Indústria corresponde a 86% das exportações no Ceará e fatura R$ 9,9 bilhões em 2025
Com o objetivo de manter o crescimento do setor, evento Feira da Indústria Fiec reúne representantes do mercado em evento gratuito.
A indústria cearense segue exercendo papel significativo no comércio exterior do Estado. Segundo dados apontados pela gerente do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Karina Frota, as exportações da Indústria de Transformação representaram 86,3% do total exportado no Ceará em 2025.
Conforme as informações, o setor arrecadou cerca de US$ 1,9 bilhão com exportações no ano passado, aproximadamente R$ 9,94 bilhões. O valor representa um aumento de cerca de 58% em relação à quantia apurada em 2024 (US$ 1,2 bilhão, por volta de R$ 6,28 bilhões).
Na liderança de vendas internacionais em 2025 estão o ferro e o aço, com US$ 1,1 bilhão arrecadado (cerca de R$ 5,75 bilhões).
A informação é do Comex Stat, portal de acesso às estatísticas de comércio exterior do Brasil.
Frota salienta, ainda, a exportação de calçados, frutas, com destaque para o melão, da cera de carnaúba, de rochas ornamentais, com foco nos quartzitos, e da castanha de caju.
Entre os municípios, São Gonçalo é o que ganha maior notoriedade, graças à exportação de produtos siderúrgicos. De acordo com a especialista, os itens correspondem a mais de 50% das vendas internacionais do Estado.
Foi pensando em manter esse crescimento, fortalecer o setor industrial cearense e impulsionar as empresas locais que a Fiec realiza a Feira da Indústria FIEC.
O evento gratuito ocorre nos dias 9 e 10 de março, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. As inscrições podem ser feitas pelo site do evento.
Com o tema “A indústria conectada ao seu dia a dia”, serão 39 setores reunidos, organizados em seis ilhas temáticas: Construção Civil e Mineração; Energias, Gráfico, Embalagens, Pneu e Reciclagens: Indústria Alimentícia; Metalmecânica, Químico, Telecomunicação e Carnaúba e Institucional. A programação inclui palestras, oficinas, rodadas de negócios, exposições, atividades interativas e visitação aos estandes.
Top 10 produtos exportados pelo Ceará em 2025
| Produto | Faturamento |
|
Ferro fundido, ferro e aço |
US$ 1.181.721.626 |
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Calçados, polainas e artefatos semelhantes; suas partes |
US$ 189.400.026 |
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Frutas; cascas de frutos cítricos e de melões |
US$ 182.874.782 |
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Gorduras e óleos animais ou vegetais; produtos da sua dissociação; gorduras alimentares elaboradas; ceras de origem animal ou vegetal |
US$ 107.442.550 |
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Sal; enxofre; terras e pedras; gesso, cal e cimento |
US$ 102.671.044 |
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Peixes e crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos |
US$ 84.373.886 |
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Combustíveis minerais, óleos minerais e produtos da sua destilação; matérias betuminosas; ceras minerais |
US$ 69.227.584 |
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Preparações de produtos hortícolas, de frutas ou de outras partes de plantas |
US$ 61.587.977 |
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Máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios |
US$ 41.351.860 |
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Obras de pedra, gesso, cimento, amianto, mica ou de matérias semelhantes |
US$ 34.983.540 |
Mesmo com tarifaço, Estados Unidos seguem como principal comprador internacional do Ceará
Para Karina Frota, os resultados do Ceará evidenciam uma melhora efetiva da posição externa do Estado. De acordo com a gerente, as exportações cearenses, de modo geral, aumentaram em 50% entre 2024 e 2025. O mesmo aumento ocorreu entre os números de janeiro de 2025 e janeiro de 2026.
“O Ceará registrou exportação para mais de 150 países. Ainda temos uma concentração muito grande dessas exportações para os Estados Unidos, oscila bastante entre 40% e 50% das vendas internacionais do Estado. Aparece como segundo lugar o México”, indica.
Ela explica que, mesmo com as medidas do tarifaço, que aumentaram em 50% o valor de importação para determinados produtos nos Estados Unidos, os compradores americanos continuaram interessados nos produtos cearenses.
“Mesmo com o tarifaço, as exportações para os Estados Unidos continuaram em primeiro lugar porque foi feita uma negociação muito grande entre os próprios exportadores e importadores com relação à adequação de preço e adequação de prazo de pagamento”, ressalta.
Karina também cita a Itália, os Países Baixos, a China, a França e a Argentina como os principais destinos para as vendas internacionais de produtos cearenses.
Ceará não pode ficar restrito ao mercado americano, diz especialista
Com movimentos como o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia e as possíveis novas taxações estabelecidas pelo presidente americano Donald Trump, o objetivo para o Ceará, atualmente, é consolidar a diversificação dos países compradores, aponta a especialista.
Nesse sentido, Karina destaca a necessidade de trabalhar a internacionalização de forma consistente para que a indústria cearense continue cruzando fronteiras.
“O nosso objetivo é trazer essa oportunidade de internacionalização da indústria para um mercado chamado mundo. Não podemos ficar restritos ao que acontece, por exemplo, em termos de mercado norte-americano. E a localização geográfica do Ceará é um diferencial no comércio exterior. Nós respondemos a várias nações do mundo”
Outra prioridade indicada por Karina é a transformação digital do setor para o desenvolvimento de novos modelos de produção.
“É indispensável a expansão da capacidade e modernizacão do Parque Industrial do Ceará e do Brasil. E ainda, que as empresas adotem soluções em big data, cloud computing e IA”, reforça.
SERVIÇO
Feira da Indústria FIEC - “A indústria conectada ao seu dia a dia”
Data: 9 e 10 de março
Local: Centro de Eventos do Ceará - Av. Washington Soares, 999 - Edson Queiroz
Inscrições gratuitas: feiradaindustriafiec.com.br