Felca abre mão de publicidade após denúncias em vídeo sobre abuso infantil
Influenciador explicou a Pedro Bial que recusou toda a renda publicitária para não comprometer seriedade do tema
O influenciador digital Felca revelou que enfrentou o pior mês financeiro de sua carreira após a publicação do vídeo “Adultização”, no YouTube, lançado no início de agosto. Em entrevista exibida na madrugada desta terça-feira (26) no programa “Conversa com Bial”, da Globo, ele contou que abriu mão de toda a renda publicitária no período para não comprometer a seriedade das denúncias que fez sobre a exploração de crianças e adolescentes nas redes sociais.
“Eu sou um influenciador. A maior parte da minha renda vem de publicidade. Nestas duas semanas, eu perdi, recusei ou declinei todas as publicidades que chegavam até mim. Então, neste mês, não tive qualquer tipo de renda. Para os negócios, não foi bom”, admitiu Felca.
O criador de conteúdo reforçou que a decisão foi consciente e necessária. “Declinei todas as publicidades. Foi quase um minuto de silêncio. Nesse momento, nós temos que falar sobre algo que é mais importante. Eu não queria aparecer dizendo ‘compre tal coisa, faça tal coisa’. Pegaria mal, eu iria me descredibilizar. Agora, estou fazendo algo que é maior do que eu e mais importante do que a minha renda”, destacou.
A atitude recebeu elogios do apresentador Pedro Bial. “É a diferença do que tem valor e do que tem preço, né? Isso não tem preço, tem valor”, comentou.
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Caso
Durante a entrevista, Felca também revelou um dos casos que mais o impactaram durante a investigação para o vídeo, que levou mais de um ano de apuração. Segundo ele, uma mãe usava a imagem da própria filha menor de idade para produzir e vender conteúdo em plataformas privadas. “Era a própria família por trás da sexualização da criança”, relatou.
O vídeo "Adultização" já ultrapassa 48 milhões de visualizações e, segundo estimativas feitas pelo Estadão, poderia render sozinho até meio milhão de reais em monetização no YouTube. No entanto, Felca deixou claro desde o início que pretende doar integralmente os valores recebidos.
Entre as instituições escolhidas pelo influenciador para receber os recursos estão a Childhood, o Instituto Liberta, as Aldeias Infantis SOS Brasil, o projeto Eu Me Protejo e a Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente.