Em Brasília, todos estão com medo de Vorcaro, a bomba atômica

Polícia Federal prende, de novo, o dono do Banco Master e seu cunhado. Dois diretores do BC prestavam consultoria ao Master.

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 11:38)
Legenda: Daniel Vorcaro, preso nesta quarta-feira, de novo, pela Polícia Federal, é um arquivo vivo que mete medo em Brasília
Foto: Reprodução
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De tédio, os brasileiros – os cearenses no meio -- não morreremos. De sábado, 28 de fevereiro, até esta quinta-feira, 5 de março, atraindo a atenção de todos, há uma grande guerra castigando o Oriente Médio. O governo dos Estados Unidos, insuflado pelo de Israel, está bombardeando o Iran, que, mesmo tendo perdido sua perversa cúpula dirigente e parte de seu poder bélico, está respondendo com ataques diários contra os agressores e seus apoiadores – Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahreim, Qatar, Jordânia, Kuwait e Iraque, onde os norte-americanos têm bases militares. 

Esse conflito, que pode gerar algo muito maior e mais grave, pois a China e a Rússia, duas das três maiores potências de guerra do mundo, têm profundo interesse econômico na área conflituosa. É de lá que a China recebe parte do petróleo que abastece o seu progresso científico, tecnológico e de defesa. 

Por tudo o que se está vendo, lendo e ouvindo, chega-se à conclusão de que, à primeira vista, o presidente Trump, com baixa popularidade, deixou-se levar pela conversa do premier israelense Benjamin Netanyahu e declarou guerra ao Irã, sem pedir permissão ao Congresso. Trump tem feito e dito coisas que só complicam a sua situação política interna e externa – a declaração, feita ao vivo terça-feira, 3, na Casa Branca, anunciando o fim das relações comerciais dos EUA com a Espanha, um aliado tradicional, é só mais uma prova da fragilidade da motivação que o levou a esta guerra. 

Para dar ainda mais emoção aos dias e às noites dos brasileiros, vem a notícia de que a Polícia Federal – ela mais uma vez – prendeu na manhã desta quarta-feira, de novo, o dono do Banco Master, Gabriel Vorcaro, cujas operações fraudulentas conduziram o Banco Central a liquidar, no dia 18 de novembro, a sua instituição, que, pelo conjunto da obra, pode ser vista como uma arapuca que enganou 1,6 milhão de pessoas físicas e jurídicas, entre as quais alguns fundos de pensão de estados – como Rio de Janeiro, Roraima, Amapá e Amazonas – e de municípios como Maceió, Itaguaí e Aparecida de Goiânia.  

A operação de hoje da PF, que prossegue, foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do caso que ganhou, muito justamente, o nome de escândalo do Banco Master. E põe escândalo nisso, porque ele envolvia, até hoje, só figurões do Legislativo, do Executivo e do Judiciário.  

As investigações da PF têm ido além do que se previa e alcançaram, agora, também, dois ex-diretores do Banco Central (BC), a Autoridade Monetária do país. Um deles era, até 2003, responsável pela fiscalização dos bancos, imaginem! Ele já havia sido afastado do cargo por medida administrativa do atual presidente do BC, Gabriel Galípolo. Desde ontem, porém, esse afastamento se dá por ordem judicial do ministro André Mendonça. 

A PF apurou que esses dois diretores do BC prestavam consultoria, provavelmente remunerada, ao próprio Banco Master. O absurdo dos absurdos. 

Esta coluna, assim como a torcida do Flamengo, não tem dúvida de que a prisão de Vorcaro produzirá novos fatos, os quais poderão redundar em novas descobertas a respeito de sua relação com a elite da estrutura administrativa e judicial do país. Vorcaro -- versão brasileira dessexuada do caso Epstein – é um arquivo vivo e extremamente tóxico.  

“Ele sabe de tudo e muito mais”, como disse à coluna um empresário industrial cearense, na opinião de quem ficará agora muito claro quem quer e quem não quer, nos três Poderes, o conhecimento da verdade sobre o Banco Master e suas ramificações com os poderosos da República.  

É neste ambiente virótico que o país e sua população caminham para a eleição geral de outubro deste ano. Antevê-se – como, aliás, já vem acontecendo – uma campanha eleitoral acirrada com tendência para a violência verbal não só em Brasília, onde as crises nascem, crescem e se atomizam país adentro, mas em toda a geografia nacional. 

Há um agravante: desta vez, o crime organizado mostrará a sua organização. Na Assembleia Legislativa do Ceará e de outros estados, ouvem-se nos gabinetes as mais incríveis informações a respeito de candidatos vinculados às facções. Tudo sob o pálio da democracia, que, para existir, deve ter instituições fortes que a protejam contra os ataques dos seus inimigos. Pergunta: será que as temos tão fortes no Brasil?   

Aguardemos o que a Polícia Federal dirá, em relatório, ao ministro André Mendonça sobre as novas investigações em torno do Banco Master. Em Brasília, na Praça dos Três Poderes, o clima é de temor. Daniel Vorcaro não é um preso qualquer. Ele é uma bomba atômica.  

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