Cearense está preso há 15 dias na Islândia após protesto contra a caça às baleias

Rui Amorin é médico de bordo e participava de uma missão internacional da Captain Paul Watson Foundation.

Escrito por Renato Bezerra renato.bezerra@svm.com.br
14 de Agosto de 2026 - 12:34 (Atualizado às 12:35)
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Legenda: Rui Amorim e mais três brasileiros permanecem sob custódia das autoridades islandesas.
Foto: Divulgação Captain Paul Watson Foundation.

O médico cearense Rui Amorin, de 52 anos, está detido há cerca de 15 dias na Islândia após a Guarda Costeira do país abordar um návio de ativistas que atuava contra a caça às baleias. Desde então, ele segue impedido de retornar ao Brasil. 

No último dia 30 de julho, Rui e mais 20 ativistas de 11 países foram detidos à bordo do navio M/Y Bandero, da Captain Paul Watson, enquanto participavam da campanha internacional 86, missão pacífica contra a caça comercial de baleias-fin (Balaenoptera physalus) no país. 

Segundo a Sea Shepherd Brasil, organização sem fins lucrativos de proteção à vida marinha, essa abordagem aconteceu após uma embarcação auxiliar do Bandero tentar interceptar a atividade de um navio baleeiro. Em resposta ao ato, a Guarda Costeira islandesa enviou helicópteros, drones, um navio-patrulha, e demais embarcações menores. 

Ainda conforme a ONG, agentes armados embarcaram no Bandero no momento em que a embarcação já navegava em águas internacionais, além do limite territorial de 12 milhas náuticas da Islândia. Agentes armados embarcaram no navio, assumiram o controle e o conduziram até Reykjavík, capital da Islândia. 

Desde o dia da apreensão, seis ativistas permanecem sob custódia das autoridades islandesas, sendo quatro brasileiros, um australiano, e um trinitário-tobagense. Os demais tripulantes já retornaram aos seus países. 

Os quatro brasileiros que fazem parte da missão são:

  • Lucas Barbosa, 28 anos, cozinheiro, de Craíbas (AL);
  • Vitor Young, 32 anos, contramestre, de Santos (SP);
  • Victor Calixto, 23 anos, marinheiro de convés, de Ilhabela (SP);
  • Rui Amorim, 52 anos, médico de bordo, cearense, residente em Ribeirão Pires (SP).

Navio M/Y Bandero participava da campanha internacional 86, missão pacífica contra a caça comercial de baleias-fin.
Legenda: Navio M/Y Bandero participava da campanha internacional 86, missão pacífica contra a caça comercial de baleias-fin.
Foto: Diego Baravelli / Captain Paul Watson Foundation

Espera pelo retorno

Em entrevista ao Diário do Nordeste concedida pelas redes sociais, Rui Amorin relatou o cansaço pela falta de respostas das autoridades, afirmando ainda não ter estimativa de retorno ao Brasil. Natural de Fortaleza, ele mora há mais de 40 anos no ABC Paulista, onde esposa e filhos o aguardam. 

Segundo ele, a última comunicação oficial com o grupo ocorreu há dois dias, quando foram anuncias as últimas deportações. "A polícia de imigração envia mensagem para o e-mail do navio avisando quem e quando sera a próxima deportação, mas até agora nada", disse. 

O médico de bordo da Captain Paul Watson afirma ainda que todos os detidos tiveram os celulares e passaportes apreendidos, e a única comunicação com familiares e amigos se dá pelas redes sociais, por meio dos computadores pessoais.

Enquanto aguardam, os ativistas dormem e fazem as refeições no próprio navio e precisam se apresentar no departamento de polícia todos os dias. O grupo tem permissão para sair da embarcação, mas não podem deixar a cidade de Reykjavík. 

"Espero poder retornar o mais rápido possível. Tudo que estou fazendo e o objetivo é parar com a caça comercial das baleias Fin, que é a segunda maior do mundo", acrescentou Rui. 

Pedido ao STJ

Na última quarta-feira (12), a Sea Shepherd Brasil protocolou no Superior Tribunal de Justiça (STJ) um Mandado de Segurança com pedido de liminar após apontar omissão do governo brasileiro na adoção de medidas diplomáticas e consulares para solucionar a situação dos brasileiros detidos. 

Segundo a organização, o protocolo foi tomado após sucessivas solicitações feitas ao Ministério das Relações Exteriores desde o dia 31 de julho.

O Diário do Nordeste entrou em contato com as autoridades brasileiras e aguarda retorno.

No Mandado de Segurança, a Sea Shepherd Brasil pede que o STJ determine a adoção de providências concretas por parte da pasta. Entre elas, estão a apresentação das medidas já adotadas; contato consular com os brasileiros; verificação de suas condições, situação migratória, comunicação com familiares e assistência jurídica. 

O documento também pede gestões junto às autoridades islandesas para esclarecer e buscar soluções para os procedimentos que ainda impedem o retorno do grupo ao Brasil.

"A Sea Shepherd Brasil ressalta que a ação não pretende interferir na soberania da Islândia nem exigir do Governo Brasileiro um resultado que dependa exclusivamente das autoridades islandesas. O objetivo é que o Estado brasileiro utilize de forma efetiva os instrumentos diplomáticos e consulares que estão sob sua responsabilidade para proteger seus cidadãos e atuar por uma solução para seu retorno", diz a organização. 

 

 

 

 

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