Voz criada no Vicente Pinzon, Negocassio busca espaço no mercado trap brasileiro

Ex-integrante do Castelo de Rima, artista já lançou três singles com produção de Erivan Produtos do Morro

Negocassio:  voz do Vicente Pinzon cheia de ambição de mostrar esse mundo para outros
Legenda: Negocassio: voz do Vicente Pinzon cheia de ambição de mostrar esse mundo para outros

Negocassio abraçou o universo hip-hop ainda criança. Com o Projeto Enxame conheceu o grafite, o rap, o DJ e o break. A iniciativa atua na área do Grande Mucuripe, promovendo arte-educação para jovens da região. “Me tirou do fundo do poço, me deu novas amizades, que faziam parte desse movimento cultural”, relembra.  

Percebeu que era possível ser ouvido por meio da música. Ao lado de MC (João Marcos) e Vivais (Tales) formou o Castelo de Rima. Criaram as canções “Pátria Que Pariu” (2016 ) e “Carrossel” (2018). Com o fim das atividades do grupo, Cassio agarrou a opção de continuar na área, agora com o trabalho solo. 

Buscou outros direcionamentos na carreira. Sua versão de “Negro Gato” (sucesso de Roberto Carlos escrito por Getúlio Côrtes) traduz o momento em que firmou a identidade como Negocassio. “Se a polícia me ver, ela vai me parar, a patricinha escondeu o celular. A madame medrosa acelerou o carro, EU SOU O NEGOCASSIO”, canta e se diverte o músico.  

Cria do morro

Nessa nova fase, soltou os singles “Olho Magro” (2019) e “Bate Cabeça” (2020). A mais recente aposta é “Na Boca”. Os três sons demarcam o DNA do selo Produtos do Morro REC, tocado pelo rapper e produtor musical Erivan Produtos do Morro. 

“E aberta tá a conta pra ganhar mandando som. Cansei de ser funcionário. Agora eu quero ser patrão”, letra de “Bate Cabeça”. 

Voz criada no Vicente Pinzon, ele lembra que o cenário da música independente demarca a junção de inúmeras ramificações da cultura rap. “As pessoas estão se organizando. Se voltando para o mercado. Ainda existe uma inocência de não querer se unir e abraçar a ideia do outro. Só por não fazer parte da sua verdade. Rola isso no começo, depois a coisa flui mais tranquila”, descreve. 

Referência

O trap está em evidência no Brasil e o cearense Matuê segue no topo das plataformas digitais. RAPadura fincou bandeira no Grammy Latino (2020). Ver o nome do Ceará em alta é inspirador. As portas começam a se abrir. É preciso união e respeito ao trabalho do próximo. 

“Fico feliz quando eu vejo um rapper cearense no topo das plataformas digitais. Fico pensando se um dia ele vai na minha comunidade, conhecer o meu trabalho. Ou será que um dia eu chegou a esse topo. A cena daqui de Fortaleza ainda está se encaminhado pra estar no mapa. Esse pessoal serve como inspiração. Eles são cearenses e conseguiram”, afirma.  

Negocassio destila superação e a difícil rotina na periferia de Fortaleza. Não foi fácil pro cara, porém, é possível cantar essa batalha e ser referência para os mais jovens do bairro. O futuro reserva um próximo lançamento no formato single e um álbum. Além do trap, a vontade é mergulhar em outras vertentes que ligam do funk ao eletrônico. 

“Quando se trata de arte. O maior recurso que se tem é a imaginação. A cena precisa entender isso”, finaliza Negocassio. 

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