R$ 23 bilhões em um mês: por que o gringo está apostando no Brasil

Escrito por
Alberto Pompeu producaodiario@svm.com.br
Legenda: Investidores estrangeiros despejaram R$ 23,1 bilhões na bolsa brasileira em apenas 30 dias.
Foto: AFP.

Janeiro de 2026 entrou para a história da bolsa brasileira. O Ibovespa disparou 12,6%, ultrapassou os 180 mil pontos pela primeira vez e registrou o melhor desempenho mensal desde novembro de 2020. Mas o dado que realmente impressiona está nos bastidores: investidores estrangeiros despejaram R$ 23,1 bilhões na bolsa brasileira em apenas 30 dias, praticamente 90% de todo o capital externo que entrou no país ao longo de 2025 inteiro.

Enquanto isso acontecia, o investidor brasileiro assistia de camarote. A maioria dos fundos de ações locais registrou saques. O dinheiro do trabalhador cearense continuou concentrado em CDBs e poupança, esperando o momento perfeito que pode nunca chegar.

A pergunta que não quer calar: por que o capital estrangeiro está correndo para o Brasil quando nossos próprios investidores parecem mais cautelosos do que nunca?
A resposta está em um fenômeno global que poucos notaram. Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, investidores institucionais começaram a questionar a concentração excessiva nos Estados Unidos. Incertezas geopolíticas e políticas tarifárias agressivas criaram desconfiança. O resultado? Bilhões migrando dos mercados desenvolvidos para os emergentes.

Dentro desse movimento, o Brasil se destacou. O país oferece uma combinação rara: bolsa líquida, commodities em alta que representam 30% do Ibovespa, e múltiplos de preço sobre lucro historicamente baixos, em torno de 9 vezes. Para o investidor global, o Brasil virou aposta de valor em meio ao caos.

Enquanto isso, o brasileiro médio segue preso na narrativa de que investir em ações é perigoso ou que vai esperar os juros caírem. O problema é que o mercado não espera. A bolsa sobe justamente na antecipação da queda dos juros, não depois.

Aqui no Ceará, conheço trabalhadores que mantêm todo patrimônio em renda fixa, esperando o momento ideal. Enquanto esperam, perdem oportunidades como a de janeiro, quando quem estava posicionado em ações viu rendimento superior a qualquer CDB ou até mesmo ao ouro.

A lição não é que todo mundo deveria ter jogado tudo na bolsa. A lição é que diversificação inteligente protege contra arrependimentos. Quem tinha ao menos 20% do patrimônio em ações capturou parte desse movimento histórico.

Janeiro também ensina sobre comportamento. O capital estrangeiro entrou via fundos passivos, comprando o índice inteiro, sem tentar acertar o timing perfeito. O investidor local fica paralisado tentando prever o momento exato. Essa mentalidade custa caro.

Com a bolsa acima dos 180 mil pontos, ainda dá tempo? Sim, mas com estratégia. Casas como XP projetam o Ibovespa entre 190 mil e 235 mil pontos até o fim de 2026. Mas entrar em euforia, sem plano, é tão perigoso quanto ficar de fora por medo.

Para quem está começando, a estratégia mais sensata continua sendo aporte mensal disciplinado, sem tentar acertar a entrada perfeita. O importante é estar no jogo.
O capital estrangeiro nos deu uma aula: enquanto analisamos demais, eles agem. O nordestino merece participar dessa valorização patrimonial. Mas precisa vencer o maior obstáculo: o medo disfarçado de prudência.