Casarão histórico desaba no Centro de Maranguape após embargo de obra de demolição
Imóvel foi tombado em 2003, mas proprietários conseguiram decisão judicial para destombamento.
Um casarão histórico desabou no Centro da cidade de Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, na noite da última terça-feira (10). Segundo informações da prefeitura municipal, ninguém ficou ferido durante o incidente.
O espaço, datado do século XIX, conhecido como Solar dos Motta, era objeto de um imbróglio entre a Prefeitura de Maranguape e os atuais proprietários. Em 2003, a edificação foi tombada após reconhecimento de lei municipal pelo relevante valor histórico e cultural, mas teve a retirada da proteção patrimonial aprovada em decisão da Justiça após solicitação dos donos.
Em 2026, segundo nota oficial da Prefeitura de Maranguape, os proprietários solicitaram à gestão municipal um alvará para a demolição do prédio. A autorização, no entanto, não foi concedida.
A gestão municipal alega que, mesmo sem a permissão devida, a retirada das telhas do imóvel teria sido iniciada. "Diante da irregularidade, a prefeitura notificou os responsáveis e embargou imediatamente a obra", apontou o comunicado.
Ainda conforme a prefeitura, a fiscalização municipal acompanhava o caso e já havia identificado a ausência de risco iminente de desabamento. "Diante do ocorrido nesta madrugada, que causou surpresa à gestão, a equipe técnica foi deslocada de imediato para isolar a área e garantir a segurança do entorno", continua a nota.
O proprietário do casarão teria sido notificado após o desabamento, enquanto a Prefeitura de Maranguape afirma que deve "exigir esclarecimentos formais sobre as circunstâncias" do ocorrido.
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"O município reafirma seu compromisso com a preservação do patrimônio histórico e cultural, com a segurança dos habitantes e com a apuração rigorosa dos fatos", finalizou a nota oficial.
Casarão teve múltiplos usos
Conforme imagens do Google Maps, o casarão foi ocupado pela Guarda Municipal de Maranguape até o ano de 2015. Em seguida, foi disponibilizado para aluguel e, atualmente, não possuía nenhum vínculo com a prefeitura.
Também havia sido utilizado como estacionamento privativo, além de comércio para venda de alimentos. As imagens também revelam que a calçada do casarão foi usada por muitos anos como espaço para ocupação de ambulantes.
O Diário do Nordeste contatou a imobiliária responsável pela edificação, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.