400 concursados da extinta Fagifor serão convocados para unidades de Fortaleza; veja detalhes
Prefeitura aponta que chamamento dos profissionais de saúde será feito neste ano
O déficit de profissionais é um gargalo frequente na rede pública de saúde, principalmente os postos, portas de entrada do SUS. Para tentar mitigar o problema, 411 concursados da extinta Fundação de Apoio à Gestão Integrada em Saúde de Fortaleza (Fagifor) serão convocados, neste ano, para atuar nas unidades básicas e em hospitais municipais.
O anúncio foi feito pelo prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, na manhã desta segunda-feira (28), no Paço Municipal, durante evento de divulgação do “Saúde Que Cuida”, um dos eixos do Fortaleza Inclusiva, que envolve diversas áreas de atuação.
Evandro pontua que todos os mais de 400 profissionais aprovados no concurso da Fagifor serão alocados “de acordo com a demanda”. O prefeito não detalhou quantos são médicos, profissionais de enfermagem e demais categorias.
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A Fagifor foi extinta na reforma administrativa realizada pelo prefeito. Com a mudança, os mais de 2,4 mil trabalhadores vinculados à fundação, antes celetistas, passam a ser servidores estatutários.
Riane Azevedo, secretária municipal da Saúde, revela que as convocações deveriam ser feitas “só em 2026 e 2027”, mas a gestão decidiu antecipar, diante da necessidade de aumento de pessoal na rede.
“São quase mil pessoas que ficaram pra ser chamadas, mas neste momento serão as 411. Foi difícil, porque a condição financeira da SMS não é das melhores. Estamos ‘tirando leite de pedra’, como dizem. Mexendo sistematicamente pra aumentar o quadro”, reforça.
Os dois gestores não souberam informar, durante a entrevista coletiva, o quantitativo exato de profissionais que serão alocados em cada posto de saúde e cada um dos nove hospitais municipais de Fortaleza.
Outros concursos pendentes
Além dos aprovados no concurso da extinta Fagifor, profissionais que passaram no certame para o Instituto Dr. José Frota (IJF) também serão chamados. Ao todo, serão 82 novos cargos ocupados, conforme a SMS.
A maioria dos chamamentos será de trabalhadores da enfermagem, com 75 convocações. Em seguida, vêm fonoaudiólogos (três), cirurgiões de mão (dois) e médicos intensivistas (dois).
Durante o evento, a Prefeitura de Fortaleza não fixou datas exatas de prazo para as lotações.
Um terceiro concurso da área da saúde com convocações pendentes é o realizado em 2018 para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Após sucessivas prorrogações, o certame tem data de vencimento final nesta quarta-feira (30), quando devem ser convocados 260 aprovados, de acordo com Evandro Leitão.
Entre eles, estão 59 psicólogos. Reportagem publicada pelo Diário do Nordeste no início deste mês de julho registrou a insatisfação dos profissionais quanto ao número de vagas. Segundo eles, só a categoria de psicólogos tem cerca de 300 aprovados em cadastro de reserva, dos quais a maioria perderá o processo seletivo por falta de chamamento.
Déficit de trabalhadores
Aumentar a quantidade de trabalhadores da saúde é condição fundamental para possibilitar o funcionamento adequado dos diversos equipamentos e ampliações anunciados pela gestão municipal. Entre as ações anunciadas nesta segunda (28), a prefeitura destacou:
- Reforma de 87 postos de saúde da cidade, dos quais 25 serão entregues em 2025;
- Novo posto de saúde no bairro Mondubim;
- Reforma de todos os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), seis deles entregues neste ano;
- Construção de um CAPS infantil no antigo prédio do IPM, no bairro Benfica, integrado a um Espaço Girassol;
- Reforma das UPAs Vila Velha e Itaperi, com entrega em setembro de 2025.
Outras medidas que exigem a ampliação do quantitativo de profissionais são a implementação da telemedicina e a ampliação do horário de atendimento dos postos de saúde até as 21h, compromisso de campanha estabelecido por Evandro Leitão – e que só deve ser colocado em prática em 2026.
A secretária da Saúde elenca, ainda, que a redução de filas para consultas, exames e procedimentos é o maior desafio da rede, afetando diretamente a qualidade de vida da população.
“Precisamos reduzir essas filas, deixar algumas administráveis, porque a população deixa de acreditar na rede. Precisamos fazer com que ela acredite que uma fila dessa é como uma fila pra pegar um elevador: vai andar. Você entra e vai ser chamado. É pra isso que estamos trabalhando”, frisa Riandee.