O que esperar para a malha aérea regional do Nordeste em 2026 e 2027; veja por estado

Escrito por
Igor Pires igor.aer.ita@gmail.com
(Atualizado às 20:57)
Legenda: 2026 será o ano do recomeço da aviação regional no Nordeste.
Foto: Igor Pires.

​Após o baque no setor aéreo em 2024 e 2025, com o acidente da Voepass e a crise e recuperação judicial da Azul Linhas Aéreas, os próximos dois anos (2026 e 2027) serão de virada para a aviação no Nordeste.

​A mudança será puxada pelos investimentos em infraestrutura, companhias aéreas mais resilientes (e até novas companhias), aeronaves mais eficientes para os desafios regionais, incentivos governamentais e o crescimento da demanda por viagens aéreas.

Abaixo, leia as análises para cinco estados nordestinos nos próximos dois anos.

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Ceará

​No Ceará, por exemplo, ainda em 2025, o Estado foi rápido e bancou o retorno do voo Fortaleza–Juazeiro do Norte, impedindo de uma vez por todas, assim esperamos, o hiato de voos para o Cariri.

​O aeroporto de Cruz, porta de Jericoacoara, foi concedido à Fraport com a expectativa real de mudar de patamar em termos de instalações e atração de voos, com a "cereja do bolo" rondando um provável processo de internacionalização.

​O aeroporto de Aracati foi concedido sem o mesmo glamour, mas para o grupo que controla o maior aeroporto do Brasil, o GRU Airport.

Não há dúvidas de que deverá ter requisitos básicos de conforto ajustados e não padecer de problemas de manutenção de estrutura. Diante desse cenário, poderemos ver, ainda em 2026 ou no início de 2027, a volta de voos comerciais relevantes diretos do Sudeste, como estima o Secretário de Turismo do Estado, Eduardo Bismarck.

​Para não esquecermos de um aeroporto cearense que ainda deixa a desejar, o de Sobral, ressaltamos que o equipamento da região norte do estado deverá contar, no curto prazo, com uma estação meteorológica, sem a qual “nenhuma companhia realiza voos comerciais”, conforme nos informou uma fonte.

Com o aparelho, a previsibilidade do tempo e novos incentivos, Sobral, enfim, pode ganhar voos comerciais para o Sudeste.

​Piauí

​O Piauí implementou subvenção econômica e, nos moldes do voo Juazeiro-Fortaleza, montou um programa para atrair voos sobretudo para o interior do estado.

Povoou Parnaíba com voos da Latam para Fortaleza e, de maneira recente, já no início de 2026, a própria Gol confirma voos para São Raimundo Nonato e Parnaíba, através de incentivos recebidos como subvenção econômica e redução de ICMS sobre querosene de aviação.

​Assim, os voos para as duas cidades do interior do Piauí tornam-se um dos casos mais felizes da retomada da aviação regional nordestina. Além disso, a capital Teresina, antes menos favorecida de voos no Nordeste, terá rotas da Gol para Salvador e Rio de Janeiro.

O Piauí sairá de um cenário com voos comerciais apenas na capital para três aeroportos operantes, mesma quantidade do Ceará, ainda que com diferença no volume de frequências.

​Rio Grande do Norte

​O Rio Grande do Norte, eterno “lanterna” da aviação regional nordestina, certamente terá um belo cenário para o retorno de voos comerciais. É que, novamente como no caso de Parnaíba, a atração de voos será lastreada em um aeroporto totalmente ampliado e qualificado: o de Mossoró.

​Mossoró é uma das maiores cidades do Nordeste, mas passou 2024 e 2025 vivendo uma "gangorra" de cancelamentos e retomadas com Voepass e Azul, até que a região ficou novamente sem voos.

Em 2026, o cenário pode mudar definitivamente. Como já escrevemos, a obra dará "cara de aeroporto" ao equipamento que era tolerado até 2025 e, provavelmente, a Azul já prepara seu retorno para o primeiro semestre deste ano. Ainda, o governo do RN negocia com a Gol rotas para Salvador e Galeão.

Ainda, o governo do RN negocia com a Gol rotas para Salvador e Galeão, como fez a companhia aérea com o Piauí, pensando nos mesmos destinos para Teresina.

​Paraíba

​Campina Grande certamente foi a cidade mais impactada pela crise da Azul: não segurou as mais de 10 operações diárias da companhia e voltou para o patamar de pífias duas a quatro operações, mesma quantidade de 10 anos atrás.

A cidade parecia dar mostras do que seria o interior do Nordeste desenvolvido na aviação, mas um misto de passagens baratas demais e a crise da própria companhia refrearam o crescimento.

​Para 2026, em contrapartida, a cidade enfim receberá operações diárias da Latam. Campina operará com as três companhias nacionais e terá a chance de provar seu valor, trazendo para o interior da Paraíba e de Pernambuco menos dependência de Recife e João Pessoa.

Além disso, o aeroporto de Patos foi reformado e poderá contar com voos de ATR doravante. O risco é o mesmo de Sobral: acumular "aniversários" de melhorias entregues sem operações expressivas.

​Pernambuco

​Em Pernambuco, uma vitória recente foi a instituição de voos diretos de Fernando de Noronha para o Sudeste: Latam e Gol voam diretamente para Guarulhos (SP), algo que a incorporação de aeronaves como o A320neo e o Boeing 737 MAX passou a permitir.

​O aeroporto passou por melhorias após problemas no pátio. A Latam assumiu voos com aeronaves próprias na ilha após a crise da Voepass. O terminal, que tinha restrições para jatos desde 2022, passou por uma robusta ampliação de cerca de R$ 50 milhões.

Outro aeroporto pernambucano que terá relevantes melhorias é o de Caruaru. A acanhada estrutura, que atualmente é pequena como uma rodoviária, receberá R$ 130 milhões para aumentar a pista (de 1.800 para 2.250 metros) e o terminal de passageiros (para 6.000 m²).

​Alagoas

​Em 2026, deve-se ter finalmente o fim das obras do aeroporto Costa dos Corais (Maragogi), com investimentos superiores a R$ 300 milhões.

Com pista de 2.250 metros, o terminal tem potencial para levar o turista de qualquer lugar do Brasil direto para as praias alagoanas, descentralizando o turismo da capital.

O desafio será evitar que o equipamento seja "sombreado" por Maceió, dada a proximidade de 100 km, mas o potencial turístico da região indica um crescimento sustentável.

​Bahia

​O interior da Bahia, que abriga os aeroportos regionais mais movimentados (Porto Seguro e Ilhéus), vê investimentos em outras duas localidades:

  • ​Feira de Santana: a cidade de 700 mil habitantes ampliou sua pista de 1.500 para 1.800 metros, podendo receber com segurança jatos como o A320 e o Embraer E2.
  • ​Barreiras: a única com voos regulares no oeste baiano receberá um novo terminal de 2.200 m² e ampliação da pista para 1.950 metros. ​

Novos tempos

​Como discutido, todos os estados do Nordeste "fizeram o dever de casa" na infraestrutura. Outro vetor de desenvolvimento para a aviação regional será a incorporação de aeronaves menores, ditas regionais, como fará a Latam.

Isso permitirá à companhia crescer em mercados menores e abrir novas bases, como Mossoró (RN). Esse movimento pode ser repetido pela Gol, seguindo a lógica de "aviões maiores e aviões menores".

A prática foi encorajada pelo governo federal, vinculando financiamentos do Fundo Nacional da Aviação Civil (FNAC) ao aumento de voos na região Nordeste.

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor. 

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