Com acordo, fusão entre Hapvida e Notre Dame criará maior conglomerado de saúde do País

Empresa resultante da fusão é avaliada em R$ 120 bilhões

Hospital Hapvida
Legenda: Novo conglomerado passará a ter 84 hospitais, 280 clínicas e 257 unidades de diagnóstico por imagem
Foto: Divulgação

A Hapvida e a Notre Dame Intermédica anunciaram, hoje (28), que chegaram a um Acordo de Associação com os termos para a combinação dos negócios, o que criará o maior conglomerado de saúde no País com um valor de mercado na faixa dos R$ 120 bilhões. As informações sobre o acordo foram confirmadas em Fatos Relevantes das empresas.

Com a combinação entre as empresas, o novo conglomerado passará a ter 84 hospitais, 280 clínicas e 257 unidades de diagnóstico por imagem. Além disso, a empresa passará a contar com mais de 13,6 milhões de usuários ativos. Estes dados foram confirmados pelo presidente da Hapvida, Jorge Pinheiro, durante uma teleconferência com investidores e analistas ainda no mês de janeiro.

Com a integração das operações da Intermédica, segundo o presidente da Hapvida, a empresa somaria mais R$ 18,2 bilhões, além de um Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) R$ 3,8 bilhões, sem considerar sinergias.

Jorge Pinheiro
Legenda: Jorge Pinheiro, presidente da Hapvida
Foto: Jarbas Oliveira

Com relação à gestão de sinistralidade, a combinação das duas empresas traria um porcentual de 64,9% (Hapvida possui 59,5%, e Notre Dame 70,1%).

Operação depende de aprovação do Cade e ANS

Conforme comunicou por vídeo gravado na noite de ontem (27) e divulgado na manhã deste domingo (28), o presidente do Sistema Hapvida, Jorge Pinheiro, lembra que a operação dependerá de aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

"Acabamos de assinar os documentos que permitirão a combinação dos negócios entre Hapvida e GNDI. Lembro, no entanto, que essa operação será submetida aos reguladores, ANS e Cade, e tenho certeza que em breve teremos todas as aprovações", disse Jorge Pinheiro.

O fato relevante da Hapvida lista como um dos principais benefícios da operação "a possibilidade de integração da vasta gama de produtos, estruturas hospitalares, recursos e soluções de saúde a benefícios dos seus clientes e redução dos custos operacionais por meio do compartilhamento das melhores práticas e otimização dos processos da Companhia Combinada", entre outras.

A publicação também enumera a complementaridade geográfica de atuação das duas companhias e consolidação das bases acionárias da CNDI e da Hapvida, "com aumento da liquidez dos papéis da Companhia Combinada" e "potencial valorização da cotação das ações da Companhia Combinada na B3".

Custos

Os custos financeiros da operação, conforme o fato relevante da Hapvida, serão de aproximadamente R$ 116 milhões. A cifra inclui custos com assessoria financeira, avaliações, assessoria jurídica e demais assessorias para a implementação, publicações e demais despesas.

Histórico

A fusão vem sendo trabalhada há anos, segundo revelou Pinheiro. Mas quando as negociações vieram a público, ainda em janeiro, as ações da empresa cearense tiveram um salto de 21,75% na B3, bolsa de valores brasileira.

"Essa operação há muito a gente vislumbra e verifica a possibilidade, porque potencializa a nossa chance de atender cada vez mais pessoas", destacou Jorge Pinheiro, tecendo agradecimentos aos times do Sistema Hapvida e da GNDI.

"Esse negócio vem sendo desenhado há muitos anos. Vemos possibilidade a respeito disso em razão do modelo similar das duas empresas", disse Jorge Pinheiro.

Modelo de gestão apresentado

Com a união das duas empresas, a Hapvida e seus acionistas seriam detentores de 53,1% da nova operação, enquanto os 46,9% restantes ficariam com os investidores da Intermédica. 

A proposta apresentada pela Hapvida ainda contava com a expansão do conselho de administração da nova operação, que passaria a contar com 9 membros, sendo dois indicados pela Intermédica, dois independentes e cinco indicados pelos acionistas do Hapvida, além da intenção de manutenção do atual CEO da Intermédica em posição estratégica após a combinação de negócios.

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