Senai testará farda com QR Code em alunos do Ceará; entenda
Proposta, apresentada durante a Feira da Indústria, em Fortaleza, prevê que estudantes usem fardas com informações como turma, tipo sanguíneo e contatos de emergência.
Usar em escolas e espaços de formação um fardamento que, por meio de um QR Code incorporado ao tecido, permita acessar informações específicas de cada aluno, como nome, turma, sala e até tipo sanguíneo. A proposta, que integra tecnologia e vestuário, é uma inovação já discutida e testada em alguns estados brasileiros. Em Fortaleza, a iniciativa deve começar a ser experimentada ainda este ano com estudantes da educação profissionalizante do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
A informação foi anunciada pelo presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante, durante a abertura da Feira da Indústria, realizada pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), no Centro de Eventos, em Fortaleza, nesta semana.
Na ocasião, ele afirmou que a proposta deverá ser adotada na Capital no âmbito da educação profissionalizante. "Na hora que o fio está sendo feito, ele já está gravando dentro dele o QR", detalhou.
"Cada uniforme contará ainda com QR Code vinculado ao cardápio do estudante, criando um sistema de dupla validação que reforça a segurança e demonstra como a tecnologia pode transformar nos universos virtuais. Cada pessoa tem a sua farda e, quando passar, vai acusar se aquela farda é dela ou não", explicou.
A analista administrativa do Senai Parangaba, Paula Couto, reiterou que a etiqueta QR Code detém “todas as características do aluno”, incluindo turno, turma, tipo sanguíneo, pai e mãe, e o contato.
A etiqueta, segundo ela, é produzida usando uma tecnologia de estamparia chamada DTF que é fixada na roupa através de calor e pressão. A ideia é que seja “aplicado em todos os fardamentos dos alunos do Senai”, reforçou. A inovação deve ser adotada no segundo semestre deste ano, estima ela, e ser expandida para a rede do Serviço Social da Indústria (Sesi) e as escolas destas duas redes.
Paula também explicou que os fardamentos do Senai são confeccionados a partir de editais promovidos pela própria instituição. Segundo ela, ainda não é possível afirmar qual será a primeira escola a abrir edital para aquisição do novo modelo. A estimativa é que, a partir da adoção do sistema, todas as unidades do Senai Ceará passem a utilizar o novo uniforme. Cerca de 90 mil alunos passam anualmente pela instituição no estado, o que representa aproximadamente 8 mil estudantes por mês.
De onde surgiu a demanda?
De acordo com Paula, essa demanda de inovação foi feita na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) em parceria com o Ceará, devido ao desempenho no processo produtivo têxtil.
“Uma pessoa responsável pela inovação têxtil lá [na Firjan] queria desenvolver esse tecido em larga escala e pediu, como era um tecido que estava sendo um teste, para que a gente desenvolvesse aqui. Foi por isso que esse tecido chegou até a gente”, revela.
A inovação, conta ela, nasceu das demandas sociais de ter um monitoramento mais próximo dos alunos, já que em diversas situações, defende ela, será possível “encontrar o estudante” mesmo que ele esteja com o celular descarregado, por exemplo.
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Paula também avalia que a tecnologia pode ser expandida para outros setores. “Para uma grande indústria, por exemplo, podemos colocar no fardamento. A pessoa passou mal, eu posso escanear, saber o contato de um responsável, tipo sanguíneo, que é uma coisa super importante, algum tipo de alergia”. Ela também aponta que o tecido tem durabilidade garantida e que o processo corriqueiro de lavagem não afeta o sistema de identificação.
Ela destaca ainda que o desenvolvimento da tecnologia têxtil ganha cada vez mais relevância em conexão com as demandas sociais. “Na época da pandemia, por exemplo, a gente já utilizava tecidos antibactericidas e antifúngicos na parte de peças íntimas, como calcinhas e meias, mas aí as pessoas passaram a utilizar o mesmo procedimento nas outras peças porque a gente estava lidando com o processo de uma pandemia”.
Rastreabilidade do tecido
A tecnologia aplicada ao uniforme também envolve um sistema de rastreabilidade do próprio tecido utilizado na produção das peças. Segundo Rafael Rocha, líder comercial da Protecta, indústria responsável pela confecção das peças, o código inserido no material funciona como uma espécie de identificação permanente do processo produtivo.
“O código binário é uma identificação de cada instituição. Por exemplo: o Senai vai ter o código dele, que pode ser 00101, dando um exemplo. Vai ser o código dele, que vai ser impresso no fio. E dali pra frente você tem toda a estabilidade do produto”, explica.
De acordo com ele, essa marcação acompanha o material em todas as etapas da produção. “Tingimento, confecção, , lavagem, nada disso danifica. Então ali você realmente consegue ter a rastreabilidade de produto e processo, acompanhando todo o histórico do produto desde a origem do fio”.
Questionado sobre iniciativas de proteção de dados, como criptografia das informações associadas ao sistema, ele afirmou não ter detalhes sobre essa etapa do projeto.
*Estagiária sob supervisão das jornalistas Dahiana Araújo e Mariana Lazari.