PIB de Itaitinga dispara quase 50%; veja as cidades que mais cresceram no Ceará
Salto no indicador em cidades do interior faz parte de processo de descentralização do PIB.
O município de Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), teve o maior crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará.
O PIB da cidade cresceu 48%, saindo de R$ 1,5 bilhão para R$ 2,3 bilhões entre 2022 e 2023. Os indicadores dos dois anos foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em dezembro de 2025.
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O segundo maior crescimento foi registrado em Tarrafas, no Cariri. O PIB do município passou de R$ 88 milhões para R$ 116 milhões, com alta de 31,9%.
Outro município do Cariri que se destacou foi Brejo Santo, que viu seu PIB crescer em um quarto, de R$ 1 bilhão para R$ 1,26 bilhão.
Também houve crescimento de 25% no PIB município de Pereiro, no Vale do Jaguaribe. O indicador saiu de R$ 530 milhões para R$ 663 milhões. A cidade está entre os maiores indicadores per capita do Ceará.
VEJA AS CIDADES COM MAIOR CRESCIMENTO NO PIB
- Itaitinga (48,08%): de R$ 1.588.814.000 para R$ 2.352.737.000.
- Tarrafas (31,95%): de R$ 88.539.000 para R$ 116.827.000.
- Brejo Santo (25,17%): de R$ 1.009.688.000 para R$ 1.263.863.000.
- Pereiro (25,12%): de R$ 30.452.000 para R$ 663.694.000.
- São Benedito (24,37%): de R$ 710.000.000 para R$ 883.024.000.
- Itatira (24,19%): de R$ 190.135.000 para R$ 236.128.000.
- Apuiarés (24,10%): de R$ 134.458.000 para R$ 166.864.000.
- Jaguaretama (23,25%): de R$ 257.163.000 para R$ 316.967.000.
- Boa Viagem (22,81%): de R$ 584.404.000 para R$ 717.721.000.
- Ararendá (21,92%): de R$ 117.634.000 para R$ 143.424.000
PIB PODE CRESCER SEM DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
O crescimento expressivo em um curto período não indica necessariamente um alto nível de desenvolvimento econômico, explica Thiago Holanda, conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon).
“Esse avanço pode refletir a instalação de um empreendimento específico ou expansão pontual de um setor, como indústria, energia ou agropecuária. O indicador mostra aumento da atividade econômica, mas não informa como a renda está distribuída”, aponta.
O especialista pondera que o PIB de um município pode crescer sem que haja melhora significativa no bem-estar da população ou ganhos sociais duradouros.
Para isso ocorrer, o dinamismo econômico deve ser combinado a melhorias nos indicadores de renda, emprego e serviços públicos.
MUNICÍPIOS SE DESTACAM POR CRESCIMENTO MAIS LONGÍNQUO
Além do crescimento recente, as cidades de Pereiro, Itaitinga e Brejo Santo estão entre as cidades cearenses com maior alta no PIB nos últimos dez anos do indicador.
O PIB de Pereiro multiplicou quase oito vezes. Foi a segunda maior expansão do Estado, atrás apenas de São Gonçalo do Amarante. A cidade do Vale do Jaguaribe é sede da Brisanet, que emprega mais de 3,5 mil pessoas no local.
Já Itaitinga viu seu PIB crescer mais de seis vezes, com o terceiro maior salto do Ceará. A cidade tem se consolidado como importante polo industrial e logístico.
O avanço de investimentos produtivos para outras cidades cearenses deve descentralizar gradualmente o PIB do Ceará, explica Thiago Holanda.
Fortaleza concentra mais de um terço do PIB cearense, mas não figura no ranking de maior crescimento do indicador.
“Esse movimento é impulsionado por melhorias em infraestrutura, incentivos fiscais, logística e disponibilidade de mão de obra fora da capital. Com isso, regiões antes menos dinâmicas passam a atrair empresas, ampliar a base produtiva e gerar empregos locais”, aponta.
Os municípios do interior tendem a fortalecer o comércio, os serviços e a arrecadação, o que permite melhorar a renda média da população e reduzir desigualdades regionais a longo prazo.