Polêmicas, exposição de diferenças sociais e discussões envolvendo moradores dos condomínios de luxo do empreendimento Cidade Alpha, no município de Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, têm gerado grande repercussão nas redes sociais.
Se você teve acesso a conteúdos virais do Instagram ou TikTok recentemente, deve ter se deparado com a disputa de "Alphavella" x "Alphartistas", expressões usadas pela influenciadora digital cearense Tayane Barros para expor, nas palavras dela, o lado dos "ricos" e dos "pobres" do empreendimento.
Essa exposição de desentendimentos entre os condôminos, que vai desde a venda de pães dentro do condomínio até descarte de fezes dos cachorros, despertou tanto interesse do público que virou uma espécie de reality show capitaneado por Tayane, apelidado de "Alphaflix".
Com os mais de 1 milhão de seguidores, a influenciadora compartilha a rotina no condomínio e faz até a "ronda da fofoca" em uma moto elétrica.
“Eu percebi que os seguidores queriam muito saber como era a vida daquelas pessoas que moravam no ‘luxo’, como que eles viviam, como eles faziam pra chegar lá, qual a profissão deles. Aí eu fui mostrando esses bastidores que o povo adora e tudo viralizou”, explica Tayane Barros em entrevista ao Diário do Nordeste.
Influenciadora foi notificada
Por outro lado, devido à viralização dos conteúdos, alguns moradores se sentiram incomodados com a exposição e pediram que a empresa Alphaville, que administra o Cidade Alpha, processasse a influenciadora na Justiça.
Tayane chegou a receber uma notificação por “associar a marca, reiteradamente, a conteúdos depreciativos e pejorativos”.
Em nota enviada à reportagem, a empresa informou que a iniciativa teve “caráter preventivo” e “decorre do dever da companhia de zelar pelo uso adequado de suas marcas e de sua reputação institucional”.
O grupo Alphaville afirmou ainda que “respeita a liberdade de expressão e o direito à manifestação de opiniões” e que “adota as medidas cabíveis para resguardar seus ativos, sua imagem e seus legítimos interesses empresariais”.
A companhia confirmou que irá atender o pedido de alguns condôminos e recorrer à Justiça.
“Nesse sentido, a companhia não medirá esforços para adotar todas as medidas administrativas e judiciais cabíveis, buscando a responsabilização dos envolvidos e a integral reparação de eventuais prejuízos causados à sua marca e aos seus negócios”, aponta a empresa no comunicado.
Sobre a notificação, a influenciadora rebateu dizendo que "em nenhum momento" usou o nome do empreendimento de forma "pejorativa ou comercial". "Isso aqui é entretenimento, eu não tô ganhando nada com isso. Usei o meu direito de condômina, isso é liberdade de expressão", defende Barros.
Eu não entendo por que tanta dor com o nome 'Alphavella' se a maioria das pessoas que moram aqui são pessoas que saíram da periferia, eu não tenho nenhum problema em dizer que eu vim da favela. Isso não me dói em nada, tenho maior orgulho de dizer que vim do Henrique Jorge. É todo mundo querendo provar o que tem e o que não tem, uma briga de ego".
Caso de situação análoga à escravidão foi estopim para exposição
Tayane Barros contou que a viralização dos conteúdos ganhou força no início de julho deste ano, devido a um tema muito sério e sensível: o caso da idosa resgatada após 55 anos de trabalho análogo à escravidão. A família que mantinha a trabalhadora mora em um dos condomínios do Cidade Alpha.
"Foi quando eu comecei a mostrar bastante o que acontecia no off, que era a parte que as pessoas não sabiam muito. E quem mora ou trabalha lá sabe que existe uma diferença social muito grande", disse Tayane.
Segundo ela, no grupo de moradores, a maioria dos condôminos se manifestou a favor da família que manteve a idosa ou apenas permaneceu neutro diante da situação. À época, o Ministério Público do Trabalho (MPT) interferiu e os responsáveis se comprometeram a indenizar a vítima por dano moral individual, regularizar os encargos sociais devidos e o contrato de trabalho.
A falta de posicionamento ou opiniões controversas sobre o assunto causou a revolta da influenciadora. Após a intervenção do MPT, quando o caso repercutiu nacionalmente, Tayane chegou a conceder entrevista ao programa Fantástico, da Tv Globo, explicando situações de rotina no condomínio.
“Olha só como é louca essa história. As pessoas ficaram com raiva de mim por mostrar a hierarquia e diferença social entre os moradores, mas ninguém falou nada sobre a mulher que foi escravizada aqui no condomínio. A pessoa foi escravizada por 55 anos e eles ‘passaram pano’ pro homem. Essa foi a minha maior revolta”, afirmou a influencer, moradora do Cidade Alpha há dois anos.
Entenda polêmica Alphavella x Alphartistas
A influencer explicou que os termos “Alphavella” e “Alphartistas” refletem o comportamento e status social dos moradores, que fazem distinções hierárquicas entre os próprios condôminos em uma "briga de ego".
Segundo ela, pessoas com maior poder aquisitivo moram do lado Alphaville Residencial Ceará, enquanto as casas mais populares estão localizadas do lado Alphaville Terras.
“Os terrenos do lado esquerdo são mais acessíveis, a partir de 270 m², comprados a partir de R$ 200 mil. Do lado direito, são terrenos começando com 400 m², valendo no mínimo R$ 400 mil. As casas do lado direito, do Alphaville Residencial Ceará, são casas muito mais luxuosas, em que as pessoas investem muito. Tem casa de empresário de mais de R$ 20 milhões”, disse ela.
Para Tayane, a “dor de cotovelo” de alguns moradores é por ela expor as diferentes realidades dentro de um mesmo empreendimento, o que acaba com a “fantasia” de que só pessoas da “alta sociedade” têm acesso ao condomínio.
“Existe essa divisão, eu digo que tem essa hierarquia porque tem um lado da galera que são os milionários. Eu nunca disse que ali dentro tem gente ‘lisa’, só que no Terras tem uma galera que vive ali razoavelmente, que tá ali dentro do grupo do condomínio vendendo sempre alguma coisa pra conseguir se manter ali”, contou a influencer.
Pessoal que queria dizer pro povo que era rico e milionário morando no Terras ficou louco de raiva, ‘se queimando’ comigo, porque eu falei que é acessível morar lá. Mas eu não estou discriminando ninguém. Eles ficaram com ódio porque tem muita gente que abre a boca lá e quer se passar de rico sem ser".
A influenciadora diz que mantém o respeito e nunca expõe as pessoas pelo nome, justamente por saber do alcance dos seus conteúdos na internet e potencial de viralização.
“Eu nunca identifico as pessoas e nunca falo nada que vá manchar a imagem de ninguém. Eu só conto as histórias do que acontece lá, no Alphavella e no Alphartistas (risos), apenas as polêmicas de um grupo de condomínio”, conclui a criadora de conteúdo digital.
Quem é Tayane Barros
Tayane Barros é uma influenciadora digital cearense e tem 35 anos. Iniciou a carreira nas redes sociais há 10 anos com conteúdos “real life” da rotina em casa com a família.
Hoje, acumula mais de 1 milhão de seguidores no Instagram e mais de 530 mil no TikTok. Conquistou um público massivo quando passou a compartilhar conteúdos da vida fitness com os seguidores durante o processo de emagrecimento.
“Já tem 10 anos que eu gravo conteúdo na internet. Eu sempre gravei toda a minha rotina, inclusive, quando a gente chegou aqui no Cidade Alpha. Mostrei todo o processo da construção da casa”, relembra.
“Eu pesava 100 quilos a mais e comecei a mostrar sempre eu fazendo minhas caminhadas e treinos junto com meu marido, foi quando aconteceu essa virada de chave na minha vida”, afirma Barros.