Banco bom não precisa pagar 140% do CDI

Escrito por
Alberto Pompeu producaodiario@svm.com.br
Legenda: Fundo Garantidor de Créditos (FGC) terá que desembolsar cerca de R$ 50 bilhões para ressarcir clientes do Banco Master.
Foto: Agência Brasil/Rovena Rosa.

O caso do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, já era grave. Mas em janeiro de 2026, veio o segundo capítulo: o Will Bank, comprado pelo Master em 2024, também foi liquidado. São sete instituições financeiras ligadas ao mesmo grupo desmoronando em menos de três meses.

O Master oferecia CDBs pagando até 140% do CDI, uma taxa chamativa que atraiu mais de 1,6 milhão de brasileiros. O Will Bank, que começou como fintech promissora, acabou contaminado pela mesma crise. Por trás dessa generosidade toda estava um esquema de fraudes estimado em R$ 12 bilhões, com carteiras de crédito falsas e fundos sem lastro real.

Quando o castelo de cartas desabou, o estrago foi imenso. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) terá que desembolsar cerca de R$ 50 bilhões para ressarcir clientes, o maior resgate da história do fundo.

Quem tinha até R$ 250 mil por CPF em cada banco está protegido e começou a receber em janeiro. Mas quem ultrapassou esse limite? Virou credor na fila da liquidação, sem garantia de recuperar o dinheiro.

A lição é dura mas necessária: banco sólido não precisa pagar muito acima do mercado para captar dinheiro. Quando uma instituição oferece 130%, 140% do CDI, ela está sinalizando dificuldade para competir pelos meios normais. É como aquele comércio que só vende barato demais: ou está desesperado, ou está com problema.

Três cuidados práticos para proteger seu patrimônio:

Primeiro, respeite religiosamente o limite do FGC. Nunca coloque mais de R$ 250 mil em uma única instituição ou conglomerado financeiro. Se você tem patrimônio maior, divida entre bancos diferentes. Pode dar trabalho, mas seu sono tranquilo vale a pena.

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Segundo, desconfie de rentabilidades muito acima da média. Com Selic em 15%, um CDB pagando 100% a 110% do CDI já é excelente. Se alguém oferece 140%, pergunte-se: por que esse banco precisa pagar tanto mais que os outros?

Terceiro, prefira instituições conhecidas e sólidas. Bradesco, Itaú, Santander, Caixa, Banco do Brasil não pagam as maiores taxas do mercado, mas têm décadas de estrada e solidez comprovada. Segurança vale mais que alguns pontos percentuais a mais de rentabilidade.

O caso Master e Will Bank deixa um recado claro: na hora de escolher onde guardar seu dinheiro, desconfie de promessas generosas demais. Seu patrimônio merece o tédio da segurança, não a emoção do risco.