'Vamos ter que derrubar o César Cals e fazer um novo hospital', diz Elmano de Freitas
Unidade de quase 100 anos sofreu incêndio em 2025 e transferiu todos os pacientes.
O Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC), no Centro de Fortaleza, deve ser derrubado e um novo prédio construído no local, segundo informou o governador do Ceará, Elmano de Freitas, na manhã desta terça-feira (7).
Em novembro de 2025, um incêndio atingiu uma subestação da unidade de saúde, o que obrigou a transferência de todos os pacientes, assim como da maioria dos funcionários, e o fechamento do local por tempo indeterminado.
Conforme Elmano, o estabelecimento hospitalar não tem condições para uma reforma, sendo necessário um novo projeto. A informação durante a entrega do Centro Integrado de Videomonitoramento de Fortaleza, nesta terça-feira.
“Única coisa que tenho certeza é que o laudo que estamos apresentando é que, muito provavelmente, não teremos condições de ter uma reforma. Nós teremos que fazer um novo hospital César Cals”, disse o gestor.
“Nós, certamente, vamos ter que derrubar o hospital e fazer um novo hospital César Cals para o povo do Ceará”, afirma o governador.
O gestor garantiu ainda que, nesta semana, haverá uma reunião pra tratar do tema com a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) e a Superintendência de Obras Públicas (SOP).
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No entanto, questionado, Elmano não deu prazos para derrubada, início e conclusão dos serviços. Assim como não há detalhes do projeto. “A obra termina assim que a licitação terminar e eu poder dar ordem de serviço”, completa.
Em dezembro de 2025, o governador havia afirmado que o prédio passaria por uma ‘grande reforma’ e garantia o retorno das atividades no local, mesmo sem data definida. À época, a unidade ainda passava por uma perícia para apurar as circunstâncias.
Hospital é referência em obstetrícia e neonatologia
O prédio do César Cals tem quase 100 anos. A origem dele remonta à antiga Maternidade Dr. João Moreira, criada por iniciativa de médicos e filantropos locais. Em 31 de outubro de 1928, a unidade foi inaugurada na Praça da Lagoinha, com uma maternidade no térreo e casa de saúde no andar superior.
Durante o governo de César Cals, em 1973, o equipamento passou a integrar a rede pública de saúde.
Até o fechamento, a unidade era referência em obstetrícia e neonatologia, com mais de 290 leitos. O HGCC era destaque em partos na Capital cearense — foram mais de 3 mil nascimentos entre janeiro e setembro do ano passado — e na oferta de diversos serviços especializados para a população.
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O Banco de Leite Humano do hospital, que existe há mais de 30 anos, abastece bebês prematuros e de baixo peso atendidos na rede pública. Mesmo após o incêndio, o serviço segue funcionando e mantendo o atendimento às lactantes doadoras, mas agora de forma remota e com coleta domiciliar.
Além disso, o Método Canguru fornecia suporte integral a bebês prematuros (nascidos antes das 37 semanas de gestação), que enfrentam desafios como dificuldades respiratórias e vulnerabilidade a infecções.
Como foi o incêndio no Hospital César Cals em Fortaleza?
Um incêndio atingiu a subestação de energia do César Cals no dia 13 de novembro de 2025. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostravam muita fumaça e pacientes sendo retirados do hospital, incluindo bebês dentro de incubadoras que foram transferidos para o centro de comércio conhecido como Beco da Poeira.
A Sesa informou que nenhuma área assistencial foi atingida e não houve feridos. O Corpo de Bombeiros Ceará afirmou à época que não houve chamas, somente fumaça, e que os danos se restringiram à área externa. As instalações internas não foram afetadas.
Em uma operação de oito horas de duração, 117 bebês e 153 mães e acompanhantes foram transferidos do HGCC para outras unidades da rede Sesa, sendo o Hospital Universitário do Ceará, no bairro Itaperi, o que recebeu mais pacientes.
*Estagiária sob a supervisão da jornalista Dahiana Araújo.