O que esperar para a malha aérea regional do Nordeste em 2026 e 2027; veja por estado
Após o baque no setor aéreo em 2024 e 2025, com o acidente da Voepass e a crise e recuperação judicial da Azul Linhas Aéreas, os próximos dois anos (2026 e 2027) serão de virada para a aviação no Nordeste.
A mudança será puxada pelos investimentos em infraestrutura, companhias aéreas mais resilientes (e até novas companhias), aeronaves mais eficientes para os desafios regionais, incentivos governamentais e o crescimento da demanda por viagens aéreas.
Abaixo, leia as análises para cinco estados nordestinos nos próximos dois anos.
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Ceará
No Ceará, por exemplo, ainda em 2025, o Estado foi rápido e bancou o retorno do voo Fortaleza–Juazeiro do Norte, impedindo de uma vez por todas, assim esperamos, o hiato de voos para o Cariri.
O aeroporto de Cruz, porta de Jericoacoara, foi concedido à Fraport com a expectativa real de mudar de patamar em termos de instalações e atração de voos, com a "cereja do bolo" rondando um provável processo de internacionalização.
O aeroporto de Aracati foi concedido sem o mesmo glamour, mas para o grupo que controla o maior aeroporto do Brasil, o GRU Airport.
Não há dúvidas de que deverá ter requisitos básicos de conforto ajustados e não padecer de problemas de manutenção de estrutura. Diante desse cenário, poderemos ver, ainda em 2026 ou no início de 2027, a volta de voos comerciais relevantes diretos do Sudeste, como estima o Secretário de Turismo do Estado, Eduardo Bismarck.
Para não esquecermos de um aeroporto cearense que ainda deixa a desejar, o de Sobral, ressaltamos que o equipamento da região norte do estado deverá contar, no curto prazo, com uma estação meteorológica, sem a qual “nenhuma companhia realiza voos comerciais”, conforme nos informou uma fonte.
Com o aparelho, a previsibilidade do tempo e novos incentivos, Sobral, enfim, pode ganhar voos comerciais para o Sudeste.
Piauí
O Piauí implementou subvenção econômica e, nos moldes do voo Juazeiro-Fortaleza, montou um programa para atrair voos sobretudo para o interior do estado.
Povoou Parnaíba com voos da Latam para Fortaleza e, de maneira recente, já no início de 2026, a própria Gol confirma voos para São Raimundo Nonato e Parnaíba, através de incentivos recebidos como subvenção econômica e redução de ICMS sobre querosene de aviação.
Assim, os voos para as duas cidades do interior do Piauí tornam-se um dos casos mais felizes da retomada da aviação regional nordestina. Além disso, a capital Teresina, antes menos favorecida de voos no Nordeste, terá rotas da Gol para Salvador e Rio de Janeiro.
O Piauí sairá de um cenário com voos comerciais apenas na capital para três aeroportos operantes, mesma quantidade do Ceará, ainda que com diferença no volume de frequências.
Rio Grande do Norte
O Rio Grande do Norte, eterno “lanterna” da aviação regional nordestina, certamente terá um belo cenário para o retorno de voos comerciais. É que, novamente como no caso de Parnaíba, a atração de voos será lastreada em um aeroporto totalmente ampliado e qualificado: o de Mossoró.
Mossoró é uma das maiores cidades do Nordeste, mas passou 2024 e 2025 vivendo uma "gangorra" de cancelamentos e retomadas com Voepass e Azul, até que a região ficou novamente sem voos.
Em 2026, o cenário pode mudar definitivamente. Como já escrevemos, a obra dará "cara de aeroporto" ao equipamento que era tolerado até 2025 e, provavelmente, a Azul já prepara seu retorno para o primeiro semestre deste ano. Ainda, o governo do RN negocia com a Gol rotas para Salvador e Galeão.
Ainda, o governo do RN negocia com a Gol rotas para Salvador e Galeão, como fez a companhia aérea com o Piauí, pensando nos mesmos destinos para Teresina.
Paraíba
Campina Grande certamente foi a cidade mais impactada pela crise da Azul: não segurou as mais de 10 operações diárias da companhia e voltou para o patamar de pífias duas a quatro operações, mesma quantidade de 10 anos atrás.
A cidade parecia dar mostras do que seria o interior do Nordeste desenvolvido na aviação, mas um misto de passagens baratas demais e a crise da própria companhia refrearam o crescimento.
Para 2026, em contrapartida, a cidade enfim receberá operações diárias da Latam. Campina operará com as três companhias nacionais e terá a chance de provar seu valor, trazendo para o interior da Paraíba e de Pernambuco menos dependência de Recife e João Pessoa.
Além disso, o aeroporto de Patos foi reformado e poderá contar com voos de ATR doravante. O risco é o mesmo de Sobral: acumular "aniversários" de melhorias entregues sem operações expressivas.
Pernambuco
Em Pernambuco, uma vitória recente foi a instituição de voos diretos de Fernando de Noronha para o Sudeste: Latam e Gol voam diretamente para Guarulhos (SP), algo que a incorporação de aeronaves como o A320neo e o Boeing 737 MAX passou a permitir.
O aeroporto passou por melhorias após problemas no pátio. A Latam assumiu voos com aeronaves próprias na ilha após a crise da Voepass. O terminal, que tinha restrições para jatos desde 2022, passou por uma robusta ampliação de cerca de R$ 50 milhões.
Outro aeroporto pernambucano que terá relevantes melhorias é o de Caruaru. A acanhada estrutura, que atualmente é pequena como uma rodoviária, receberá R$ 130 milhões para aumentar a pista (de 1.800 para 2.250 metros) e o terminal de passageiros (para 6.000 m²).
Alagoas
Em 2026, deve-se ter finalmente o fim das obras do aeroporto Costa dos Corais (Maragogi), com investimentos superiores a R$ 300 milhões.
Com pista de 2.250 metros, o terminal tem potencial para levar o turista de qualquer lugar do Brasil direto para as praias alagoanas, descentralizando o turismo da capital.
O desafio será evitar que o equipamento seja "sombreado" por Maceió, dada a proximidade de 100 km, mas o potencial turístico da região indica um crescimento sustentável.
Bahia
O interior da Bahia, que abriga os aeroportos regionais mais movimentados (Porto Seguro e Ilhéus), vê investimentos em outras duas localidades:
- Feira de Santana: a cidade de 700 mil habitantes ampliou sua pista de 1.500 para 1.800 metros, podendo receber com segurança jatos como o A320 e o Embraer E2.
- Barreiras: a única com voos regulares no oeste baiano receberá um novo terminal de 2.200 m² e ampliação da pista para 1.950 metros.
Novos tempos
Como discutido, todos os estados do Nordeste "fizeram o dever de casa" na infraestrutura. Outro vetor de desenvolvimento para a aviação regional será a incorporação de aeronaves menores, ditas regionais, como fará a Latam.
Isso permitirá à companhia crescer em mercados menores e abrir novas bases, como Mossoró (RN). Esse movimento pode ser repetido pela Gol, seguindo a lógica de "aviões maiores e aviões menores".
A prática foi encorajada pelo governo federal, vinculando financiamentos do Fundo Nacional da Aviação Civil (FNAC) ao aumento de voos na região Nordeste.
*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.