Prefeitura desocupa 21 moradias de pessoas em situação de rua debaixo de viaduto no Papicu, em Fortaleza
Ocupação do local já durava cerca de cinco anos

Na manhã deste sábado (29), a Prefeitura de Fortaleza concluiu a desocupação de uma comunidade sob o viaduto no cruzamento da Via Expressa com a Avenida Dom Luís, no bairro Papicu. Pessoas em situação de rua viviam no local há cerca de cinco anos, somando, ao todo, 21 moradias. A gestão não informou quantas pessoas foram removidas, nem seu perfil.
A desocupação foi realizada pela Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis), com apoio da Guarda Municipal (GMF). Segundo as entidades, não houve registro de resistência porque, desde o mês passado, há um trabalho intersetorial envolvendo vários órgãos para o cadastramento e acolhimento dessas pessoas.
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A maioria dos atendidos admitiu o uso abusivo de substâncias psicoativas, principalmente álcool e crack, e conflitos familiares como motivadores da ida e permanência nas ruas.
A ocupação já havia sido interditada pela Defesa Civil de Fortaleza, "por riscos à integridade física" da comunidade.
O trabalho contou com entrevistas de educadores sociais, que identificaram e escutaram as principais demandas. Ainda na fase de cadastro e entrevistas, alguns moradores decidiram retomar os vínculos familiares.

Após os atendimentos socioassistenciais e médicos, o grupo também recebeu encaminhamentos para:
- emissão de documentos
- inscrição ou atualização no Cadastro Único para concessão do Programa Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC)
- inscrição no Programa de Locação Social
- atendimentos nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)
- abrigamento em comunidades terapêuticas
- acompanhamento religioso com padres ou pastores
Durante a desocupação, as pessoas também foram atendidas pela equipe Consultório na Rua, vinculada à Secretaria Municipal da Saúde (SMS). Os atendimentos envolveram médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogo e assistente social.
Além das equipes mencionadas, houve participação das secretarias dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SDHDS), do Desenvolvimento Habitacional (Habitafor), da Segurança Cidadã (Sesec), Procuradoria Geral do Município (PGM), Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC) e Autarquia de Paisagismo e Urbanismo de Fortaleza (URBFor).
Ampliação de atendimentos
Segundo a gestão municipal, a ampliação do atendimento integral à população em situação de rua e em drogadição está entre as prioridades.
Entre as ações previstas para essa garantia, estão novas vagas de aluguel social e ampliação dos convênios com entidades terapêuticas e de atendimentos na rede de acolhimento.
“Trata-se de uma aproximação necessária, por parte do poder público, com essas pessoas que, na maior parte das vezes, não têm a quem recorrer para buscar qualquer tipo de ajuda. Nosso papel é resgatar a dignidade desse público”, afirma Gabriella Aguiar, titular da SDHDS.