Por que as ações da Hapvida saltaram neste início de ano após tombo em 2025?
Operadora de saúde cearense teve, em novembro, maior queda desde que estreou na bolsa.
As ações da companhia cearense Hapvida acumulam alta de 10% nos primeiros dias de 2026. O movimento se opõe à crise financeira severa que a empresa enfrentou no fim de 2025, o que levou a perda de R$ 7 bilhões em valor de mercado.
Na última terça-feira (6), a Hapvida (HAPV3) chegou a liderar os ganhos do Ibovespa, principal indicador do mercado de ações do Brasil.
O valor dos papéis da operadora de saúde chegou a R$ 15,44, metade do que era registrado até 12 de novembro de 2025, quando ocorreu o tombo da empresa. Foi a maior perda desde que o negócio estreou na bolsa, em abril de 2018.
A ligeira recuperação deste início de ano se deve a um movimento financeiro de compra de ações, afirma Guilherme Fiore Pedrosa, head de investimentos da Pequod Investimentos.
A aquisição se dá principalmente pelo Santander e pela corretora Ágora, segundo o assessor. Ele pondera que não é possível projetar que a alta nas ações continue.
“O mercado tem aguardado a divulgação do balanço financeiro do quarto trimestre para fazer a confirmação de que a empresa está no caminho certo do turnaround [estruturação necessária para reverter crise]”, explica.
A troca no comando da Hapvida, anunciada no fim de dezembro de 2025, também pode estar por trás da leve alta nas ações, avalia Ricardo Coimbra, economista e professor da Universidade de Fortaleza (Unifor).
“À medida que você tem informações e direcionamento da possibilidade de crescimento da receita, isso pode gerar para o mercado uma tendência de recuperação”, explica.
Questionada pelo Diário do Nordeste, a Hapvida informou que não irá se posicionar sobre o tema.
O QUE É PRECISO PARA A HAPVIDA SE RECUPERAR DO TOMBO BILIONÁRIO?
A queda brusca das ações, em novembro do ano passado, ocorreu após o mercado se decepcionar com o balanço trimestral da companhia. O resultado indicava uma dívida de R$ 4,2 trilhões, 3,7% maior do que o esperado.
Além disso, o Ebitda (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) apresentou uma queda trimestral de 20% e a empresa registrou queima de caixa de R$ 52 milhões.
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O resultado do quarto trimestre de 2025 pode aumentar ou não a confiança dos acionistas na empresa. Um dos problemas que aflige a operadora de saúde é a perda de beneficiários. Apenas em novembro, foram 18 mil clientes que deixaram o plano.
É improvável, segundo Guilherme Fiore Pedrosa, que a Hapvida recupere seu valor de mercado no curto ou médio prazo. O assessor lembra que as ações da companhia cearense foram se deteriorando com o tempo, após a fusão com a Notredame.
“A máxima histórica dela é perto da região dos R$ 270, a gente acha extremamente improvável voltar no curto ou médio prazo. Mas para aquele patamar de R$ 35,40, do ano passado, isso sim é provável”, aponta.
A companhia deve mostrar potencialidade de crescimento da receita para que o mercado crie mais confiança na empresa, reitera Ricardo Coimbra. Ele aponta que a instabilidade e o período de transição afastam investidores, mas também pode atrair acionistas.
“Dificilmente a recuperação vai acontecer num prazo tão curto. Provavelmente no médio e no longo prazo a gente consiga observar isso. É um momento de transição dentro da companhia e o mercado vai observando como é o desenrolar desse processo”, afirma.