A Ferrovia Transnordestina e o otimismo da Marquise
Renan Carvalho, diretor da empresa cearense que constrói a moderna estrada de ferro revela: o cronograma das obras nos nossos trechos está em dia
Renan Carvalho, um dos mais qualificados engenheiros do Ceará, é o diretor executivo da Marquise Infraestrutura, empresa do Grupo Marquise responsável pela execução de 80% do maior projeto privado de infraestrutura de transporte em implantação hoje no Brasil: a Ferrovia Transnordestina. Ontem, ele se reuniu com 22 empresários da indústria e da agropecuária do Ceará, aos quais explicou em que estágio se encontram as suas obras. E o que ele disse deixou alegres os presentes, uma vez que revelou a alta qualidade da engenharia cearense na área da construção pesada.
É preciso ser dito que a Marquise foi a empresa que, consorciada com outra do Paraná, construiu a segunda ponte de acesso ao porto offshore do Pecém e, também, a ampliação do seu Terminal de Múltiplo Uso (Tmut) e o prolongamento do molhe de proteção, que será de novo estendido na direção Oeste, a fim de permitir a implementação de mais um berço de atracação, que será destinado às operações ligadas aos projetos de geração de energia eólica offshore e às operações da própria Transnordestina.
Renan Carvalho disse que o cronograma de implantação do trecho cearense da Ferrovia Transnordestina, que começa em Salgueiro e termina no Porto do Pecem, está em dia no que diz respeito aos trechos sob responsabilidade da Marquise Infraestrutura. Ele transmitiu alguns números e informações que deixaram entusiasmados os empresários que o ouviram ontem.
Por exemplo: de Salgueiro ao Pecém, a Transnordestina terá 27 viadutos cuja extensão varia de 15 até 50 metros; é a maior obra de escavação do país, depois de Itaipu, e todo o material escavado daria para encher completamente 16 arenas Castelão; há 300 tratores e escavadeiras sendo usados na obra; há 320 veículos, principalmente caminhões e caçambas, nas diferentes frente de trabalho da Marquise na ferrovia; já ficou pronto e está em operação, inclusive com licenciamento ambiental, todo o trecho de Salgueiro a Iguatu; a Transnordestina Logística já emitiu suas primeiras notas fiscais relativas ao transporte de grãos do Sudeste do Piauí para granjas avícolas do Ceará -- a primeira nota foi emitida para a Tijuca Alimentos.
Toda a frota de veículos, incluindo tratores em uso pela Marquise Infraestrutura na construção da Ferrovia Transnordestina consome, mensalmente, 368 mil litros de óleo diesel.
Submetido a perguntas, Renan Carvalho disse que a Transnordestina vai, com certeza, mudar o perfil da economia do Ceará e de boa parte da do Nordeste Ocidental. Ele se referiu à qualidade da estrada de ferro, que já tem e terá, quando concluída totalmente, nível mundial para o transporte de qualquer tipo de carga, graças à moderna tecnologia empregada na sua infraestrutura (drenagem, terraplenagem, pontes, viadutos, passagens de nível) e na implantação de sua linha permanente (dormentes e trilhos e sinalização).
“Tudo isto é de Primeiro Mundo”, disse Renan Carvalho ao auditório muito atento.
Instado sobre a contratação de mão de obra para a execução dos serviços, o diretor executivo da Marquise Infraestrutura foi claro e didático, ao dizer:
“Tivemos quase nenhuma dificuldade. Contratamos sem problemas as milhares de pessoas que hoje trabalham na obra, e isto foi um dos motivos que nos têm permitido cumprir o calendário dos serviços, que estão absolutamente em dia, assim como em dia também estão os compromissos da Transnordestina Logística com a nossa empresa”.
Empresários da indústria e do agro presentes à reunião quiseram saber sobre os prazos para a conclusão da obra, e Renan Carvalho foi direto ao assunto. Ele afirmou que todos os trechos sob a responsabilidade da Marquise Infraestrutura vêm sendo executados dentro do cronograma estabelecido pela contratante, razão pela qual ele e seu time estão otimistas com relação aos prazos para o término da obra.
Renan também adiantou que os serviços do último trecho da ferrovia, que se estende da BR-222 até o Porto do Pecém, “prosseguem em ritmo de frevo”, e sugeriu aos empresários que visitem as obras em execução à margem da CE-155, a estrada duplicada que une aquela rodovia federal, no Distrito de Primavera, na geografia do município de Caucaia, até o terminal portuário do Pecém.
No final de sua fala, Renan Carvalho transmitiu outra boa informação: até o fim deste mês, será encerrado o processo de licitação das obras de ampliação do Porto do Pecém. A Marquise Infraestrutura, que concorre em consórcio com outra empresa, está otimista quanto à possibilidade de vitória, tendo em vista sua expertise, que pode ser entendida como uma vantagem comparativa.
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