Transnordestina recebe novo aporte de R$ 106,2 milhões para obras da ferrovia
É a segunda disponibilização de verbas em menos de um mês.
A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) autorizou a liberação de mais uma parcela de recursos para as obras da Transnordestina, no valor de R$ 106,2 milhões. É a primeira liberação para construção da ferrovia neste ano.
O montante é disponibilizado via Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), que reúne recursos do Banco do Nordeste, administrados pela entidade.
Segundo Wandemberg Almeida, diretor substituto de Gestão de Fundos, Incentivos e Atração de Investimentos da Sudene, trata-se ainda de uma parte do valor referente a 2025.
Ele explica que, até o fim de março, outros R$ 193,7 milhões devem ser disponibilizados para as obras. Essa parcela completaria R$ 1 bilhão contratual previsto para ser liberado no ano passado.
O restante, que ele aponta girar em torno de R$ 1,5 bilhão, ficaria pendente de liberação até 2027.
A tendência é de que R$ 1 bilhão seja disponibilizado ainda em 2026; a verba remanescente, no próximo ano.
"Estamos procurando mais recursos para poder liberar o mais rápido possível e levar o aporte para o projeto. Sabemos da importância da obra, a ferrovia já está em operação. Não faltarão esforços para acelerar as liberações", destaca Wandemberg.
A Transnordestina Logística S.A. (TLSA) é a empresa responsável pela construção e operação da linha férrea, e o destino dos recursos disponibilizados através do FDNE.
Liberações da Sudene
Em 22 de dezembro do ano passado, a superintendência autorizou a liberação de mais R$ 815,4 milhões. Na ocasião, foram revelados que R$ 700 milhões viriam do FDNE.
Outros R$ 115,4 milhões adicionais também foram disponibilizados. A autarquia declarou que esse valor complementaria a parcela contratual de R$ 1 bilhão prevista para 2025.
O extinto Fundo de Investimento do Nordeste (Finor) também tem recursos disponibilizados para a Transnordestina, ao lado do FDNE. A expectativa para o ano de 2025 era de que R$ 2,4 bilhões fossem liberados para a TLSA.
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Em julho, foram disponibilizados R$ 600 milhões ainda referentes a 2024. À época da saída do então superintendente Danilo Cabral, outros R$ 816,6 milhões do extinto Finor foram aportados — valor destinado às obras no Ceará.
Por fim, mais R$ 815,4 milhões em dezembro, totalizando R$ 2,23 bilhões do FDNE em 2025. O prazo de entrega total dos 1,2 mil quilômetros (km) da linha férrea é 2028.
Veja o cronograma atualizado da liberação financeira do FDNE:
- Dezembro de 2024: R$ 400 milhões;
- Julho de 2025: R$ 600 milhões;
- Agosto de 2025: R$ 816,6 milhões;
- Dezembro de 2025: R$ 815,4 milhões;
- Janeiro de 2026: R$ 106,3 milhões;
- Primeiro trimestre de 2026*: R$ 193,7 milhões;
- 2026*: R$ 1 bilhão;
- 2027*: R$ 500 milhões.
* Previsão.
Como estão as obras da Transnordestina?
A ferrovia segue em construção na chamada fase 1, entre São Miguel do Fidalgo (PI) e o Porto do Pecém (CE). Todos os canteiros de obras dessa etapa estão contratados.
Isso inclui os lotes 9 (Baturité — Aracoiaba) e 10 (Aracoiaba — Caucaia), ambos no Ceará e considerados de "maior complexidade técnica", conforme a Sudene, por passarem por regiões montanhosas do Maciço de Baturité.
A empresa paulista Agis Construção S.A. será a responsável pela construção dos lotes. Trata-se do último trecho a ser licitado da fase 1 da obra e do primeiro a ficar a cargo da construtora.
Segundo especialistas, o custo para executar um quilômetro (km) de linha férrea varia entre R$ 17 milhões e R$ 20 milhões. Dessa forma, os dois lotes podem custar entre R$ 1,65 bilhão e R$ 1,94 bilhão.
Ferrovia já está funcionando em fase de pré-comissionamento
O transporte de cargas pela ferrovia começou há 20 dias. Em 19 de dezembro, a ferrovia chegou até Iguatu, no Centro-Sul do Ceará, após percorrer 585 km, em viagem iniciada no dia anterior.
De Bela Vista do Piauí (PI), saíram 20 vagões carregados de milho para a empresa cearense Tijuca Alimentos, o que marcou o início da fase de testes operacionais.
Segundo informações da TLSA, a fase de comissionamento oficial, isto é, de testes, e o transporte regular de cargas devem começar a partir de 2026.
A ferrovia tem autorização para operar entre Simplício Mendes (PI) e Acopiara (CE), em trajeto de 680 km de extensão.