Você ganhou até R$ 2.700 em 2026 e ainda não percebeu

Isenção do IR até R$ 5 mil: o que fazer agora com esse valor extra?

Escrito por
Alberto Pompeu producaodiario@svm.com.br
Legenda: Para quem já tem a reserva, o caminho é começar a investir de forma disciplinada.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil.

Dona Maria é professora da rede municipal de Sobral. Trabalha há 14 anos na mesma escola, ganha R$ 4.200 por mês e nunca tinha sobrado nada para investir. No mês passado, ela olhou para o contracheque e percebeu que o desconto do Imposto de Renda havia desaparecido. Quase R$ 190 a mais no bolso, sem fazer nada de diferente.

O que aconteceu com Dona Maria vai se repetir na vida de 15 a 16 milhões de brasileiros em 2026. A Lei 15.270/2025 ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. A mudança entrou em vigor em janeiro e o efeito já aparece no salário de fevereiro.

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Para quem ganha R$ 3.500, a economia pode chegar a R$ 1.800 por ano. Para quem recebe R$ 4.500, a cifra sobe para cerca de R$ 2.700. É quase um salário extra caindo silenciosamente na conta, mês a mês, sem nenhuma burocracia.

Aqui no Ceará, a notícia é ainda mais relevante. Segundo o IBGE, o rendimento médio do trabalhador cearense ficou em torno de R$ 2.429 mensais em 2025. Isso significa que a esmagadora maioria dos trabalhadores formais do estado está exatamente na faixa beneficiada pela isenção.

Servidores municipais, professores, enfermeiros, operários, comerciários. A reforma chegou para quem mais precisava. Mas a pergunta que precisa ser respondida é simples e urgente: esse dinheiro vai fazer diferença ou vai se perder no movimento do mês?

A tentação e a oportunidade

A maioria das pessoas que recebe um aumento, mesmo que pequeno, tende a elevar o padrão de consumo no mesmo ritmo. Os economistas chamam isso de inflação do estilo de vida. O cartão de crédito ganha uma compra nova, o serviço de streaming que estava cortado volta, o almoço fora de casa passa de duas para três vezes por semana. No fim do mês, o dinheiro extra sumiu sem deixar rastro.

Não precisa ser assim. Para quem ainda não tem uma reserva de emergência, esse é o momento ideal para construí-la. A regra clássica das finanças pessoais orienta ter entre três e seis meses de despesas guardadas em uma aplicação segura e de fácil resgate.

O Tesouro Selic, disponível a partir de R$ 30 no Tesouro Direto, é o destino mais indicado para esse objetivo. Com a Selic em 15% ao ano, esse dinheiro rende mais do que qualquer poupança e pode ser resgatado a qualquer momento.

Para quem já tem a reserva, o caminho é começar a investir de forma disciplinada. Mesmo R$ 190 por mês aplicados durante 10 anos, com a rentabilidade do Tesouro Selic, se transformam em mais de R$ 40 mil. O tempo é o maior aliado de quem começa cedo.

Um passo prático para esta semana

Olhe para o seu contracheque de fevereiro. Identifique quanto a menos foi descontado de IR em relação a janeiro de 2025. Esse é o seu novo aliado. Abra hoje mesmo uma conta no Tesouro Direto, é gratuito e leva menos de 15 minutos.

Programe uma transferência automática desse valor no dia seguinte à data do seu salário. Dona Maria, a professora de Sobral, fez exatamente isso. Ela não sabe ainda o que aqueles R$ 190 mensais vão virar daqui a dez anos. Mas ela sabe que, desta vez, o dinheiro não vai sumir.

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor. 

 
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