Data center antecipa expansão por alta demanda e estuda quarto empreendimento no Ceará

Tecto Data Center projeta segunda fase do Mega Lobster e deve dobrar capacidade inicial.

Escrito por
Gabriela Custódio gabriela.custodio@svm.com.br
Data center na praia do futuro.
Legenda: O data center Mega Lobster, da Tecto, tem 20MW de potência total e será ampliado em módulos.
Foto: Divulgação/Tecto.

Após inaugurar o Mega Lobster (TFOR3) em outubro de 2025, a Tecto Data Center já planeja a segunda fase do empreendimento localizado na Praia do Futuro, em Fortaleza. Ainda sem cronograma fechado, a empresa trabalha com a expectativa de que a expansão ocorra até o início de 2027, dobrando a capacidade inicial de 4 megawatts (MW) para 8 MW.

O Mega Lobster é o terceiro data center da companhia em Fortaleza e tem capacidade total projetada de 20 MW. “Provavelmente a expansão será de mais 4 MW para poder dobrar a capacidade e emendar os dois data halls (espaço físico onde os equipamentos dos clientes são instalados)”, explicou Tito Costa, chief revenue officer (CRO) da Tecto — cargo equivalente a diretor de receita —, ao Diário do Nordeste.

Os outros dois empreendimentos da Tecto na Capital cearense já esgotaram a capacidade instalada. O Big Lobster (TFOR2), por exemplo, foi inaugurado em 2023 e atingiu 100% da ocupação em cerca de dois anos.

Em janeiro deste ano, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 233,46 milhões para a Tecto Data Centers ampliar o Mega Lobster. Esse valor, segundo a empresa, vai “viabilizar a visão de longo prazo” e a expansão da infraestrutura digital para o TFOR3. O montante voltado especificamente para essa segunda fase não foi informado.

Homem de camisa rosa e blazer azul, olhando para a câmera e sorrindo.
Legenda: Além do Mega Lobster, a Tecto outros dois data centers em operação em Fortaleza.
Foto: Kid Jr.

Alta demanda e 4º data center na mira 

A expansão mais rápida do que o previsto, segundo o diretor, aponta a demanda percebida pela empresa no Ceará. “Já testamos o mercado, já entendemos que o mercado é comprador, que existe uma demanda pujante e estamos aqui para continuar esse desenvolvimento”, afirmou Costa, durante entrevista realizada na tarde dessa quarta-feira (4).

O potencial é tanto que a Tecto já está buscando um terreno para a criação de um quarto data center em Fortaleza. Porém, ao contrário da segunda fase do Mega Lobster, esse projeto ainda é “embrionário” e de longo prazo. Isso porque a aquisição do novo espaço deve ocorrer quando o Mega Lobster (TFOR3) atingir entre 60% e 70% de ocupação.

A ampliação do Mega Lobster não deve ter impactos de geração de emprego na operação do data center, uma vez que a equipe já está formada e em atuação. Para a construção, porém, é estimada a criação de 100 vagas temporárias. Por outro lado, Tito Costa destaca a criação de empregos indiretos na operação.

“Todo cliente local, toda empresa de tecnologia do Estado ou da região que se coloca aqui, está fundamentalmente gerando uma infraestrutura que vai ser utilizada por outras empresas que aqui estão. Então, isso vai poder aumentar o volume de negócios que essas empresas fazem e transacionam”, explica.

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Conectividade

Localizado na Praia do Futuro, o Mega Lobster (TFOR3) está integrado ao Cable Landing Station (CLS), ponto de ancoragem e terminação para os cabos submarinos que chegam à Capital e ao Ponto de Troca de Tráfego (PTT) de Fortaleza.

Além disso, ele conta com conexão direta à infraestrutura terrestre e submarina da V.tal, empresa irmã da Tecto que atua com rede neutra de fibra óptica, ampliando a conectividade nacional e internacional.

Com isso, o diretor destaca que o Mega Lobster é um empreendimento “de primeira linha”, com estrutura comparável à de grandes centros do Sudeste. Ele aponta, por exemplo, a importância de as empresas terem uma infraestrutura desse porte mais perto delas.

“Hoje, uma empresa daqui que começa a sua operação aqui em Fortaleza atendendo os seus clientes locais, ela pode se hospedar conosco, mas já pode pensar que tem na mão uma plataforma que permite a ela se expandir para a América Latina. Então, isso facilita muito e reduz muito a barreira de entrada em outros mercados para essas empresas”, afirma.

Homem de camisa rosa e blazer azul, conversando.
Legenda: Tito Costa, chief revenue officer (CRO) da Tecto.
Foto: Kid Jr.

Casos de uso da IA

De acordo com o diretor, a Tecto tem se posicionado pensando nas demandas da inteligência artificial em curto prazo, mas também para as necessidades futuras. Com empreendimentos da empresa distribuídos em diferentes cidades brasileiras, Costa destaca a importância de aspectos técnicos como a latência, o tempo que os dados demoram para serem transferidos pela rede.

“Quando tivermos carros autônomos ou robôs, isso vai exigir velocidade [de processamento], e não é possível concentrando todos os data centers em São Paulo, porque a latência faz diferença. Imagine um robô conectado a uma inteligência artificial usado para acelerar a colheita no campo. Se a informação demora para ir, ser processada e voltar, um erro de um metro a mais ou a menos [na rota da colheitadeira], no fim, gera um prejuízo enorme”, exemplifica.

Atualmente, porém, os usos da inteligência artificial no mercado, em todo o País, ainda são restritos. Um exemplo é o agente de Power BI — plataforma para criar relatórios a partir de dados brutos —, que empresas com grandes bases de dados podem usar para interpretar essas informações.

Outro caso é o agente autônomo de WhatsApp, assistente virtual que utiliza processamento de linguagem natural para conversar com clientes, entender o contexto e resolver demandas.

“Imagino que esse pode ser o primeiro passo para o uso de inteligência artificial aqui no Ceará, e já temos a infraestrutura pronta. Precisamos agora dos desenvolvedores de software para montar essa estrutura, usar os nossos hardwares, nossos servidores, e comercializar isso no mercado local”, afirma.

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