A grife italiana Prada divulgou, nesta quinta-feira (10), que firmou um acordo com o grupo americano Capri Holdings para adquirir a rival Versace. A aquisição custará por 1,25 bilhão de euros, equivalente a R$ 8,36 bilhões, na cotação atual, e deve ser concluída no segundo semestre deste ano.
O anúncio acontece dez dias após Donatella Versace deixar a direção criativa da marca, cargo que ocupava desde 1997, e assumir a função de embaixadora-chefe.
A fusão das duas grifes famosas criará um grupo italiano de luxo com receitas de mais de 6 bilhões de euros (R$ 40,1 bilhões), permitindo que o futuro empreendimento concorra com outros gigantes do setor, como as francesas LVMH — que detém Louis Vuitton, Dior e mais — e Kering — Gucci, Balenciaga, Yves Saint Laurent, entre outras.
"Estamos muito felizes em receber a Versace no grupo Prada e construir um novo capítulo para uma marca com a qual compartilhamos um forte compromisso com a criatividade, o artesanato e o legado", declarou o presidente e CEO da Versace, Patrizio Bertelli, em um comunicado.
O acordo entre as marcas italianas vai contra a tendência dos últimos anos, na qual marcas tradicionais da Itália, como Gucci, Fendi e Bottega Veneta, passam para as mãos dos concorrentes franceses.
O futuro grupo ainda está longe do tamanho dos conglomerados franceses: as receitas da LVMH chegaram a quase 85 bilhões de euros em 2024 (R$ 549 bilhões, na cotação da época) e as da Kering a 17 bilhões de euros (R$ 109,8 bilhões na mesma cotação).
Veja também
Prada e Versace têm estilos opostos
Opostas, a Versace com a exuberância barroca, enquanto a Prada com o minimalismo sofisticado, especialistas apostam que a união pode render resultados positivos.
"A Prada será capaz de ressuscitar uma marca que estava morrendo e dar a ela uma nova vida, uma nova luz", previu o consultor de design Antonio Bandini Conti à AFP.
Desde que a Capri Holdings adquiriu a Versace, em 2018, a aura da grife perdeu prestígio, assim como suas vendas. Na época da compra, os americanos desembolsaram 1,83 bilhão de euros (R$ 8,1 bilhões, em valores da época). Há sete anos, a marca era de propriedade da família Versace (80%) e do fundo americano BlackRock (20%).
Ao vender a marca para a Prada, o empreendimento teve que aceitar um corte acentuado de preços, em meio a crise no setor de luxo e o aumento das tarifas dos Estados Unidos.
Indícios da negociação
Fundada em 1978 pelo designer Gianni Versace e seu irmão Santo, a marca é um ícone da moda italiana, conhecida por seu estilo ostentoso. Em um movimento que já sugeria a aquisição anunciada nesta quinta-feira, a grife contratou em março como seu novo diretor criativo Dario Vitale, procedente da Miu Miu, a marca jovem da Prada.
Vitale assumiu o lugar de Donatella Versace, que foi catapultada para o comando da direção criativa da marca em 1997, após o assassinato de seu irmão Gianni.
Vitale foi promovido a diretor de design da Miu Miu em 2023 e, durante sua gestão, a irmã mais nova da marca Prada alcançou resultados recordes. O designer poderia aplicar a mesma estratégia à Versace, cujo volume de negócios caiu 6,3%, para 1,03 bilhão de dólares no ano fiscal de 2024 (cerca de R$ 6 bilhões em valores da época).
>> Acesse nosso canal no Whatsapp e fique por dentro das principais notícias.