Morar bem não é morar perfeito
A casa como ponto de partida da transformação que a gente busca nesse novo ano.
Janeiro chega com essa fama de página em branco, como se tudo precisasse ser refeito, reorganizado e até reinventado. Mas talvez o início do ano não peça grandes transformações e é, como eu coloquei no último dia do ano no meu perfil no Instagram e tatuei na alma, que venha um 2026 com menos pressa e mais presença.
Já pensou que a casa, nesse tempo, pode ser menos um projeto e mais um ponto de partida?
Morar bem não é alcançar uma versão ideal de casa, dessas que parecem sempre prontas. Morar bem é habitar melhor o que já existe e criar uma atmosfera acolhedora com que já se tem.
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É reconhecer que a casa que temos hoje acolhe quem somos agora e não quem gostaríamos de parecer. Há uma leveza bonita na imperfeição e em uma rotina bem vivida.
Ritmo próprio
Janeiro também tem um ritmo próprio, né? E assim, como nós, a casa também sente.
Depois daquela limpeza e desapego que te indiquei para fazer em dezembro, veio o ritmo frenético festivo nas salas durante as festas de fim de ano. Em janeiro, a casa sai do excesso, do barulho, das visitas, e pede desaceleração.
A gente entra nesse ritmo mais lento de contemplação e planejamento, ou pelo menos deveríamos. Para e observa a luz entrando pela janela, tem silêncios mais longos nos ambientes com as rotinas que se reorganizam aos poucos. Ouvir e sentir esse ritmo é uma forma de cuidado com si mesmo e, agora, não há pressa para fazer mais e sim fazer com intenção.
Ação com intenção
Depois de tirar o que não servia mais na gente e na casa, é nesse momento de introspecção que a criatividade aflora. Cuide de cada cantinho do seu lar como quem cuida de algo vivo. Tire o que pesa, mantenha o que faz sentido, acrescente conforto. Esse pequeno gesto é tão poderoso na rotina e a gente passa a se importar com os detalhes em todos os aspectos da vida.
Que, definitivamente, a gente entenda que morar bem não é morar perfeito, mas sim morar possível. É aceitar as marcas do tempo, os objetos que contam histórias, os arranjos improvisados. A casa não é vitrine, é processo, sabe? Ela muda conforme a vida muda e isso é sinal de movimento, não de desordem.
Há também um cuidado invisível que sustenta o morar bem: o cotidiano. Dobrar uma roupa com calma, abrir a casa pela manhã, acender uma luz mais quente no fim do dia, estender as roupas no varal e sentir o perfume de amaciante invadir tudo.
Uma boa dica é escolher um cuidado semanal para fazer com intenção, não como obrigação. Um gesto pequeno e repetido, cria abrigo. Eu adoro arrumar minha cama diariamente, por exemplo. Ainda finalizo borrifando um cheirinho de lavanda. Bom demais!
No começo do ano, talvez a pergunta mais importante não seja “o que mudar na casa?”, mas “que tipo de vida eu quero levar nela?”. Mais descanso? Se é mais de descanso, de mais encontros, de mais presença, isso tudo é muito individual.
Cada casa responde quando aos nossos próprios estímulos. A gente muda dentro para depois fazer acontecer essa mudança do lado de fora. E, quase sempre, ela pede menos esforço e mais atenção no que estamos dispostos a viver e realizar. Inspire-se!
*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião da autora