Após a situação de abandono e o risco de desabamento da escultura da Sagrada Família serem denunciados pelo Diário do Nordeste, a Prefeitura de Fortaleza deu início a uma série de intervenções emergenciais no prédio da antiga Escola Jesus, Maria e José, no Centro.
As ações, coordenadas pelas secretarias de Infraestrutura (Seinf) e da Cultura (Secultfor), começaram ainda na quinta-feira (13), com o objetivo de garantir a estabilidade da estrutura centenária, segundo nota enviada à reportagem nessa sexta (14).
O cenário atual do imóvel é considerado crítico, apresentando vegetação interna, paredes deterioradas e portas e janelas vedadas com tijolos. A escultura da fachada sofre com corrosão severa e oxidação.
Além disso, um trecho do muro na Rua Visconde de Sabóia estava caído. Segundo a Prefeitura, o equipamento "já se encontrava demolido, não tendo a demolição ocorrido em decorrência da ação iniciada nesta quinta-feira".
A nota oficial do Município confirmou a instalação de tapumes, escoras e a retirada preventiva da estátua. O destino da imagem não foi informado.
Embora a propriedade pertença à Arquidiocese de Fortaleza, o imóvel está sob posse da Prefeitura desde 2007, por meio de um contrato de comodato, que responsabiliza o poder público por sua manutenção.
A intervenção ocorre em um momento de pressão jurídica: o Ministério Público do Ceará (MPCE) cobra multas que somam mais de R$ 22,9 milhões pelo descumprimento de decisões judiciais anteriores que determinavam a recuperação do espaço.
Atualmente, um Grupo de Trabalho tem o prazo de 120 dias para apresentar um plano definitivo de uso e restauro para o prédio.
Escola teve múltiplos usos
Construída entre 1902 e 1905, a edificação carrega uma importância histórica que vai além da arquitetura eclética de sua fachada.
A instituição surgiu com uma forte missão social, voltada para o acolhimento de crianças em situação de vulnerabilidade e filhos de retirantes das secas que chegavam à capital no início do século XX.
O prédio funcionou como unidade de ensino até 1920. Após esse período, o espaço assumiu novas funções, abrigando um cinema paroquial entre as décadas de 1920 e 1940, além de servir a atividades ligadas à Igreja do Pequeno Grande e à Sociedade Vicentina.
Mais recentemente, o imóvel enfrentou episódios de ocupação por famílias, o que acentuou o desgaste da estrutura que agora tenta ser preservada.