Contrato do FGC previa suspensão de ajuda ao Banco Master em caso de investigação
A cláusula condicionava empréstimo emergencial de R$ 4 bilhões à inexistência de apurações da PF ou do MPF.
O contrato de socorro financeiro firmado entre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e o Banco Master previa a interrupção da ajuda caso o banco ou seu controlador, o banqueiro Daniel Vorcaro, fossem alvo de investigação da Polícia Federal (PF) ou do Ministério Público Federal (MPF). A informação foi divulgada pela Folha de S. Paulo.
Em maio de 2025, o FGC emprestou R$ 4 bilhões ao Master para garantir o pagamento de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), em meio a uma crise de liquidez. O banco enfrentava dificuldades desde março, quando deixou de realizar novas captações.
No mesmo período, o Banco Regional de Brasília (BRB) anunciou a compra do controle da instituição por R$ 2 bilhões, operação posteriormente barrada pelo Banco Central.
Sem recursos suficientes, o Master iniciou a venda de ativos. Vorcaro negociou participações empresariais, imóveis e direitos creditórios com o BTG, levantando cerca de R$ 1,5 bilhão. Também se desfez da seguradora Kvor, posteriormente adquirida pela J&F, além de tentar vender o Will Bank, sua operação digital.
Segundo balanço divulgado em abril de 2025, o banco acumulava passivos de R$ 7,6 bilhões no primeiro semestre de 2024, valor que chegava a R$ 16 bilhões até o fim do ano.
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Apesar disso, negociava uma nova linha de crédito com o FGC, que poderia alcançar R$ 10 bilhões. O empréstimo inicial venceu em outubro e foi prorrogado.
BC rejeitou operação do Master com BRB
Pouco depois, o Banco Central rejeitou a operação com o BRB e, simultaneamente, a Polícia Federal abriu inquérito para investigar suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito e falsidade documental.
Sem novo socorro e sem fontes alternativas de financiamento, o Banco Central decretou a liquidação do Master em 18 de novembro. No mesmo dia, Vorcaro foi preso preventivamente ao tentar deixar o país, sendo solto dias depois com uso de tornozeleira eletrônica.
O FGC informou que não comenta casos envolvendo associados. O Banco Master não se manifestou.