se foi uma opção dela ou um pedido da emissora”, ressalta.

“Vale Tudo” é ou não um sucesso?

A mesma pesquisa Datafolha que revelou o pensamento do público em relação ao destino de Odete apontou que a fatia de brasileiros que assiste ao remake é de quase um terço da população (32%).

Em termos de audiência, a versão atual não chega perto dos índices da original: pico de 89 pontos e média geral de 61 pontos, conforme dados de “Gilberto Braga: O balzac da Globo”, biografia escrita por Mauricio Stycer.

Com a morte de Odete, exibida no dia 6, a trama alcançou 31,4 pontos de audiência na média nacional, segundo dados da Globo. A média geral registrada da novela está na casa dos 23 pontos

Apesar da comparação, das críticas ao folhetim e da demora em engrenar, o remake registrou alta na audiência e trouxe o maior faturamento publicitário em uma novela das nove na Globo, com estimativa de julho do colunista Gabriel Vaquer apontando mais de R$ 200 milhões em arrecadação.

“O resultado, tanto em matéria de audiência quanto de faturamento, espelha a realidade atual da TV aberta no Brasil. São números bons para os dias de hoje”, avalia o crítico de TV Mauricio Stycer.

Apesar de costumeiramente usada como parâmetro, a forma de aferir audiência do Ibope, ressalta Rafael, é mais tradicional, “atribuindo centralidade a capitais como São Paulo e considerando uma metodologia por amostragem de aparelhos monitorados”.

Captura de cena da personagem Fátima Acioli, de Vale Tudo
Legenda: Além dos números de audiência tradicional, 'Vale Tudo' soma métricas de repercussão nas redes, visualizações em streaming e impactos simbólicos como memes.
Foto: Reprodução / TV Globo.

“Esse modelo, embora muito capaz de captar tendências da audiência ou uma visão mais geral do êxito de um produto, precisa ser atualizado à luz das mudanças na distribuição e consumo da TV aberta”, aponta.

“Não dispomos de números claros sobre a audiência em streaming”, lembra Mauricio. Segundo a Globo, “Vale Tudo” é a novela mais vista da história do Globoplay, plataforma da emissora, e o capítulo do assassinato da vilã bateu recorde de exibição ao vivo.

4,2 milhões de interações
nos 500 principais posts de Instagram sobre o assassinato de Odete Roitman

Além da própria plataforma, é possível agregar à discussão outros números, como o de repercussão em redes sociais. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, o mesmo capítulo marcou o maior uso da #ValeTudo no X, além dos 500 principais posts do Instagram sobre a novela terem gerado 4,2 milhões de interações.

“Tudo somado, incluindo também a enorme repercussão em outras mídias e nas redes sociais, com gente falando bem e mal da novela, creio que a Globo pode caracterizar ‘Vale Tudo’ como um sucesso, sim”, sustenta o crítico.

O antropólogo Vinícius Venancio avança além das métricas, defendendo que “todo mundo fala sobre ‘Vale Tudo’”, seja junto à família, aos colegas de trabalho e escola ou em conversas pontuais. 

Afora números interações e impressões em plataformas como Twitter, TikTok e Instagram, ele lembra de impactos já abordados, como a transformação em memes e a difusão do cabelo de Fátima, e da recente criação do “Débora Bloco”, que saiu em cortejo no Rio de Janeiro em frente ao prédio que serve de cenário para a empresa fictícia TCA.

“Podemos criticar o texto e a direção da novela, mas nem o Ibope mede tanto o sucesso de algo do que a sua onipresença na vida cotidiana”, considera. As “aferições” simbólicas e concretas revelam, para o antropólogo, “a persistência da TV aberta e das novelas apesar da pluralidade de possibilidades de entretenimento que temos hoje”.

“Saber que as pessoas podem escolher o que vão consumir, na hora que quiserem, e ainda assim optarem por acompanhar um gênero cujo modelo existe há décadas, de uma história que já foi (parcialmente) contada, é perceber que a novela continua importante na formação cultural brasileira”, compreende.

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