Casos de gripe aumentam no Ceará; Grande Fortaleza lidera registros
Entenda o que está causando o crescimento nas infecções e quem pode estar mais vulnerável.
O Ceará enfrenta uma alta nos atendimentos médicos motivada pelo aumento de casos de síndrome gripal. Segundo a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), as infecções têm se concentrado nos municípios da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e são causadas, principalmente, pela influenza A (H3N2).
Ao Diário do Nordeste, o secretário-executivo de Vigilância em Saúde, o médico epidemiologista Antonio Silva Lima Neto, conhecido como Tanta, detalha que, apesar de a transmissão estar concentrada na região, é possível haver uma dispersão geográfica para as demais localidades do Estado.
A Região Metropolitana de Fortaleza ainda tem, realmente, uma dominância bem importante. Agora, você sabe como é, vírus respiratório, ele anda, e anda para outras regiões, não tem como."
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O gestor da Sesa destaca que o cenário epidemiológico não é de pânico, já que o vírus H3N2 é um antigo conhecido do sistema de saúde cearense e costuma causar surtos sazonais de gripe. No entanto, o aumento de casos acabou chegando mais cedo que o comum em 2026.
Refletindo esse cenário, Fortaleza acumula 7.616 atendimentos por síndrome gripal em unidades de pronto atendimento (UPAs) desde janeiro — quantidade 28,7% superior ao mesmo período do ano passado, quando houve 5.914 assistências —, conforme dados da plataforma IntegraSUS.
Os números de acolhimentos começaram a crescer em 9 de fevereiro, aumentando significativamente a partir do dia 17, terça-feira de Carnaval, e atingindo um pico de 338 atendimentos somente no dia 24 de fevereiro. No dia 1º de março, a média na Capital era de 226 assistências por dia. Há um ano, o número era 143, cerca de 58% menor que o atual.
Aumento pode ser causado pela gripe K
O secretário Tanta aponta que a antecipação pode estar sendo provocada por uma variante da influenza A, conhecida como subclado K ou gripe K.
Pelo menos três casos dessa variante foram registrados no Ceará em 2026, sendo dois em Caucaia e um em Fortaleza. As informações foram divulgadas em nota técnica da Sesa e noticiadas pelo Diário do Nordeste na última terça-feira (3).
Segundo o documento da Sesa, publicado no dia 22 de fevereiro, 11 amostras foram coletadas para análise no período. Dessas, oito amostras eram do subtipo A (H3N2), sendo três do subclado K.
A antecipação pode estar relacionada com esse isolamento do subclado K. [...] Todos os casos em que conseguimos isolar o subtipo da influenza que está circulando, chama-se H3 sazonal, que é um subtipo clássico de influenza sazonal que já ocorre há décadas."
Também chamada de J.2.4.1, a cepa chegou ao Brasil em dezembro, após também adiantar a temporada de resfriados na Europa e na Ásia, motivando um alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a possibilidade de o cenário se repetir em outras partes do globo.
Por se tratar de uma nova variante, o potencial de transmissão é elevado, o que pode impulsionar o número de infecções. Porém, o epidemiologista ressalta que isso não se traduz em mais virulência (gravidade). Além disso, a vacina da gripe disponível já oferece proteção eficaz contra a nova cepa.
Na nota técnica, a Sesa informa que o H3N2 apresenta uma taxa de mutação historicamente mais acelerada que o H1N1, levando à formação frequente de novos clados, sendo o subclado k um exemplo.
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Crianças e jovens lideram atendimentos por gripe na Capital
Ao Diário do Nordeste, Tanta ressalta que o monitoramento da Sesa foca na evolução dos quadros clínicos, priorizando grupos de maior risco — idosos, gestantes e crianças "abaixo dos 5 anos, em especial as abaixo de 2 anos". "São esses grupos que merecem a maior atenção e o maior cuidado no manejo clínico cotidiano", pontua o secretário.
O alerta coincide com os dados de Fortaleza, onde a assistência por síndrome gripal se concentra em jovens (20 a 29 anos) e crianças de até 4 anos, conforme a plataforma IntegraSUS.
Quais os sintomas da síndrome gripal?
Para auxiliar na identificação dos casos, o Ministério da Saúde define a síndrome gripal como um quadro respiratório agudo, caracterizado por ao menos dois dos seguintes sintomas:
- Febre;
- Calafrios;
- Tosse;
- Dor de garganta;
- Dor de cabeça;
- Coriza;
- Alterações no olfato ou paladar (distúrbios gustativos).
O diagnóstico em crianças pode apresentar, adicionalmente, obstrução nasal. No caso dos idosos, o Ministério da Saúde alerta para sinais de agravamento que vão além dos respiratórios, incluindo confusão mental, sonolência excessiva, síncope, irritabilidade e falta de apetite.