Médica relata últimos momentos de Preta Gil em ambulância
Roberta Saretta relembrou os momentos mais marcantes da luta da artista, que faria 51 anos nesta sexta-feira (8)
A médica Roberta Saretta acompanhou Preta Gil de perto durante os dois anos e meio de sua batalha contra o câncer. Coordenadora da equipe do cardiologista Roberto Kalil no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, Roberta esteve ao lado da cantora, que faria 51 anos nesta sexta-fera (8), desde os primeiros exames, passando pelas internações, tratamentos, e até o momento mais delicado: a tentativa de retornar dos Estados Unidos para o Brasil.
O vínculo da médica com a família Gil começou em 2016, quando Gilberto Gil enfrentou complicações cardíacas. O relacionamento foi tão próximo que Flora e Gil se tornaram padrinhos do filho mais velho de Roberta. Já com Preta, a aproximação se intensificou a partir do diagnóstico de câncer. “Ela era extremamente sensível, tinha uma energia rara. Mesmo nos momentos difíceis, era cercada de amigos, carinho e esperança”, lembrou a médica, em entrevista ao jornal O Globo.
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A doença chegou a entrar em remissão por um ano, e Preta celebrou seus 50 anos, em 2024, rodeada das pessoas que amava. Em março de 2025, veio o golpe mais duro: a metástase havia alcançado o fígado e os pulmões. “Ela me perguntou: ‘Se eu não fizer nada, quanto tempo tenho?’ Respondi: de seis a oito meses. Ela queria viver, não apenas sobreviver”, conta Roberta.
Diante disso, a cantora buscou alternativas fora do Brasil. Com a ajuda de amigos, encontrou um protocolo experimental na Virgínia, Estados Unidos. Após algumas sessões promissoras, uma infecção a forçou a interromper o tratamento. A tentativa de retomá-lo foi frustrada por complicações renais e o avanço agressivo da doença. Mesmo assim, Preta lutou até o fim para voltar ao Brasil.
Últimos momentos
“Quando a ambulância chegou para levá-la ao aeroporto e os paramédicos mediram as taxas, ela estava estável, com índices normais, pressão, eletro, tudo. Ela queria, com todas as forças, chegar no Brasil. Durante o trajeto de uma hora e 20 minutos de viagem até o avião, fiquei de frente para ela, repetindo que a levaria para casa. Ela foi acordada o tempo todo. Ao chegar no aeroporto, ela passou mal, vomitou. 'Estamos quase lá', eu falei. 'Preta, você dá conta de viajar? Segura mais um pouco?'. E ouvi a resposta: 'Não dou conta'. Pedi para o paramédico nos levar ao hospital mais próximo. Chegamos em oito minutos. Quiseram reanimá-la, poucos minutos depois ela se foi".
Nos dias seguintes, à espera da liberação para trazer o corpo ao Brasil, os amigos celebraram a vida de Preta com pequenas homenagens: jantaram no restaurante preferido dela em Nova York, brindaram com champanhe, comeram hambúrguer e o famoso macarrão com lagosta que ela tanto gostava.
“Ela teve uma disponibilidade emocional rara. Viveu até o último segundo com entrega, coragem e amor. A Preta não queria só viver mais um pouco. Ela queria viver muito. E fez isso, mesmo diante do fim”, finalizou Roberta.