Feira da Fiec: a indústria do Ceará na visão das mulheres
Carla Pontes, Aline Telles, Camila Fragoso Aguiar e Milene Pereira, que dirigem grandes empresas, mostraram a força da Liderança Feminina na economia cearense
Por que o Ceará tem forte liderança feminina na sua indústria, que cresce mais do que a do Brasil como um todo? Esta foi, com outras palavras, a pergunta chave que a jornalista Juliana Morrone fez ontem, na Feira da Indústria Fiec, a quatro potentes executivas do setor industrial cearense: Carla Ponte, CEO do Grupo Marquise; Aline Telles, CEO do Grupo Telles; Camila Fragoso Aguiar, presidente do Sindicato da Indústria de Bebidas e CEO da Água Mineral Límpida; e Milene Pereira, principal executiva do Grupo 3 Corações e presidente do Sindicato da Indústria do Café.
Cada uma delas respondeu a seu modo, mas convergentemente para a conclusão de que o cearense é o melhor produto do Ceará, e quem duvidar disto é só perguntar ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o famoso ITA, que inaugurará em Fortaleza, no próximo mês de abril, a sua primeira unidade fora das divisas de São Paulo. São cearenses a maioria dos alunos do ITA.
Quem respondeu primeiro foi a jovem e elegante Camila Aguiar, na opinião de quem a indústria cearense mudou, e mudou muito, inclusive a sua marca, que deixou de ser uma chaminé, estando agora comprometida com os princípios ESG, de respeito ao meio ambiente, de saudáveis relações sociais e de transparência na gestão corporativa. Ela lembrou que, para essa mudança, houve sem dúvida, a ajuda dos bons governos que o Ceará teve desde o fim da década de 80 do século passado e, também, da boa educação universitária, além da localização geográfica do estado, equidistante da Europa e da Costa Leste dos Estados Unidos. A indústria cearense, graças, ainda, a um câmbio de cultura, está hoje investindo bastante na tecnologia e na inovação, “e a prova está aqui, nesta feira maravilhosa”.
Falou em seguida Milene Pereira, que foi logo dizendo que, na sua 3 Corações, há programas sociais criados e em execução para atender ao conjunto dos seus colaboradores e, também, às comunidades do entorno da empresa, que tem sede em Fortaleza e atuação nacional. Arrancando aplausos da atenta plateia, ela informou que mais de 50% da força de trabalho de sua empresa são mulheres, reconhecendo, porém, que em outras áreas da indústria ainda persiste um ambiente machista. Ela disse que a indústria do Ceará cresce em ritmo de frevo porque a Fiec dialoga permanentemente com o governo, “e desse diálogo nasce o progresso”. E ainda acrescentou: “O Ceará é a terra do Sol e do trabalho”, citando que aqui todos os desafios são enfrentados de modo coletivo pelos que trabalham e produzem na indústria. “Posso dizer que o Ceará fez bem o dever de casa”, concluiu.
Aline Telles, toda feliz porque seu pai, o industrial Everardo Telles estava no auditório a ouvi-la, foi a terceira a falar. E lembrou que, em 1996, quando voltou ao Ceará após concluir seu curso universitário, já havia o diálogo do governo com a academia. Mas naquela época, contou ela, dos 40 diretores da Fiec, apenas três eram mulheres, “eu, a Vânia Dummar e a dona Eliza Gradvohol, mas tenho de dizer que no Ceará a liderança feminina sempre existiu”. E acrescentou que essa liderança continua a aumentar. Aline retornou no tempo e lembrou que nos anos 80 a liderança empresarial cearense virou a chave, promovendo uma ruptura na gestão do governo estadual, no que foi acompanhada pela sua indústria. “O Ceará vive hoje um momento único, empresas estão florescendo. Na Fundação Dom Cabral, os professores recomendam olhar para o Ceará”. Finalizando, ela disse que aqui as empresas familiares são longevas, e provou: a sua está celebrando 180 anos de atividades.
Fechando o painel, intitulado Liderança Feminino, falou Carla Pontes, que também se referiu aos bons governos que o Ceará teve, os quais incentivaram a boa performance de seu setor industrial. Ela disse que, quando se graduou em Administração de Empresas pela FGV de São Paulo, as mulheres representavam 20% do alunado; hoje, esse percentual subiu para 35%. E sentenciou: “Uma empresa não será duradouro se não tiver compromisso com os princípios ESG. No nosso grupo de empresas, a que executa os serviços de saneamento (limpeza urbana) em Fortaleza produz no aterro sanitário de Caucaia gás metano oriundo dos resíduos recolhidos e transportados por ela e utilizado pela sua frota de caminhões. Carla Pontes creditou ao Porto de Pecém, cuja última ampliação teve a participação do Grupo Marquise, o fato de o Ceará ter atraído, nos últimos anos, grandes empresas industriais, nomeando a ArcelorMittal, que é a maior exportadora do Ceará.
No fim da reunião da Liderança Feminina, o presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante, entregou ao empresário Everardo Telles uma placa dourada, com uma mensagem saudando o Grupo Telles pelos seus 180 anos de plena atividade nas áreas da indústria e da agroindústria.
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