Christiane Torloni faz homenagem a Manoel Carlos: ‘Papel da minha vida’
Atriz interpretou Helena na novela Mulheres Apaixonadas.
A atriz Christiane Torloni, que interpretou a protagonista Helena Moraes na novela Mulheres Apaixonadas (2003), se pronunciou pela primeira vez neste domingo (11) sobre a morte do autor Manoel Carlos. Segundo ela, a personagem oferecida por ele foi “o papel definitivo” em sua vida.
“Nosso Maneco partiu deixando mais um rombo nesse coração que parece aqueles queijos cheios de buraquinhos. Deixando um rombo enorme na nossa cultura, na nossa televisão”, iniciou a artista na homenagem postada no Instagram.
Ela classificou o autor como um “grande gênio da dramaturgia brasileira” e lembrou que, antes da carreira, o conheceu como amigo de seus pais, Monah Delacy e Geraldo Matheus.
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Depois, já como atriz, ele a ofereceu o papel de Lia, filha da primeira Helena de Manoel Carlos, interpretada por Lilian Lemmertz na novela Baila Comigo (1981). À época, Christiane tinha 24 anos.
“[Aquela foi] a primeira Helena do grande hall das grandes Helenas que viriam, e depois me oferecendo o papel definitivo na minha vida, que foi a Helena de Mulheres Apaixonadas”, relembrou. “O Maneco mudou o meu destino”.
Como foi feito o convite?
Torloni lembra que, em meados de 2023, ela estava fazendo uma peça e se preparava para fazer outra novela. Porém, Manoel mandou chamá-la até Nova York para terem uma conversa. No famoso Central Park, ele a indicou como a próxima Helena.
Incrédula, ela perguntou: “mas por que eu?”. “Ele dizia com aquela voz linda, forte: a sua vida te define, a sua vida te autoriza, a sua Helena representará muitas helenas que estão por aí, anti-heroínas. Uma Helena humana, anti-heroína”.
Começava ali um dos grandes sucessos da década para uma novela das 21h na TV Globo. Mulheres Apaixonadas terminou seus 203 capítulos com média de 47 pontos de audiência, marcando 61 pontos no capítulo final.
Legado de Maneco
Para Christiane, o autor “como ninguém foi cronista de muitas almas, um grande humanista”. Ela ainda lembrou bastidores da novela.
“[Tive] esse sabor raro de, como atriz, saber que você foi musa durante um tempo porque ele fazia com que eu tivesse certeza que ele estava escrevendo aquela Helena pra mim. Os presentes lindos que ele me deu durante a novela, escrevendo cartas lindas, livros de arte”, contou.
Ela prestou condolências à família e disse que Maneco era um homem amoroso e carinhoso com os amigos.
“Um dia a gente vai estar sentado, como diz a minha mãe, no céu da boa gente, batendo palma, rindo, provavelmente tomando um bom champanhe e dizendo como a vida foi boa para nós. Vai, maneco, você cumpriu lindamente o seu legado”, finalizou.
Manoel Carlos morreu no último sábado (10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A causa da morte não foi divulgada pela produtora Boa Palavra, de sua filha, Júlia Almeida, responsável pelo comunicado à imprensa. O velório foi restrito a familiares e amigos próximos.