Com expectativa de receber novos voos, qual o futuro do Aeroporto de Mossoró?

Escrito por
Igor Pires igor.aer.ita@gmail.com
Legenda: Aeroporto de Mossoró está em obras para receber melhorias estruturais.
Foto: Divulgação/Infraero.

O presidente da Empresa Potiguar de Promoção Turística S.A. (Emprotur-RN), Raoni Fernandes, disse à coluna que Mossoró vai retornar ao radar das companhias aéreas neste ano. 

Durante a Feira de Turismo de Madri, na Espanha, ele informou que negocia com a Gol novos voos para Salvador e Rio de Janeiro - Galeão.   

O presidente da Emprotur avalia que o eixo Mossoró–Rio faz sentido diante do mercado de óleo e gás da cidade, que abriga empresas nacionais e multinacionais com fluxo recorrente de executivos, técnicos e prestadores de serviço.  

Trata-se, portanto, de um perfil de demanda menos sensível a preço que pode se valer de tráfego corporativo. 

Esse interesse dialoga diretamente com o momento da própria Gol. O Galeão vem sendo reposicionado como um dos principais hubs da companhia, com fortalecimento da malha doméstica alimentadora e visão de longo prazo para reconectar o aeroporto à lógica de distribuição nacional e internacional. 

Exemplo desse fortalecimento do aeroporto carioca, conforme já publicamos, a Gol deseja trazer aeronaves de dois corredores para realizar voos internacionais de longo curso no aeroporto internacional: 

Ainda, a alternativa Mossoró–Salvador também aparece como movimento natural. Salvador é hoje o hub da Gol no Nordeste, e a companhia tem reforçado sua estratégia de conectar grandes cidades do interior diretamente à capital baiana. 

Além da já habitual ligação com Campina Grande, a Gol reconectou recentemente Petrolina a Salvador, sinalizando que voltou a apostar em mercados regionais fortes do interior. Mossoró se encaixa exatamente nesse perfil: é uma das maiores populações e economias do interior nordestino. 

Há ainda um elemento decisivo nessa equação: tributação. Segundo Raoni Fernandes, a Gol detém hoje o maior market share no Rio Grande do Norte, o que a coloca em posição privilegiada dentro da política estadual de incentivos. 

Com incremento de oferta, seja por novos voos regionais (futuramente)— como Mossoró —, seja pela abertura ou ampliação de voos internacionais, a companhia poderia reduzir significativamente — ou até zerar — sua alíquota de ICMS sobre o querosene de aviação. Em um setor em que o combustível representa uma das maiores parcelas do custo operacional, esse fator é determinante. 

À Coluna, a Gol informou que “avalia continuamente oportunidades de expandir sua malha aérea regional, nacional e internacional, conforme viabilidade econômica e de infraestrutura. Nesse sentido, é natural que a Companhia solicite informações sobre aeroportos. No momento, no entanto, não há planos da GOL para iniciar operações em Mossoró (RN). Novidades serão comunicadas oportunamente”. 

Obras aeroporto de Mossoró 

Um fator importante para emplacar, finalmente, a chegada de uma companhia com jatos médios como a Gol será a conclusão das obras do aeroporto Dix-Sept Rosado.  

Desde 2025 são realizados serviços como a implantação de sistemas PAPI (Indicadores de Aproximação de Precisão), que permitirão o uso do aeroporto por aeronaves a jato, ampliando a oferta de voos e destinos; a construção de uma nova Seção Contra Incêndio; além do recapeamento da pista de pouso, das pistas de táxi e do pátio de aeronaves. 

Ainda, uma das principais ações, será a entrega da importantíssima ampliação do terminal de passageiros. Já contamos como o terminal antigo mal acomodava os 70 passageiros de um turbo-hélice como o ATR-72. 

Retorno da Azul 

Paralelamente às conversas com a Gol, o governo do RN também trabalha com a expectativa do retorno dos voos da Azul para o hub de Recife.  

Essas operações foram descontinuadas ainda no primeiro semestre de 2025, durante a grande onda de reduções promovida pela companhia no Nordeste, que atingiu mercados regionais em estados como Maranhão, Piauí, Ceará e o próprio Rio Grande do Norte. 

Segundo informações colhidas na Fitur, a expectativa de data passada pela Azul ao Governo do RN para o retorno dos voos é de abril de 2026.  

Seria normal pensar em voos a Recife, um dos grandes hubs da companhia aérea. 

"A Azul informa que, como empresa competitiva, acompanha permanentemente as dinâmicas do mercado e avalia de forma contínua oportunidades de aprimoramento e expansão de sua malha aérea. Nesse contexto, a Companhia mantém tratativas com o governo e analisa a possibilidade de retomada dos voos.", disse à Coluna a companhia aérea. 

Como temos visto, o mercado de aviação comercial do Brasil tem crescido bastante e Mossoró não se pode dar ao luxo de não surfar essa onda novamente. 

Obras no aeroporto de Mossoró 

Segundo a Infraero, estatal administradora do aeroporto, “o presente contrato tem vigência até outubro de 2026 e segue mantido este cronograma final. Contudo, a fim de antecipar a entrega de benefícios à sociedade, a obra foi planejada para ser entregue em etapas, sendo a primeira neste primeiro semestre e a conclusão de todos os sistemas e escopo contratados em outubro de 2026”. 

A estatal informa que já estão concluídas as fundações, contrapiso, estrutura e boa parte da cobertura e instalações sanitárias. 

“Atualmente está em fase de fechamento externo (telhamento e vedação externa) para possibilitar a execução de trabalhos internos sem interferências decorrentes de intempéries climáticas. O percentual de conclusão é de cerca de 30%. A obra, ao final, vai ampliar a área do Aeroporto de Mossoró de 700m² para cerca de 3.000m², com conceito moderno, atendendo a critérios de acessibilidade e tornando possível a operação e o processamento de passageiros com mais conforto, em voos com maior número de assentos e também em voos simultâneos”. 

A Infraero informa ainda que com a conclusão das obras previstas para o Aeroporto de Mossoró, o Terminal passará a ser dotado de infraestrutura robusta, moderna e segura, para receber um mix mais amplo de aeronaves, estimulando e desenvolvimento da aviação não só em Mossoró, mas em toda região do oeste potiguar.  

“O objetivo é encurtar o tempo de deslocamento de passageiros e cargas, interligando a região de forma mais eficiente e segura com demais regiões do Brasil e do mundo”. 

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor. 

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