Por que o Ibovespa atingiu seu 11º recorde histórico e como aproveitar esse movimento?
O sino da Bolsa de Valores soou diferente nessa quarta-feira (11). Pela primeira vez na história, o Ibovespa ultrapassou a marca dos 190 mil pontos, renovando recordes pela 11ª vez apenas em 2026.
Para quem acompanha os números do mercado, o movimento impressiona não apenas pela velocidade, mas pela força que vem de fora: investidores estrangeiros despejaram R$ 26,3 bilhões na B3 em janeiro, valor superior a todo o capital externo que entrou em 2025 inteiro.
Mas o que tem a ver o nordestino que trabalha duro, economiza no fim do mês e ainda tem a Selic a 15% ao ano com esse recorde da Bolsa? Mais do que parece. E entender esse momento pode fazer a diferença entre deixar a oportunidade passar ou começar a construir patrimônio de verdade.
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O dinheiro está voltando ao Brasil porque os investidores internacionais enxergaram uma combinação rara: ações baratas (ainda 20% abaixo do pico histórico quando ajustadas pelo dólar), empresas sólidas como Petrobras e Vale com fundamentos robustos, e a perspectiva clara de que os juros vão cair nos próximos meses.
O Banco Central já sinalizou que deve iniciar o corte da Selic em março, calibrando a política monetária após manter os juros em 15% para combater a inflação. Esse fluxo estrangeiro não é turismo financeiro passageiro. Janeiro de 2026 registrou o maior ingresso mensal de capital externo desde o início da série histórica em 2022, superando até o recorde de fevereiro de 2022.
Em um único mês, os gringos colocaram na nossa Bolsa mais dinheiro do que em 12 meses do ano anterior. Isso não acontece por acaso: o Brasil voltou ao radar global como mercado emergente atrativo, beneficiado pela fuga de capitais dos Estados Unidos em meio às incertezas da política tarifária de Donald Trump.
Agora, a pergunta que o cearense fazendo as contas no caderno precisa responder: ainda dá tempo de entrar? A resposta técnica é: depende do seu horizonte e da sua estratégia.
Com o Ibovespa já acumulando mais de 15% de valorização em 2026, comprar tudo de uma vez no topo é receita para noite de insônia. O caminho mais sensato para quem está começando é o aporte gradual, construindo posição ao longo de meses, aproveitando eventuais correções que são naturais mesmo em mercados em alta.
A boa notícia para o trabalhador que ainda não investiu na Bolsa é que o gatilho mais importante ainda não foi acionado: o corte de juros. Historicamente, quando a Selic começa a cair, o dinheiro que estava acomodado na renda fixa busca rentabilidade maior em ações. Com projeções de corretoras apontando o Ibovespa entre 195 mil e 235 mil pontos até o fim do ano, dependendo do cenário político e fiscal, ainda há espaço para crescimento.
Mas não sem volatilidade pelo caminho. Este é ano eleitoral, e o mercado vai reagir a cada sinalização sobre responsabilidade fiscal e compromisso com as contas públicas.
Para o investidor nordestino que ganha em salários mínimos e quer participar desse movimento sem perder o sono, a estratégia passa por três pilares fundamentais. Primeiro, mantenha a reserva de emergência intocável na renda fixa, porque Bolsa não se mexe em menos de três anos.
Segundo, diversifique comprando ações de empresas sólidas, as chamadas blue chips como Petrobras, Vale, Itaú e Banco do Brasil. Terceiro, tenha disciplina para não entrar e sair do mercado com base em emoção ou manchete do dia.
Os 190 mil pontos são um marco, não um teto. Mas também não são garantia de que amanhã estaremos em 200 mil. O mercado não sobe em linha reta, e quem entra achando que vai ficar rico da noite para o dia normalmente é quem perde dinheiro.
O que move patrimônio de verdade no longo prazo não é acertar o timing perfeito de entrada, mas ter a coragem de começar com responsabilidade, a disciplina de aportar regularmente e a paciência de deixar o tempo trabalhar a seu favor.
O Brasil voltou ao mapa dos investimentos globais. A questão é: o nordestino vai ficar só assistindo de longe ou vai pegar carona nesse trem, mesmo que com passagem de segunda classe no começo?
*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.