De onde são os estrangeiros que investem em empresas de capital aberto do Ceará?

Pague Menos e M. Dias Branco são as empresas preferidas pelos estrangeiros no Ceará.

Escrito por
Gabriela Custódio gabriela.custodio@svm.com.br
Fachada da farmácia Pague Menos, na avenida Santos Dumont, em Fortaleza.
Legenda: A General Atlantic, um fundo de investimentos global dos Estados Unidos, detém 9,75% das ações da Pague Menos, por meio de 11 veículos de investimento.
Foto: Kid Jr.

Os investidores estrangeiros aportaram mais de R$ 26,31 bilhões nas empresas brasileiras em janeiro deste ano, superando os R$ 25,47 bilhões aportados ao longo de 2025. O 'boom' de estrangeiros investidores tem reflexo direto nas empresas cearenses de capital aberto.

Apesar da presença desses investidores no Brasil, as seis principais empresas do Ceará de capital aberto permanecem sob controle majoritariamente brasileiro, exercido por grupos familiares.

Nesse cenário, a Pague Menos se destaca com a presença da norte-americana General Atlantic como um dos principais acionistas, com 9,8% das ações e uma cadeira no Conselho de Administração da companhia.

O Diário do Nordeste consultou a versão mais recente do Formulário de Referência 2025 disponível no site das seis principais empresas cearenses listadas na B3: Aeris Energy, Brisanet, Grendene, Hapvida, M. Dias Branco e Pague Menos.

A reportagem também buscou as empresas para questionar sobre possíveis atualizações do documento ou mais detalhes que as companhias pudessem informar.

O Formulário de Referência é um documento periódico que as empresas devem enviar à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) com informações atualizadas sobre sua situação econômica, financeira, societária e de governança. Segundo a resolução CVM n.º 80/2022, a empresa deve identificar, por exemplo:

  • Acionistas controladores;
  • Detentores de participações relevantes (igual ou superior a 5% de uma mesma classe ou espécie de ações);
  • Administradores e conselheiros;
  • Signatários de acordos de acionistas.

Por outro lado, pessoas físicas ou jurídicas que compõem o chamado free float, as ações em circulação, são reportadas de forma agregada, não sendo possível identificar a participação estrangeira. Para esses casos, a reportagem vai utilizar as informações concedidas pelas empresas por meio da assessoria de imprensa.

Acionistas dos Estados Unidos lideram investimentos

Nem todas as empresas consultadas forneceram a nacionalidade dos acionistas estrangeiros. Das seis companhias procuradas pelo Diário do Nordeste, apenas a Pague Menos e a M. Dias Branco detalharam essa informação.

Em ambos os casos, os norte-americanos lideram a lista de estrangeiros com participação nas ações em circulação — ou free float —, que se refere às ações destinadas pelas empresas à livre negociação no mercado. Elas não incluem as ações pertencentes aos controladores nem aquelas mantidas na tesouraria da companhia.

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Além dos acionistas que detêm ações em circulação, a Pague Menos é a única das seis empresas que declara, no Formulário de Referência 2025, a presença de um investidor estrangeiro com participações relevantes.

A General Atlantic, um fundo de investimentos global dos Estados Unidos, ingressou na base acionária em 2015 e passou a deter 9,75% do capital em 2025, por meio de 11 veículos de investimento.

o acionista controlador da companhia é o fundador, Francisco Deusmar de Queirós, que detém 28,19% do capital social. Somada à de outras pessoas físicas que representam o mesmo interesse, essa participação atinge 65,25%.

Vista aérea do Moinho Dias Branco.
Legenda: O free float corresponde a 19% das ações da M. Dias Branco.
Foto: Divulgação.

Veja abaixo de onde são os investidores estrangeiros da Pague Menos e da M. Dias Branco nas ações em circulação.

Pague Menos

Atualmente, cerca de 50% das ações em circulação estão hoje com investidores estrangeiros. Desta parcela, os acionistas dividem-se nas seguintes nacionalidades:

  • Estados Unidos: 77%;
  • Reino Unido: 11%;
  • Espanha: 4%;
  • Luxemburgo: 4%
  • Cingapura: 1%.

M. Dias Branco

No caso da M. Dias Branco, o grupo composto por controlador, conselho e diretoria estatutária detém 80% das ações, enquanto a tesouraria representa 1%.

O free float, por sua vez, responde por 19%. Por nacionalidade, esse grupo se divide da seguinte forma:

  • Brasil: 38%
  • EUA: 35%
  • Malásia: 11%
  • Luxemburgo: 7%
  • Reino Unido: 3%
  • Suíça: 2%
  • Outros países: 4%

Investimentos nas outras empresas do Ceará de capital aberto

Fundada em Fortaleza, em 1979, a Hapvida informou, por meio da assessoria de imprensa, que, excluindo a participação do acionista controlador da companhia, o free float é pulverizado.

Atualmente, cerca de metade das ações em circulação estão nas mãos de investidores estrangeiros (fundos), enquanto a outra metade está com investidores brasileiros, entre fundos e uma pequena parcela de pessoas físicas.

A companhia divulgou apenas os dados agregados dos investidores brasileiros e estrangeiros, sem abrir o detalhamento por nacionalidade.

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Fundada em 1971 na cidade de Farroupilha, no Rio Grande do Sul, a Grendene chegou à capital cearense em 1990. Novas fábricas foram abertas em Sobral (1993) — que passou a ser a sede social da empresa — e no Crato (1997).

Em 2025, controladores e administradores representavam 74,9% dos investidores. Já o free float era composto por:

  • Investidores estrangeiros (7,8%) 
  • Investidores institucionais (4,6%)
  • Pessoas físicas (11,6%)
  • Outros (1,1%)

A proporção de estrangeiros teve redução em relação a 2024, quando esses acionistas representavam 13,8% das participações nas ações em circulação.

A Brisanet foi fundada em 1998 na cidade de Pereiro, na região do Vale do Jaguaribe. Por meio da assessoria de imprensa, a companhia afirmou que as informações sobre acionistas estrangeiros não são públicas. Porém, segundo a empresa, essa participação é inferior a 1%.

Segundo o Formulário de Referência 2025, o organograma dos acionistas da Brisanet se divide em:

  • Grupo de controle e pessoas vinculadas: 81,3%
  • Conselheiros e diretores: 0,4%
  • Ações em circulação: 18,9%

Já a Aeris Energy, fundada em 2010 para explorar o mercado de fabricação de pás para aerogeradores, não enviou informações sobre a participação de investidores estrangeiros.

No Formulário de Referência 2025 divulgado pela empresa, as ações em circulação no mercado totalizam 59,08% do capital social.

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