Tinta inclusiva e interatividade digital na moda: conheça o potencial inovador da indústria do Ceará

Projetos estarão na Feira da Indústria Fiec.

Escrito por
Gabriela Custódio gabriela.custodio@svm.com.br
Imagem de uma tinta sendo fabricada.
Legenda: O setor químico apresentará uma a metodologia sensorial.
Foto: Shutterstock.

Como identificar cores por meio de outro sentido? Como saber se uma roupa lhe cai bem sem precisar tocá-la ou vesti-la? Foi partindo dessas questões que surgiram inovações como tintas aromatizadas, que traduzem cores para pessoas com deficiência visual, e tecnologias interativas aplicadas à moda. Com isso, a indústria cearense tem transformado pesquisas em produtos e experiências com potencial de impacto social e econômico.

​Um dos exemplos mencionados acima é a metodologia “Dr. Cor”, que será apresentada no estande do Sindicato das Indústrias Químicas do Estado (Sindiquímica) durante a Feira da Indústria. O evento, realizado pela Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), ocorre nos dias 9 e 10 de março, no Centro de Eventos do Ceará.

​Já no segmento de moda e vestuário, o Sindicato das Indústrias de Confecções e Vestuário do Estado (SindRoupas) apostará na interatividade com o provador tecnológico e um desfile imersivo.  

Setor químico na vanguarda da acessibilidade

A partir da inquietação sobre como ensinar cores a pessoas com deficiência visual e neurodivergentes, o químico cearense Josafá Rebouças criou a metodologia “Dr. Cor”, que se baseia na sinestesia olfativa, utilizando tintas aromatizadas para que esse público “perceba” as cores por meio do olfato.

Para isso, foi criada a paleta aromática das cores: o vermelho ganhou cheiro de morango; o amarelo, de maracujá; o laranja, de tangerina; e o lilás, de lavanda.

Com mais de 30 anos de experiência na produção de tintas, Rebouças é doutorando em Propriedade Intelectual e Inovação na Academia do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Em 2023, a metodologia foi aplicada ao projeto “Amigos do Lou”. O kit completo inclui as tintas aromáticas, o disco aromático das cores, telas que colam na mesa e até um mascote, um boneco batizado como Lou. Ele é feito em folhas emborrachadas de EVA, para não oferecer riscos a quem o manipula.

Com investimento proveniente majoritariamente de recursos próprios, o projeto tem um modelo de negócios que combina venda de kits, capacitação e certificação, licenciamento da tecnologia e parcerias com setor público e privado. Ele ainda realiza oficinas e palestras para difundir a metodologia.

Homem de terno azul claro e gravata colorida sorri enquanto segura um boneco estilizado de óculos escuros e jaqueta azul, sobre fundo verde.
Legenda: Josafá Rebouças, conhecido como Dr. Cor, e o boneco Lou.
Foto: Divulgação.

Josafá explica que o ecossistema do “Dr. Cor” possui pedidos de patente nacional e internacional, registros de marca, proteção de desenho industrial junto ao INPI e direitos autorais. “Parte já se encontra concedida e parte em trâmite internacional na estratégia de proteção escalonada”, afirma.

Com produção modular e escalável, atualmente a iniciativa atende projetos institucionais e demandas programadas, com possibilidade de ampliação conforme contratos de maior escala.

Para garantir padrão técnico e segurança no fornecimento, o químico conta que tem parceria com indústrias consolidadas, com anos de experiência na fabricação de pincéis, tintas, borracha EVA e fragrâncias.

“A tecnologia foi apresentada e aplicada em instituições educacionais, clínicas e centros especializados no Ceará e em outros estados, além de ter sido apresentada internacionalmente nos Estados Unidos e na Europa”, conta Josafá Rebouças.

Em fase de estruturação e expansão estratégica, o projeto ganhou o Prêmio LED — Luz na Educação, da Fundação Roberto Marinho e da TV Globo, e foi certificado pela Fundação Banco do Brasil como Tecnologia Social.

Atualmente, a iniciativa está concorrendo ao IV Prêmio Ibero-americano de Inovação e ODS, enquanto o criador concorre ao Prêmio Nacional de Inovação, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), na categoria Pesquisador Empreendedor.

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O futuro da moda no Ceará

Outra entidade que vai estar presente na Feira da Indústria Fiec é o Sindicato das Indústrias de Confecções e Vestuário do Estado do Ceará (SindRoupas). Em entrevista à Verdinha FM 92.5, o presidente do SindRoupas, Paulo Rabelo, falou sobre inovações do setor que serão apresentadas na feira.

O evento vai contar com a arena “Fiec Moda Conecta”, que terá uma programação especial de desfiles, com line-up composto por estilistas como Ivanildo Nunes, Lindebergue, Silvania de Deus e Kallil Nepomuceno, além de marcas como Corpo Malhado, Handara, Senai, Chica Fulô e Pena, entre outras.

A feira vai estrear uma sala imersiva exclusiva para os desfiles, com capacidade para até mil pessoas e recursos tecnológicos “que colocam o público na experiência”. “É a primeira vez aqui no Ceará que vai acontecer essa imersão. As pessoas vão estar se sentindo realmente no desfile”, afirmou o presidente do SindRoupas.

Além disso, após o desfile, o público vai poder “vestir” as peças virtualmente. “As pessoas vão poder, pelo celular, vestir a roupa, escolher a mais bonita e ver como vai ficar”, conta. Serão disponibilizados totens pelo evento para experimentar os looks.

No stand do SindRoupas, também será apresentada uma “mini fábrica” para mostrar aos visitantes as etapas da produção do vestuário, com corte, costura e “até um shopping”.

Segundo Rabelo, a presença massiva do setor na feira se dá pelo entendimento de que a moda transpassa por vários setores produtivos. O objetivo, de acordo com ele, é “contar a indústria cearense através da roupa”, mostrando tanto para lojistas quanto para o consumidor final as etapas que compõem a cadeia produtiva do Estado.

“O Ceará tem uma cadeia completa, do agronegócio ao produto final da confecção. Temos uma das maiores fábricas do mundo de jeans, e pouca gente sabe disso. Essa feira vai dizer para as pessoas o quão importante é o Ceará em relação a isso”, conta.

Comentando sobre as possibilidades de aliar moda e tecnologia, o presidente do SindRoupas destaca o conceito de “figital” — ou “phygital” —, uma fusão dos mundos físico e digital. O provador virtual é um exemplo dessa estratégia, assim como o uso de reconhecimento facial para identificar clientes e oferecer sugestões personalizadas de produtos.

“A tecnologia embarcada na moda está muito grande. Vemos roupas que não molham, que esfriam. Na fábrica, nós temos um tecido que resfria até 10º C em relação ao ambiente. Isso é tecnologia, nanotecnologia embarcada na moda. Protetor solar, repelente, antichamas, todas essas tecnologias estão presentes na moda”, explica.

Projetos cearenses como o “Dr. Cor” e os provadores imersivos mostram como a indústria do Ceará transforma inovação tecnológica, parcerias e propriedade intelectual em inclusão e desenvolvimento econômico.

Serviço

Evento: Feira da Indústria Fiec
Data: 9 e 10 de março
Local: Centro de Eventos do Ceará (Av. Washington Soares, 999 - Edson Queiroz)
Inscrições: Gratuitas, pelo site

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