Uma conversa difícil, mas necessária: como envolver a família nas finanças

Escrito por
Alberto Pompeu producaodiario@svm.com.br
Legenda: Educação financeira é o presente mais valioso que você pode dar aos seus filhos em 2026
Foto: Shutterstock

Começamos 2026 com aquele ritual brasileiro bem conhecido: desembrulhar presentes, gastar o 13º salário e prometer que "este ano vai ser diferente". Mas enquanto visitava a família no interior do Ceará durante as festas, presenciei algo que me fez refletir profundamente sobre herança e educação.

Dona Francisca, aposentada de 68 anos, reuniu filhos e netos na sala. Em vez de distribuir dinheiro como costumava fazer, entregou a cada um uma caderneta de poupança com R$ 500 e um envelope. Dentro, uma carta explicando como aquele dinheiro poderia se multiplicar se investido com disciplina. "Não quero deixar só dinheiro quando eu partir. Quero deixar conhecimento", disse ela, emocionada.

Segundo pesquisa recente da Anbima, apenas 23% dos brasileiros conversam sobre finanças em família. No Nordeste, esse número cai para 18%. O resultado? Perpetuamos a cultura do imediatismo financeiro, onde gastar é mais natural que poupar, onde dívida é normalizada e investimento parece coisa de rico.

Veja também

A educação financeira não é sobre transformar crianças em especuladores precoces. É sobre ensinar que cada real tem um propósito, que trabalho gera fruto, que paciência constrói patrimônio. É mostrar que aquele brinquedo de R$ 200 hoje pode virar R$ 2.000 em dez anos se investido com sabedoria.

O trabalhador nordestino enfrenta desafios únicos: salários mais baixos, menos acesso a educação formal, economia mais informal. Justamente por isso, a educação financeira dentro de casa se torna ainda mais crucial. É a ferramenta que quebra ciclos de pobreza e abre portas que gerações anteriores nem sabiam que existiam.

Como começar? Simples: envolva seus filhos nas decisões financeiras da casa. Mostre a conta de luz, explique por que economizar água reduz gastos. Dê mesada e ensine a dividir em três potes: gastar, poupar e doar. Leve-os ao banco, abra uma conta conjunta, mostre como funciona um investimento. Transforme o mercadinho do bairro em sala de aula de comparação de preços.

Não precisa ser perfeito. Dona Francisca mesma confessou que passou décadas sem entender de investimentos. Mas decidiu que sua geração seria a última a viver na escuridão financeira. E hoje, aos 68 anos, estuda Tesouro Direto pelo celular para ensinar os netos.

O melhor presente que você pode dar aos seus filhos em 2026 não custa nada: é ensinar que dinheiro não é tabu, é ferramenta. Que prosperidade não é sorte, é disciplina. Que o futuro deles está sendo construído hoje, com cada conversa, cada exemplo, cada lição sobre o valor do trabalho e da paciência.

Comece hoje. Comece agora. A próxima geração do Nordeste agradecerá.

 
Assuntos Relacionados