Indústria do Eusébio prevê exportar 'suco de babosa' com investimento de R$ 15 milhões

A empresa cearense também irá investir R$ 1,8 milhão para abrir uma unidade na Espanha.

Escrito por
Letícia do Vale leticia.dovale@svm.com.br
Fatias de babosa (aloe vera) recém-cortadas sobre uma folha da própria planta, com polpa transparente e gotas de água visíveis na superfície, em close-up sobre uma superfície de madeira.
Legenda: Bebida se assemelha a um xarope e combate a azia, a gastrite, a constipação e a acidez estomacal.
Foto: Shutterstock/New Africa

A empresa cearense de produtos naturais União Vegetal planeja projeto com o Governo do Estado para a produção de bebida à base da planta Aloe Vera, popularmente conhecida por Babosa. O investimento total é de R$ 15 milhões. 

A iniciativa também envolve a capacitação de pequenos produtores do Ceará para o plantio da espécie e tem início previsto para o segundo semestre de 2027.

As informações foram confirmadas pelo fundador da marca, Ronaldo Albuquerque, em entrevista nesta segunda-feira (9), durante a I Feira da Indústria Fiec.

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Inicialmente, a ideia do projeto é exportar a produção, uma vez que a empresa já trabalha com a bebida e encontra alta demanda no exterior, principalmente em países frios. 

Conforme relata o empresário, a iniciativa conta com apoio da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece) e da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico do Estado (SDE). De acordo com ele, o Governo do Estado do Ceará já demonstrou apoio ao projeto.

A proposta consiste em uma parceria entre a iniciativa privada e o setor público para capacitar o pequeno produtor no cultivo da planta. Enquanto o governo e a empresa focam no treinamento técnico, a companhia garante a compra, o beneficiamento e a exportação da produção.

"O Ceará seria o cenário ideal para que essa planta ocorra, já que ela só ocorre em regiões quentes e secas", observou. 

O investimento de R$ 15 milhões, de acordo com Ronaldo, seria dividido entre a União Vegetal, o Governo do Estado e o Fundo de Apoio à Estruturação e ao Desenvolvimento de Projetos de Concessão e PPPs (FEP). 

Ainda não existe definição sobre o número de produtores capacitados e o local de plantio da espécie para o projeto. No entanto, sobre o município escolhido, Ronaldo ressalta que a ideia é buscar uma cidade próxima a Fortaleza, como Beberibe, Chorozinho, Pacajus ou Caucaia.

“Essa planta tem uma característica. Depois dela colhida, ela tem uma vida de 6 horas apenas. Então, o ideal é que eu concentre tudo num local só e a preferência é que seja aqui próximo à Fortaleza. E a gente sabe que alguns municípios têm interesse em nos atrair, então vai ser fácil essa parte”, garante. 

Ronaldo Albuquerque, homem de braços cruzados em frente a um painel publicitário com produtos de suplementos alimentares da marca União Vegetal. No fundo aparecem embalagens de itens como Morotim, Cúrcuma, CoQ10, Morosil, BioColl e Creatina, além de um texto sobre autoestima feminina.
Legenda: Ronaldo Albuquerque, fundador da União Vegetal.
Foto: Letícia do Vale.

Expansão na Europa

Há 28 anos no mercado, a União Vegetal trabalha com cosméticos e suplementos voltados para o público feminino e teve início em Fortaleza. Hoje, a empresa tem atuação em todo o País e inaugura, em maio, uma operação na Espanha. 

A ideia é comercializar produtos para países europeus, como Itália, Portugal, Espanha e França, por meio da plataforma Amazon. Para essa expansão, o investimento foi de cerca de € 300.000, aproximadamente R$ 1,8 milhão.  

De acordo com Ronaldo, a diferença entre mercados requer adaptação nas embalagens e tipos de produtos promovidos. 

“Aqui no Brasil, quando a gente vai vender um frasco de ômega, ele tem 60, 90 cápsulas. Lá, eles querem 500, 600 cápsulas. Eles não são tão vaidosos quanto nós. Eles se preocupam mais com a saúde do que com a estética. E, lá, tem muita gente com mais idade. Então lá são mais problemas de ossos, articulação, às vezes insônia. E aqui vende muito produto para colágeno, libido feminino”, explica. 

Segundo ele, o produto da marca mais vendido no Ceará é um pré-treino líquido. No Estado, a empresa conta com uma fábrica no Eusébio e 106 funcionários. A distribuição dos produtos é feita por meio de lojas especializadas, farmácias e supermercados. 

Anvisa não liberou consumo da bebida no Brasil

Para o consumo da bebida em território brasileiro, no entanto, ainda não existe liberação por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Ronaldo explica que a dificuldade da autorização da bebida ocorre devido à enorme variedade existente da planta: entre centenas de espécies de Aloe Vera, apenas uma é própria para o consumo humano, discorre.

Assim, a marca deve garantir tanto a origem da espécie quanto a rastreabilidade das plantas utilizadas, desde o plantio até o consumo.

"A legislação sanitária da Anvisa não liberou esse produto ainda no Brasil pra gente, mas a gente tem a permissão para fabricar exclusivamente para exportação. Estamos aguardando a aprovação. Eu acho que é um projeto que vai para o segundo semestre de 2027"
Ronaldo Albuquerque
CEO da União Vegetal

Por meio de nota, a SDE informou que “o projeto ainda se encontra em fase de estruturação e análise preliminar” e que o Estado está avaliando de que forma pode participar da iniciativa. 

Assim, ainda não existe definição formal sobre contrapartida financeira do Estado e outros detalhes, como o mercado de destino da bebida, o município de plantio da espécie e quantos produtores serão capacitados (leia nota abaixo). 

Nota do Governo 

Sobre o projeto mencionado, o Estado do Ceará está, neste momento, avaliando tecnicamente de que forma poderá participar da iniciativa, considerando os aspectos de viabilidade, interesse público, modelagem institucional e eventual apoio aos pequenos produtores envolvidos.

Até o momento, não há definição formal sobre contrapartida financeira do Estado, uma vez que o projeto ainda se encontra em fase de estruturação e análise preliminar.

Da mesma forma, ainda estão em discussão pontos como o formato de execução, o mercado de destino da bebida, as etapas regulatórias necessárias, incluindo os trâmites relacionados à Anvisa, bem como a definição de local para eventual capacitação dos produtores e a escala mínima de participação.

Assim que houver conclusão dessa etapa e eventual formalização da participação do Estado, as informações poderão ser detalhadas com maior precisão.

 



 

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