A poupança te paga 6%. O governo está pagando 15%. O que te falta?

Escrito por
Alberto Pompeu producaodiario@svm.com.br
Legenda: A poupança rende hoje 6,17% ao ano, enquanto o Tesouro Selic rende 15% ao ano. A diferença, em um ano, em R$ 5.000 aplicados, é de mais de R$ 440.
Foto: Yarrrrrbright/Shutterstock.

Seu Raimundo trabalhou 30 anos na construção civil. Economizou com dificuldade, nunca investiu. Guarda o dinheiro na poupança porque sempre achou que investimento era só para quem entendia de finanças.

No mês passado, a filha mostrou para ele que o dinheiro que estava rendendo 6,17% ao ano na caderneta poderia estar rendendo mais de 15% no Tesouro Selic. Ele ficou quieto por um tempo e disse apenas: esse dinheiro que eu perdi não volta mais.

Seu Raimundo está certo. E o momento que ele perdeu nos últimos anos ainda está disponível, mas por pouco tempo.

A taxa Selic está em 15% ao ano, o maior nível desde julho de 2006. O Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, confirmou oficialmente que vai iniciar os cortes na reunião de março.

O mercado financeiro, segundo o Boletim Focus divulgado nesta semana, projeta a Selic em 12,13% ao fim de 2026 e em 10,5% em 2027.

Traduzindo para o bolso do trabalhador nordestino: a janela de oportunidade mais generosa dos últimos 20 anos está se fechando. E ela vai fechar em março.

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O que muda quando a Selic cai

A taxa Selic é a referência de juros da economia brasileira. Quando ela está alta, quem empresta dinheiro ao governo recebe mais. Quando ela cai, essa remuneração diminui. O Tesouro Selic, o investimento mais seguro do país, é diretamente atrelado a essa taxa.

Hoje, com 15% ao ano, ele rende mais do que qualquer produto bancário de renda fixa tradicional, com liquidez diária e garantia do Tesouro Nacional.

Quando a Selic cair para 12%, essa rentabilidade cairá junto. Não é catástrofe, mas é menos. Quem está dentro do investimento antes da queda, no entanto, continua recebendo a taxa mais alta pelos títulos que já comprou. Por isso a antecipação faz sentido.

Como começar com pouco

O Tesouro Direto é um programa do governo federal que permite a qualquer cidadão comprar títulos públicos pelo celular, com valores a partir de R$ 30. Não precisa de gerente de banco, não precisa entender de bolsa de valores.

Primeiro passo: abrir uma conta em uma corretora ou banco digital credenciado. A maioria não cobra taxa de custódia para o Tesouro Selic. Segundo passo: acessar o aplicativo e escolher o Tesouro Selic. Terceiro passo: aplicar o valor que tiver disponível, mesmo que seja R$ 50. O investimento começa a render desde o primeiro dia.

A poupança rende hoje 6,17% ao ano. O Tesouro Selic rende 15% ao ano. A diferença, em um ano, em R$ 5.000 aplicados, é de mais de R$ 440. Em dez anos, considerando os juros compostos, essa diferença se transforma em patrimônio.

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A decisão de agora

O trabalhador nordestino historicamente ficou fora do mercado financeiro por falta de informação. A narrativa de que investimento é coisa de rico persiste, mesmo quando os dados mostram o contrário. Com R$ 30 é possível começar. Com disciplina mensal, é possível construir uma reserva real.

Seu Raimundo fez as contas depois que a filha mostrou os números. Abriu uma conta na corretora no mesmo dia. Disse que preferia perder um mês de rentabilidade do que chegar à aposentadoria com a mesma sensação que teve naquela tarde: a de que o dinheiro que poderia estar trabalhando por ele esteve parado por anos.

Março está chegando. A janela ainda está aberta.

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.

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