Caso Marcius Melhem: humorista e jornalista viram réus por violência psicológica e perseguição

Decisão não julga o mérito da acusação, mas abre espaço para que o caso seja analisado

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Redação producaodiario@svm.com.br
Marcius Melhem em uma palestra
Legenda: Humorista afirma que o caso já foi arquivo em outro juízo, e que é inocente
Foto: João Cotta / TV Globo

O processo envolvendo o ex-diretor de humor da Globo, o humorista Marcius Melhem, e um grupo de mulheres liderado por Dani Calabresa ganhou novos contornos na terça-feira passada (22 de julho). Ele e o jornalista Ricardo Feltrin — que cobriu as acusações — se tornaram réus por violência psicológica e perseguição.

Esse processo é um desdobramento das defesas feitas pelo humorista nas redes sociais, em resposta às acusações feitas por Calabresa e outras quatro mulheres em 2020. O grupo acusa a dupla de ter disseminado "comentários públicos constrangedores e desqualificadores das vítimas e testemunhas".

Esse tipo de atuação, no entendimento das vítimas, teria desencadeado uma série de mensagens de ódio nas redes sociais contra elas. A decisão da juíza Juliana Benevides é pela análise do caso e não julga o mérito da questão — no caso, a acusação feita pelas quatro mulheres. O processo de Dani Calabresa já prescreveu

Outras quatro mulheres, que processaram tanto Marcius Melhem quanto Ricardo Feltrin pelos mesmos crimes, não tiveram sucesso, e o caso foi arquivado na Justiça do Rio de Janeiro. No entanto, o restante, que abriu o processo em São Paulo, obteve êxito na transferência da denúncia para o RJ.

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O que diz o humorista 

Segundo a defesa de Melhem, os fatos tratados na ação são os mesmos que já foram analisados e arquivados por outro juízo. A defesa afirma estar confiante de que será comprovada a inocência do humorista. O compliance da TV Globo informou à justiça fluminense que não encontrou provas da denúncia feita no setor responsável da emissora.

Já o jornalista Ricardo Feltrin diz que a decisão se trata de “censura" e que as acusações foram combinadas entre as mulheres. Em nota, ele afirma que "a acusação de 'violência psicológica' contra um jornalista sempre configurou uma tentativa de censura por parte da advogada das acusadoras".

No caso aberto no Rio, que foi arquivado e sem possibilidade de recurso, a promotora Fabíola Lovis concluiu que as postagens feitas por Marcius, um total de 132 vídeos publicados nas redes sociais, seriam apenas para se defender. 

Ela destacou um laudo assinado por quatro peritas do Ministério Público. "A análise técnica apontou que o discurso das vítimas é sugestivo de 'combinação', apresentando, ainda, muitas contradições", afirmou a promotora. As atrizes tentaram um novo recurso, mas a Justiça manteve o arquivamento.

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