Como o Globo de Ouro ajudou ‘Ainda Estou Aqui’ e pode ajudar ‘O Agente Secreto’
Premiação foi ponto de virada para a campanha de Fernanda Torres e “Ainda Estou Aqui” até o Oscar em 2025 e deve impulsionar, em 2026, o já fortalecido “O Agente Secreto”.
Era 5 de janeiro de 2025 quando Viola Davis chamou ao palco a brasileira Fernanda Torres como vencedora do Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama, troféu que levou pelo trabalho no longa “Ainda Estou Aqui”.
“Meu Deus, eu não preparei nada”, disse ela na ocasião. A “vitória surpresa” marcou uma virada de visibilidade para a premiada e para o filme dirigido por Walter Salles, que dois meses depois chegariam ao Oscar, com vitória do longa — conquista inédita para o Brasil — na categoria de Melhor Filme Internacional.
Neste 11 de janeiro de 2026, pouco mais de um ano depois, “O Agente Secreto” — representante brasileiro da temporada de premiações deste ano — chega ao Globo de Ouro de modo diferente do antecessor, com maior presença, visibilidade e, pode-se dizer, força na corrida.
Dizer se sairá mais ou menos vencedor do que “Ainda Estou Aqui” seria puro exercício de especulação, mas é fato que “O Agente Secreto” desponta no evento já mais conhecido pela indústria dos EUA e reconhecido pelo próprio prêmio.
São três as categorias nas quais o filme de Kleber Mendonça Filho foi indicado no Globo de Ouro, frente às duas de “Ainda Estou Aqui”: Melhor Ator de Drama para Wagner Moura, Melhor Filme Internacional e Melhor Filme de Drama, esta última marcando a única diferença de indicações entre ele e a produção de Walter Salles.
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Início dos percursos
Os dois filmes começaram carreira em festivais europeus: “Ainda Estou Aqui” em Veneza, onde estreou em setembro de 2024, e “O Agente Secreto” em Cannes, por lá exibido em maio de 2025. O primeiro venceu o prêmio de Melhor Roteiro, enquanto o segundo conquistou os troféus de Melhor Direção e Melhor Ator, para Wagner Moura.
Ao longo dos meses seguintes às estreias em festivais, os filmes passaram a figurar em diversos outros eventos e prêmios da crítica nos EUA. Apesar de reconhecimentos pontuais, a vitória de Fernanda Torres no Globo de Ouro em 2025 soou surpreendente devido à ausência da atriz nessas outras premiações.
Já os reconhecimentos prévios de “O Agente Secreto” já ajudam a reforçar o lugar de destaque da produção nesta temporada. Um exemplo claro é a conquista do longa pernambucano de menções na chamada “trifecta” de prêmios.
Ela é composta pelos prêmios entregues pelas três maiores e mais importantes associações da crítica nos EUA: Círculo de Críticos de Cinema de Nova York (NYFCC), a Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles (LAFCA) e a Sociedade Nacional de Críticos de Cinema (NSFC).
“Ainda Estou Aqui” apareceu somente no prêmio da LAFCA, onde Fernanda Torres dividiu o 2º lugar de Melhor Atuação Principal com Demi Moore, por “A Substância”. Já “O Agente Secreto” foi escolhido como o Melhor Filme Internacional nos três.
Wagner, por sua vez, foi premiado como Melhor Ator pelo NYFCC e conquistou o 2º lugar pela LAFCA e pela NSFC. Por essa última, o longa ainda ficou em 3º lugar nas categorias de Melhor Roteiro e Melhor Filme.
A importância dos prêmios televisionados
Diferentemente dos prêmios da crítica, um evento como o Globo de Ouro guarda outro potencial de visibilidade por ser televisionado para todo o mundo, com direito à cerimônia, discurso e holofotes no tapete vermelho e no palco.
Entre exemplos do tipo, está o Critics Choice Awards, cuja edição deste ano ocorreu no último dia 4. Em 2025, “Ainda Estou Aqui” foi indicado a Melhor Filme em Língua Estrangeira, mas não levou. Neste ano, “O Agente Secreto” contou com indicação para Wagner Moura e venceu como Melhor Filme em Língua Estrangeira.
A vitória, no entanto, não garantiu os discursos e holofotes esperados por conta de uma decisão equivocada da organização, que divulgou a vitória em uma entrevista prévia à cerimônia em pleno tapete vermelho.
Apesar do desrespeito ao longa, Kleber e Wagner subiram ao palco para apresentar o vencedor de Melhor Filme e conquistaram o público no local e nas redes sociais com as menções aos outros indicados e uma piada compartilhada pelo ator.
Vitórias no Globo de Ouro — acompanhadas dos devidos discursos — podem impulsionar “O Agente Secreto” a ser mais visto por integrantes de outras premiações prévias, como o BAFTA — no qual o longa figura em pré-listas —, e até do próprio Oscar.
Em relação a outro troféu considerado relevante no caminho das produções, o antigo SAG Awards e atual Actors Awards, a situação de Fernanda e Wagner é a mesma: ausência já esperada de indicação, uma vez que a premiação costuma reconhecer menos atores e atrizes de filmes em língua não-inglesa.
E no Oscar?
Pouco mais de duas semanas depois da vitória de Fernanda Torres no Globo de Ouro, as indicações do Oscar foram anunciadas. Na ocasião, a expectativa era que ela fosse indicada e “Ainda Estou Aqui” garantisse presença na categoria de Melhor Filme Internacional.
Ambas as indicações de fato ocorreram, mas o filme brasileiro surpreendeu ao despontar também na categoria de Melhor Filme — fato que poucos ousaram “prever” em publicações e sites especializados.
Já “O Agente Secreto” tem figurado com mais frequência em diferentes categorias nas previsões. A mais tímida delas, da revista Variety, aposta na presença do filme somente em Melhor Ator e Filme Internacional.
Para a The Hollywood Reporter, a aposta é de indicações nas duas citadas e também em Melhor Filme e Melhor Produção de Elenco. No site GoldDerby, especializado em previsões de premiações, os “experts” acreditam em indicações em Filme, Roteiro Original, Ator e Filme Internacional.