Morar bem não é morar perfeito

A casa como ponto de partida da transformação que a gente busca nesse novo ano.

Escrito por
Ana Karenyna verso@svm.com.br
Legenda: Ouvir e sentir o ritmo desacelerado de janeiro é forma de cuidado consigo.
Foto: Arquivo pessoal.

Janeiro chega com essa fama de página em branco, como se tudo precisasse ser refeito, reorganizado e até reinventado. Mas talvez o início do ano não peça grandes transformações e é, como eu coloquei no último dia do ano no meu perfil no Instagram e tatuei na alma, que venha um 2026 com menos pressa e mais presença.

Já pensou que a casa, nesse tempo, pode ser menos um projeto e mais um ponto de partida?

Morar bem não é alcançar uma versão ideal de casa, dessas que parecem sempre prontas. Morar bem é habitar melhor o que já existe e criar uma atmosfera acolhedora com que já se tem.

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É reconhecer que a casa que temos hoje acolhe quem somos agora e não quem gostaríamos de parecer. Há uma leveza bonita na imperfeição e em uma rotina bem vivida.

Ritmo próprio

Janeiro também tem um ritmo próprio, né? E assim, como nós, a casa também sente.

Depois daquela limpeza e desapego que te indiquei para fazer em dezembro, veio o ritmo frenético festivo nas salas durante as festas de fim de ano. Em janeiro, a casa sai do excesso, do barulho, das visitas, e pede desaceleração.

Na imagem, close-up de uma cama de casal arrumada com enxoval em tons de bege e fendi. Sobre a colcha texturizada, há uma almofada decorativa com a frase bordada 'HORA DO ACONCHEGO'. À frente, uma cesta de palha rústica contém uma toalha branca enrolada e um frasco com tampa de madeira, acompanhada de outra toalha branca maior também enrolada. Ao fundo, vê-se parte de uma cabeceira em madeira clara com design ripado e cortinas neutras, criando uma atmosfera serena e acolhedora.
Legenda: Morar bem não é alcançar uma versão ideal de casa, dessas que parecem sempre prontas.
Foto: Arquivo pessoal.

A gente entra nesse ritmo mais lento de contemplação e planejamento, ou pelo menos deveríamos. Para e observa a luz entrando pela janela, tem silêncios mais longos nos ambientes com as rotinas que se reorganizam aos poucos. Ouvir e sentir esse ritmo é uma forma de cuidado com si mesmo e, agora, não há pressa para fazer mais e sim fazer com intenção.

Ação com intenção

Depois de tirar o que não servia mais na gente e na casa, é nesse momento de introspecção que a criatividade aflora. Cuide de cada cantinho do seu lar como quem cuida de algo vivo. Tire o que pesa, mantenha o que faz sentido, acrescente conforto. Esse pequeno gesto é tão poderoso na rotina e a gente passa a se importar com os detalhes em todos os aspectos da vida.

Que, definitivamente, a gente entenda que morar bem não é morar perfeito, mas sim morar possível. É aceitar as marcas do tempo, os objetos que contam histórias, os arranjos improvisados. A casa não é vitrine, é processo, sabe? Ela muda conforme a vida muda e isso é sinal de movimento, não de desordem.

Na imagem, close de um canto decorativo com móveis em madeira clara. Um espelho oval com moldura de LED iluminada reflete parte do quarto. Sobre a bancada, encontram-se itens decorativos: um porta-retrato com moldura de palha sextavada, uma luminária de mesa ondulada com luz quente, uma pequena escultura de uma pessoa em posição de yoga e um vaso de cerâmica bege com design orgânico vazado. A cena transmite uma sensação de tranquilidade e sofisticação.
Legenda: Há também um cuidado invisível que sustenta o morar bem: o cotidiano.
Foto: Arquivo pessoal.

Há também um cuidado invisível que sustenta o morar bem: o cotidiano. Dobrar uma roupa com calma, abrir a casa pela manhã, acender uma luz mais quente no fim do dia, estender as roupas no varal e sentir o perfume de amaciante invadir tudo.

Uma boa dica é escolher um cuidado semanal para fazer com intenção, não como obrigação. Um gesto pequeno e repetido, cria abrigo. Eu adoro arrumar minha cama diariamente, por exemplo. Ainda finalizo borrifando um cheirinho de lavanda. Bom demais!

Na imagem, ambiente de estar integrado com decoração contemporânea. À esquerda, um sofá de tecido claro com almofadas. À frente, um rack branco com puxadores dourados suporta uma televisão de tela plana. Sobre o rack, um livro aberto e adornos decorativos. No chão, três puffs em formatos orgânicos e cores terrosas (verde musgo, terracota e branco) trazem um toque de cor sobre o tapete cinza. Uma grande janela com cortinas de tecido fluido e translúcido permite a entrada de luz natural, e um ar-condicionado branco está instalado acima do móvel.
Legenda: Uma boa dica é escolher um cuidado semanal para fazer com intenção, não como obrigação.
Foto: Arquivo pessoal.

No começo do ano, talvez a pergunta mais importante não seja “o que mudar na casa?”, mas “que tipo de vida eu quero levar nela?”. Mais descanso? Se é mais de descanso, de mais encontros, de mais presença, isso tudo é muito individual.

Cada casa responde quando aos nossos próprios estímulos. A gente muda dentro para depois fazer acontecer essa mudança do lado de fora. E, quase sempre, ela pede menos esforço e mais atenção no que estamos dispostos a viver e realizar. Inspire-se!

 

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião da autora

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