Decorar ruas para a Copa do Mundo transforma lugares de passagem em espaços de encontro

Do Pirambu ao Castelo Encantado, endereços deixam como principal legado da Copa reforçar vínculo entre vizinhos

Escrito por
Diego Barbosa diego.barbosa@svm.com.br
Na imagem, vista aérea vertical de uma rua estreita em uma comunidade densamente povoada. O chão da rua está pintado com o as frases:
Legenda: Vista aérea da rua Santa Inês, no Pirambu, totalmente decorada para a Copa do Mundo 2026.
Foto: Ismael Soares.

O menino que parou o racha para pintar o asfalto de amarelo. A dona de casa que comprou bandeira e a estampou no portão de entrada. A idosa em dedicação madrugada adentro enfileirando bandeirinhas em fio de barbante. A Copa do Mundo é no pé, mas feita por muitas mãos. Ruas, avenidas, comunidades e bairros inteiros parecem evocar outro tipo de torcida: aquela construída na coletividade, no vínculo fortalecido entre os pares.

Tingir endereços de verde e amarelo, no fim das contas, parece pretexto para reforçar elos. Ou vê-los nascer. “A gente brinca dizendo que é a época da união. Até quem não se fala na rua passa a trocar uma ideia na hora de decorar”, conta Gleisiane Rodrigues. Foi o que aconteceu neste ano no Pirambu, em Fortaleza, lugar de morada da influenciadora digital.

Há exatamente um mês antes do primeiro jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo 2026, realizado neste sábado (13), uma das ruas mais famosas do bairro, a Santa Inês, se mobilizou para revitalizar a belíssima tradição gestada de quatro em quatro anos. Se, no começo, conforme Gleisiane, havia certo desânimo em decorar o local, bastou o pai dela, líder comunitário da comunidade, comprar galões de tinta, para todo mundo cair no gosto de novo.

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“Na hora que um precisava de pincel, outro vinha para ajudar. Teve dia que amarramos e colocamos bandeirinha até umas 2h da manhã. Todo mundo se uniu, foi uma corrente, realmente. Quanto mais pessoas pudessem ajudar, melhor. Eram muitos desenhos e detalhes, poderia ficar cansativo, e só podíamos terminar logo se todos chegassem junto”.

A força-tarefa deu resultado: em 15 dias, o que era paisagem desgastada virou tonalidade viva. Três quarteirões totalmente decorados, do chão ao céu. Imagens aéreas dão conta da dimensão, e revelam a força do esforço coletivo, capaz de inspirar até quem não mora na rua ou que, porventura, fez resistência em colaborar no início do processo, mediante cota de R$ 10 por pessoa. “Acho que a consciência deles pesou ao ver tudo tão lindo”, brinca Gleisiane.

Na imagem, fotografia colorida ao ar livre de um grupo de cerca de doze pessoas de várias idades — crianças, jovens e adultos — reunidas e sorridentes em uma calçada ou praça pintada de verde e amarelo. A maioria delas veste camisas da seleção brasileira de futebol ou roupas nas cores amarela, verde e azul. No centro, algumas pessoas seguram aberta uma grande bandeira do Brasil. À direita, uma menina ajoelhada em primeiro plano segura um balão amarelo com a bandeira do Brasil estampada e acena para a câmera. Ao fundo, há um muro branco com grafites e desenhos estilizados de jogadores de futebol com traços em azul e verde, além da palavra
Legenda: Parte dos moradores da rua Santa Inês, no Pirambu, responsáveis pela decoração do endereço.
Foto: Ismael Soares.

Foram de 30 a 40 pessoas ajudando, entre crianças, adolescentes, adultos e até idosos. Lembro que, na Copa do 7 a 1, tava uma festa linda, com cadeira, mesa e tudo no meio da rua. E, aí, veio aquele resultado. Mesmo assim, nessa Copa a gente quis decorar tudo de novo. É realmente um investimento, muito trabalhoso. Pintamos no sol e, às vezes, quando terminávamos, vinha uma chuva. Tem que ser brasileiro mesmo pra aceitar o desafio”.

Futebol como construção da identidade

Há justificativa para tamanha movimentação: no Brasil, o futebol se entrelaça com a construção histórica do imaginário e da identidade do que significa ser brasileiro. Em um país tão vasto e culturalmente diverso, o reconhecimento internacional do País como uma das potências futebolísticas desde 1958 – quando do primeiro título mundial no esporte – contribui para nos tirar do que Nelson Rodrigues chamava de “complexo de vira-lata”.

Na imagem, fotografia colorida em plano médio que destaca duas crianças vestindo a camisa amarela da seleção brasileira de futebol. No centro da imagem, um menino sorri diretamente para a câmera, com a mão esquerda próxima ao peito. À direita, em primeiro plano, aparece a metade do corpo de outro menino, ligeiramente desfocado, também usando a camisa da seleção. Ao fundo, com foco suave, uma mulher com blusa amarela e shorts jeans caminha segurando uma bandeira verde ao lado de outra pessoa. O cenário é uma rua residencial ao ar livre em um dia ensolarado, com casas simples ao fundo.
Legenda: Para pesquisador, futebol se entrelaça com a construção histórica do imaginário e da identidade do que significa ser brasileiro.
Foto: Ismael Soares.

A explicação é do sociólogo Leonardo Vasconcelos, professor adjunto do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Ceará (Uece). O complexo citado pelo estudioso diz respeito ao sentimento de inferioridade construído frente ao discurso colonialista de que países situados na periferia do capitalismo e racialmente miscigenados são menos capazes que nações mais centrais. 

Nesse sentido, segundo o antropólogo Roberto Da Matta, o futebol, assim como o carnaval, promove, mesmo que temporariamente, a suspensão dessa identidade periférica, colocando os celebrantes –  no caso, nós – no palco principal do esporte e da festa

Na imagem, fotografia colorida ao nível da rua mostrando uma via residencial decorada para a Copa do Mundo sob a luz forte do sol. O asfalto está pintado com desenhos em tons de verde, amarelo e azul, e as sombras marcantes das bandeirinhas juninas penduradas no alto cobrem grande parte do chão em primeiro plano. À esquerda, um carro preto está estacionado de costas. Ao longo da rua, algumas pessoas caminham e conversam, e à direita, em primeiro plano, um grupo de crianças pequenas anda pela calçada na sombra. As casas nas laterais variam entre fachadas de tijolo e azulejos claros, sob um céu azul e limpo.
Legenda: Vínculo coletivo proporcionou decoração de rua no Pirambu.
Foto: Ismael Soares.

“As identidades culturais são uma espécie de costura entre as imagens públicas individuais e coletivas. Megaeventos como a Copa do Mundo ou as Olimpíadas são oportunidade para que esse jogo de construção de identidades culturais se dê a partir de uma audiência global”, diz Leonardo. Ou seja, a idéia de nação ou da imagem que ela representa se dá no confronto com outras nações do mundo, sendo o esporte, neste momento, um dos principais palcos dessa construção de discursos identitários nacionais.

“A idéia de ‘pátria de chuteiras’ tão consolidada no País em copas mobiliza as pessoas justamente por que é um evento de audiência global onde o Brasil se destaca historicamente como o maior vencedor. E isso é algo que mobiliza organizações sociais e indivíduos nelas inseridos, no sentido de exaltar e valorizar essa imagem pública”.

Por que a periferia se empenha mais em decorar ruas

Há outro ponto importante a considerar quando o assunto é decorar ruas para a Copa do Mundo: esse empenho ocorre, sobretudo, na periferia das cidades, e em Fortaleza não é diferente. No Pirambu mesmo, além de todo o trabalho na já citada rua Santa Inês, haverá churrasco, cerveja e telão para acompanhamento coletivo da transmissão dos jogos do Brasil. 

“Se Deus quiser, vamos comemorar muito porque também terá som automotivo. Nos organizamos pra deixar a festa bem linda. Até quem não gosta de futebol, na Copa se joga e se engaja”, gargalha Gleisiane. “Espero que venha um bom resultado. É tão cansativo, tão trabalhoso, o pessoal se dedicou tanto… Vamos ficar na torcida”.
Gleisiane Rodrigues
Influenciadora digital

Para Leonardo Vasconcelos, a coesão social dos bairros periféricos na Capital é estruturada pela co-dependência dos cidadãos frente às celebrações e às lutas diárias que a população tem em comum – seja a partir de celebrações religiosas ou de pagãs, como o carnaval; na busca por melhorias em infraestrutura urbana; ou na luta por moradia digna.

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“Essa unidade comunitária é incentivada a partir desses momentos. De outro lado, nos bairros mais ricos da cidade, é hegemônica a perspectiva individualista. A convivência comunitária pontual se dá em espaços exclusivos, como condomínios fechados, onde essas demonstrações coletivas muitas vezes ocorrem. Nesse sentido, não é que as elites não se manifestem em relação ao ‘espírito da Copa’. O que ocorre é que tais celebrações de identidade se dão em espaços mais exclusivos”, observa.

Na imagem, fotografia colorida com ângulo levemente inclinado (plongée) mostrando um grupo de cerca de dez pessoas reunidas em círculo em uma rua, segurando juntas uma grande bandeira do Brasil aberta horizontalmente no centro. O grupo é composto por homens, mulheres e crianças sorridentes, a maioria vestindo roupas em tons de amarelo, verde e azul. À esquerda, em primeiro plano, uma mulher de vestido azul sorri olhando para o grupo; à direita, uma menina de costas com blusa amarela segura uma das pontas da bandeira. Ao fundo, o asfalto da rua exibe pinturas em tons de azul e amarelo, e um muro à esquerda traz um grafite estilizado com o brasão da seleção brasileira e o desenho do
Legenda: Segundo sociólogo, unidade comunitária é incentivada em bairros da periferia das cidades a partir de momentos como a Copa.
Foto: Ismael Soares.

Entre os bairros mais famosos na iniciativa de decorar espaços para a Copa, na visão do pesquisador, estão Pirambu, Conjunto Ceará, Carlito Pamplona, entre outros do mesmo perfil, nos quais a preparação para o jogo e para a festa nos dias de partidas do Brasil se transforma em carnaval fora de época.  

A oportunidade de suspensão da identidade “periférica” transforma-se, assim, conforme o sociólogo, em evento comunitário de celebração do protagonismo brasileiro no palco de um acontecimento global – felizmente, com possibilidade de colorir tudo.

Ocupar a rua, dissipar preconceitos

Colorir, inclusive, a realidade. Para além de deixar tudo mais vistoso, a sensação de segurança e paz nesses endereços aumenta. Mais: dissolve o cruel estereótipo que muitas vezes paira sobre eles, de medo e perigo.

Na imagem, vista de cima de uma grande escadaria pública descendente. Os patamares planos entre os lances de degraus são decorados com a pintura estilizada da bandeira brasileira, exibindo o losango amarelo sobre o fundo verde e o círculo azul cortado por uma faixa branca. A escadaria possui corrimãos centrais de metal e é ladeada por paredes brancas escalonadas. Na base da colina, a paisagem urbana se revela com prédios altos de arquitetura moderna e, ao longe, a linha costeira com o mar azul e embarcações distantes sob um céu ensolarado.
Legenda: Uma das escadarias de acesso ao Castelo Encantado, totalmente decoradas com a temática Copa do Mundo.
Foto: Ismael Soares.

“Durante muito tempo, o que chegava aqui eram equipes de reportagem pra mostrar coisa ruim; hoje estamos mostrando o lado bom da comunidade, que tem união, diversão, pessoas boas. É motivo de muita felicidade. Quebra um certo preconceito de achar que aqui só tem criminalidade. Agora, virou ponto turístico. Graças a Deus, hoje em dia nosso bairro está bem mais tranquilo, vivemos em paz, podemos ir e vir. Vale a pena conhecer”, celebra Gleisiane.

Em frente à praia do Mucuripe, moradores do Castelo Encantado igualmente festejam esse passo: é outro ponto obrigatório de visita em Fortaleza durante a copa. A luminosa – e, agora, coloridíssima – escadaria que dá acesso ao bairro tornou-se cartão de visitas para quem deseja desbravar a fundo o território.

Na imagem, uma fotografia tirada de um ângulo baixo mostra um jovem tatuado, sentado em uma estrutura de concreto alta, com uma vista urbana ao fundo. Ele usa um boné verde e marrom, óculos, uma camiseta marrom e shorts, e segura uma lata de spray na mão direita. Ele olha para cima e para a direita, com o sol brilhando intensamente acima dele. À direita, um grande mural colorido em uma parede de concreto retrata as costas de um jogador de futebol vestindo uma camisa amarela e verde, com as palavras
Legenda: Artista morador da comunidade, Berin ao lado de mural de autoria dele, no Castelo Encantado.
Foto: Ismael Soares.

Ela é apenas ponto de partida, porém. Cada rua e esquina – com intervenções, por vezes, no meio do caminho – demonstra a eficácia da dedicação comunitária, a beleza das mãos juntas. “A ideia começou há 16 dias, quando um dos moradores, Walisson, teve a ideia de fazer uma simulação de como a pracinha da entrada do Castelo Encantado ficaria se fosse decorada para a Copa”, conta o fotógrafo Warley Cavalcante de Oliveira, também habitante do local.

O passo seguinte foi publicar em um dos perfis mais famosos do bairro, nas redes sociais – algo que despertou interesse de inúmeras pessoas, empenhadas em fazer o sonho acontecer. “Tivemos muitos apoiadores, de moradores a empresários locais. Quando tudo começou a acontecer, fiz algumas fotos, e elas também viralizaram. Foi quando ganhou uma proporção ainda maior, e mais pessoas começaram a aparecer”.

Na imagem, fotografia colorida em plano médio captura quatro jovens pintando o asfalto em uma praça urbana no bairro Castelo Encantado, em Fortaleza. O chão está pintado com o brasão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nas cores verde, amarela e branca, em um design para a Copa do Mundo. À esquerda, um jovem de bermuda azul e sem camisa usa um rolo com cabo longo para aplicar tinta verde clara em uma grande seção do asfalto. No centro, um jovem de camiseta verde clara e bermuda escura usa outro rolo com cabo longo. Mais à direita, dois jovens pintam seções menores: um de bermuda branca e sem camisa usa um rolo mais curto, e um de bermuda bege e sem camisa pinta um detalhe em uma borda branca. Baldes de tinta verdes e brancos estão próximos a eles no chão. O fundo é composto por prédios residenciais e comerciais de alvenaria, com fachadas brancas, cinzas e marrons. À esquerda, destaca-se uma loja com uma placa roxa onde se lê
Legenda: Diferentes mãos foram responsáveis por colorir o Castelo Encantado para a Copa.
Foto: Ismael Soares.

O resultado são artes produzidas por nomes da própria comunidade – caso do muralista Berin, famoso por painéis com desenhos entre o humano e o espiritual – e dignas não apenas de registro, mas de enaltecimento do vigor coletivo. Quando todos se unem, a graça se expande. “Foi a primeira vez que fizemos isso, de pintar inclusive as escadarias. Já tínhamos pintado ruas pequenas, mas a praça foi uma estreia”, conta Warley.

“Geralmente as pessoas sujam os lugares, mas, com essa iniciativa de colorir, foi tudo muito surpreendente. Todo mundo chegou junto, colocou a mão na massa; pessoas que nunca imaginamos que poderiam nos ajudar, assim fizeram. Cada um contribuiu com o talento que tinha, uma coisa que tinha, e isso muda um pouco a vivência do bairro”.

Na imagem, fotografia colorida tirada de baixo para cima (ângulo contra-plongé) destaca uma decoração aérea de Copa do Mundo em uma rua residencial. Centenas de fitas ou franjas de plástico fino estão amarradas em fios dispostos de um lado ao outro da rua, formando o desenho estilizado da bandeira do Brasil no ar. O topo e as laterais da composição são formados por franjas verdes, o centro traz um losango feito com franjas amarelas e, no meio, há um círculo de franjas azuis e brancas. A luz solar passa entre os plásticos, tornando as cores vibrantes. As franjas estão estendidas entre os prédios da vizinhança. À esquerda, vê-se a fachada texturizada de uma casa de dois andares de cor clara, com a sombra da decoração projetada sobre a parede. À direita, aparece parte de uma casa de tijolos ecológicos ou cerâmicos expostos, sem reboco. Cabos de energia cruzam o céu azul e limpo ao fundo, completando o cenário urbano da comunidade.
Legenda: Ruas internas do Castelo Encantado também espelham esforço de moradores para tornar tudo colorido para a Copa.
Foto: Ismael Soares.

Em resumo, favorece inclusive setores como turismo comunitário – conforme Warley, pessoas de diferentes partes de Fortaleza percorrem as escadarias agora para ver de perto a decoração do bairro; economia, haja vista o investimento de moradores na abertura de quiosques, ampliando a renda; entre outros segmentos.

“O que a população ainda espera é a ajuda do poder público. Ainda há muito para fazer – falta iluminação, trocar o corrimão das escadarias… Nossa comunidade tem um potencial turístico muito grande, temos uma vista incrível, de frente pro mar, e todo esse momento é prova disso”. Não à toa, a semente germinada para que, em outros instantes e efemérides do mundo, todos deem as mãos novamente e se percebam maiores e melhores em conjunto.

Na imagem, fotografia colorida em plano médio e ângulo levemente baixo captura uma menina brincando com uma bola em um espaço público pavimentado com blocos de concreto intertravados. O chão da praça está pintado em faixas horizontais de verde e amarelo, e a menina está posicionada exatamente sobre um grande círculo azul cortado por uma faixa branca, reproduzindo o centro da bandeira do Brasil. A menina tem cabelos longos e castanhos, veste uma blusa vermelha de mangas curtas no estilo ciganinha, short jeans curto e chinelos de dedo escuros. Ela está com a perna direita suspensa e flexionada no ar, equilibrando-se no pé esquerdo em pleno movimento para chutar ou controlar uma bola de futebol (branca com detalhes laranjas e pretos) que flutua à sua esquerda.
Legenda: Morador do Castelo Encantado torce para políticas públicas manterem vitalidade do local.
Foto: Ismael Soares.

É o que torce Warley, em nome da geral: “Se tivéssemos ao menos o apoio do poder público, no sentido de uma revitalização, daria para ter um norte para próximas iniciativas. Porque a pintura passa; se houvesse uma revitalização total, aí sim seria melhor. Dá pra ver a união, dá pra ver que a galera quer valorizar o espaço que tem. Mas, infelizmente, ainda não temos tanta ajuda assim”.

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