Sesa volta atrás e diz que 1 dos 3 casos investigados de reação grave à vacina da dengue do Butantan é do CE

Secretaria da Saúde do Ceará havia informado que não havia suspeita de reação grave dentre as 45 mil pessoas imunizadas

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
vacina dengue Butantan
Legenda: Ainda não há confirmação de relação causal entre o quadro desenvolvido pelos pacientes e a vacina. A investigação da reação, no entanto, é parte fundamental da farmacovigilância de imunizantes e medicamentos.
Foto: Divulgação\Butantan

Um dos casos em investigação de dengue grave —  ou seja, reação considerada grave —  desenvolvido por uma pessoa que recebeu a vacina da dengue do Instituto Butantan, está em Fortaleza. A informação foi dada pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) na noite desta sexta-feira (12).

Anteriormente, em entrevista ao Diário do Nordeste nesta manhã, a Sesa havia afirmado que nenhum dos casos graves registrados no Brasil ocorreu no Ceará. A informação foi publicada pelo jornal às 13h55 e corrigida pela Pasta às 18 horas. 

O imunizante teve o uso interrompido em todo o País na última segunda-feira (8), enquanto ocorre a investigação de 42 casos de reações adversas com sinais de alarme, um caso grave — registrado no Ceará — e dois óbitos. 

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Ainda não há confirmação de relação causal entre o quadro desenvolvido pela paciente e a vacina. A investigação da reação, no entanto, é parte fundamental da farmacovigilância de imunizantes e medicamentos. 

De acordo com informações do Ministério da Saúde, a paciente do Ceará é uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a vacina. O quadro evoluiu para uma dengue grave, com sintomas de choque, e exigiu internação em UTI. A mulher se recuperou e recebeu alta hospitalar. 

Reação grave rara é investigada desde a internação da paciente

De acordo com Antonio Silva Lima Neto (Tanta), secretário executivo de Vigilância em Saúde da Sesa, o caso da paciente do Ceará foi monitorado por um comitê técnico do Ministério da Saúde especialista em Eventos Supostamente Atribuíveis à Vacinação ou Imunização (ESAVI).

Por ter acontecido dias após a vacinação, o caso é investigado como uma possível reação grave rara ao imunizante. Apesar disso, testes continuam sendo feitos para entender se a doença foi causada diretamente pela vacina ou se existem outros fatores envolvidos.

“O que não está confirmado é a relação causal. Ela é consistente com a possibilidade dessa relação entre a vacina e a doença, mas precisa de uma série de investigações outras que estão em andamento e que podem de alguma forma indicar, por exemplo, que determinado fator pessoal da paciente pode ter favorecido um caso mais grave”, explica Tanta.

Os dois óbitos, registrados no estado de São Paulo, foram de uma mulher de 48 anos e de um homem de 58 anos. Os dois desenvolveram sintomas de dengue grave dias após a vacinação. Eles também continuam sendo investigados.

Casos investigados têm diferentes níveis de gravidade

Os outros casos investigados pelo Ministério da Saúde relacionados à vacinação com a Butantan-DV têm diferentes níveis de gravidade. 

Foram notificados cerca de 3.300 casos de reações semelhantes à dengue no País. Outros 42 casos foram considerados “dengue com sinais de alarme”, com o principal sintoma mais preocupante sendo o sangramento. Nenhum desses ocorreu no Ceará.

A aplicação da vacina Butantan-DV no Ceará ocorreu de janeiro a maio, em aproximadamente 45 mil pessoas. Cerca de 24 mil delas foram imunizadas em campanha-piloto no município de Maranguape. Segundo a prefeitura da cidade, 180 reações leves foram notificadas.

As outras 22 mil doses foram distribuídas entre profissionais da saúde da Atenção Primária de diversos municípios. 

No Brasil, ao todo foram aplicadas cerca de 500 mil doses, com os eventos adversos representando cerca de 0,008% de todas as doses distribuídas. 

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