Em cinco meses, 159 crianças e adolescentes foram resgatadas de trabalho infantil no CE
Três adolescentes morreram durante o exercício de atividades laborais em 2026.
Somente nos cinco primeiros meses de 2026, 159 crianças e adolescentes foram resgatadas da condição de trabalho infantil no Ceará. O total representa 86,4% dos casos identificados durante todo o ano de 2025, com 184 ocorrências registradas.
Os dados constam no balanço parcial divulgado pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Ceará (SRT-CE) em alusão ao Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, celebrado nesta sexta-feira (12). O levantamento mostra ainda que, nos últimos cinco anos, os auditores fiscais do trabalho no Ceará resgataram 974 crianças e adolescentes nessa condição.
Segundo esclarece Daniel Arêa, coordenador regional de combate ao trabalho infantil do Ministério do Trabalho e Emprego, o alcance dos números se dá pelo trabalho de fiscalização, que atualmente alcança 25 municípios cearenses, assim como o aumento das denúncias recebidas pelo SRT-CE.
Isso decorre do aperfeiçoamento das técnicas de fiscalização, da própria consciência da sociedade, o trabalho da mídia tradicional que facilita a informação, e também a conscientização das próprias crianças e adolescentes, que já estão sabendo dos direitos delas. Todo esse conjunto de coisas faz com que as denúncias aumentem"
Fortaleza, por exemplo, concentra o maior número de crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos encontradas em situação de trabalho irregular em 2026, com 40% dos casos, conforme o levantamento. Tianguá aparece na sequência, com 22% dos casos, seguido por Caucaia (7%), Maracanaú (5%) e Aracati (4%).
A fiscalização também identificou nove casos de trabalho infantil realizados no período noturno, entre 20h e 5h, prática proibida pela legislação brasileira.
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Mortes em atividades de risco
Entre as atividades identificadas pelos auditores estão a suinocultura na zona rural, trabalho em olarias, coleta de materiais recicláveis, entregas com motocicleta, operação de fornos, serviços de babá e atuação como barman, sendo esta última uma das principais identificadas.
"O que predomina bastante é a venda de bebida alcoolicas, um dos setores econômicos que é muito pulverizado. São restaurantes e lanchonetes que vendem bebida alcoólica, onde muitos trabalham como garçons" destacou Daniel Arêa.
As ocupações identificadas integram a Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP), que reúne atividades com elevado risco de acidentes, lesões graves e exposição a agentes químicos e tóxicos.
Em um dos casos, um adolescente de 15 anos sofreu um acidente que resultou em invalidez permanente.
Assistência
Após o afastamento das crianças e adolescentes encontrados nessa situação, os auditores fiscais do Trabalho promovem seu encaminhamento à rede de proteção social. O objetivo é garantir que os jovens tenha acesso à educação, a programas sociais e ao acompanhamento necessário para sua proteção integral.
Muitas dessas crianças, acrescenta Daniel, são oriundas de famílias pobres, e o contexto social em que estão inseridas também é investigado. "A gente faz um levantamento dos dados, para saber onde mora, onde estuda, e encaminha para o órgão municipal de assistência social para identificar a fundo o que está se passando na família daquela criança, para a partir daí poder inserir em programas sociais", disse.
Ainda conforme o auditor, para adolescentes a partir de 14 anos encontrados nessas condições, também é assegurado o acesso a programas de aprendizagem profissional.
Durante as operações, a fiscalização também busca garantir o pagamento das verbas trabalhistas e o registro formal da relação de trabalho, quando cabível. Nos casos permitidos pela legislação, os adolescentes são mantidos em atividades compatíveis com sua faixa etária, em ambientes seguros e em condições que não comprometam sua saúde, desenvolvimento ou frequência escolar.
Como denunciar?
As denúncias de trabalho infantil podem ser feitas através site do Ministério do Trabalho e Emprego ou pessoalmente na sede da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Ceará, que fica Rua Barão de Aracati, nº 909, no bairro Aldeota.