Janeiro acabou, e seu dinheiro também? Entenda a síndrome do salário fantasma

Escrito por
Alberto Pompeu producaodiario@svm.com.br
Legenda: O segredo está em reorganizar mentalmente seu calendário financeiro.
Foto: Shutterstock

Todo começo de ano é a mesma história: o salário de janeiro some antes do dia 15. Parece mágica, mas é matemática. E dolorosa.

Conversei com Seu Antônio, motorista de aplicativo aqui de Fortaleza, que resumiu o drama: "Dezembro chegou o 13º, pensei que estava rico. Gastei com Natal, presentes, ceia, uma TV nova. Janeiro chegou, e além das contas normais, veio IPTU, IPVA, material escolar, matrícula dos meninos. Estou no vermelho e são só 10 de janeiro".

A história de Seu Antônio não é exceção - é regra. Dados do Serasa mostram que 68% dos brasileiros iniciam o ano com dívidas, e no Nordeste esse percentual sobe para 72%. O problema não é falta de dinheiro necessariamente.

É falta de planejamento para uma realidade que se repete todo santo ano. Batizei isso de "síndrome do salário fantasma": aquela sensação de que o dinheiro simplesmente desaparece, quando, na verdade, ele foi embora exatamente para onde você não planejou.

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O brasileiro médio trata o 13º salário como bônus surpresa, quando deveria tratá-lo como parte essencial do orçamento anual.

Vamos aos números práticos: imagine um salário de R$ 3.000. Em dezembro, com o 13º, você recebe R$ 6.000. A tentação é enorme. Mas janeiro traz despesas extras que facilmente chegam a R$ 2.500: IPTU (R$ 800), IPVA (R$ 600), material escolar (R$ 500), matrículas (R$ 400), farmácia pós-festas (R$ 200). Some isso ao custo normal de vida e você precisa de R$ 5.500 só para sobreviver a janeiro sem dívida.

O segredo está em reorganizar mentalmente seu calendário financeiro. Aqui vai o método que ensino: divida o 13º salário em três partes antes de gastá-lo. Um terço para as despesas extras de janeiro que você JÁ SABE que vêm todo ano. Um terço para turbinar a reserva de emergência ou quitar dívidas. E só um terço para presentes e celebrações.

Sei que parece difícil quando a cultura é gastar tudo em dezembro. Mas pense assim: você prefere dois meses de aperto (dezembro modesto + janeiro apertado) ou dois meses de tranquilidade (dezembro equilibrado + janeiro planejado)?

Para 2027, faça diferente: quando receber o 13º em dezembro deste ano, separe imediatamente 40% em uma aplicação de liquidez diária no Tesouro Selic ou CDB. Esse dinheiro está proibido até 2 de janeiro. É a sua salvação contra o salário fantasma.

O trabalhador nordestino já enfrenta desafios suficientes: economia instável, empregos informais, salários menores. Não precisamos adicionar a armadilha do descontrole financeiro auto-imposto. Conhecimento liberta. Planejamento protege. Disciplina constrói.

Janeiro de 2027 pode ser diferente. Mas só se você começar a mudar hoje.

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor. 

 

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