Rapper Becka Nizers investe no trap e reforça espaço das mulheres na música de Fortaleza

Cantora e compositora lançou o single “Pisciana”, que reúne parcerias com outros artistas da capital cearense

Escrito por
Antonio Laudenir laudenir.oliveira@svm.com.br
(Atualizado às 16:14, em 03 de Outubro de 2020)
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Legenda: "Com o tempo eu me aproximei mas do estilo trap, comecei a tentar escrever e me encantei real pelo estilo", explica a cantora

A força do rap em relatar dilemas e a realidade periférica chamou atenção de Becka Nizers. Com 17 anos, passou a frequentar pequenas rodas de rimas e alimentar o fascínio pela cultura e arte. Essa estrada na música ganhou mais espaço em seu cotidiano com o trap. A jovem cantora une poesia e audiovisual no single “Pisciana”.  

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“Essa música é uma visão de como eu sou, a Rebeca Macêdo”, descreve a compositora. O lançamento tem participação de diferentes profissionais da cena do Jangurussu. A captação foi do selo C2f Records, tocado por Mateus da Silva e Ardack (que comanda a mix/master do projeto). O clipe, assinado por Leo Silva (desconectaoleo), conta com coreografia da bailarina MariaJu Marques. A batida é de Manga Roxa. 

Como a maioria esmagadora dos artistas independentes, esta produção teve recursos financeiros limitados. É preciso dedicação redobrada a todas etapas.

“Com o pouco que temos em recursos, queremos trazer qualidade para nosso público conhecendo outras viodemakers, fotógrafos... Colar nessa galera para aprender e expandir os conhecimentos em relação a isso”, detalha. 

Organização

O primeiro trabalho gravado foi “Sulfoco”, que também reúne Iraquiano, Gean ZerØ e Djotta W. Saiu pela “DzariaTv” (canal que dá visibilidade à cultura de rua, com foco nos Mc's de Batalhas, bem como organizadores e grupos). 

por mais que tente fugir , eu vivo música,  eu respiro música ela ja faz parte do meu ser, o rap foi só uma porta de entrada para poder me fazer ficar ainda mais apaixonada.
Legenda: "Por mais que tente fugir, eu vivo música, respiro música. Já faz parte do meu ser e o rap foi só a porta de entrada para me fazer ficar ainda mais apaixonada", divide Becka Nizers

Seguiu-se “Universo a Moda”, parceria com o rapper Iemir. Veio “Rare Bitches", com a Luaninja (Luana Costa, também integrante do coletivo Cia Mei Dia), gravou “Rare Bitches", que traz Augustto B. na produção. 

“A estratégia é se aproximar de outros artistas que querem fazer uma produção. Unir recursos e estabelecer parcerias é interessante, pois aproxima os públicos de cada um. Aí entra o ‘feat’, essa troca de público. O impulsionamento certo ajuda você a fazer o trabalho, principalmente em redes como o Tik Tok e Instagram”, detalha.  

Planos 

No fim de setembro, Becka gravou mais um vídeo, e a previsão é lançá-lo nas redes em novembro. Intitulada “Rêbordose”, a faixa será dividida em duas partes. A primeira chega agora em novembro.  A continuação, para 2021, reunirá só garotas da cena de Fortaleza. 

A cantora analisa que a cena atravessa mudanças: “Sentimos ainda muito preconceito. Pelo rap ser um ambiente muito masculino, a maioria das garotas se sente meio acanhada em relação a entrar na parte musical e afins. De certa forma, eu tento mudar isso com meus projetos. Porém, hoje em dia, vejo muito mais meninas produzindo do que quatro anos atrás. Ainda é pouco, mas estão se engajando mais no movimento. Inclusive nas batalhas de rap”.  

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