Apresentação de quadrilha junina em Sobral termina em agressões, com ataques racistas e transfóbicos
A Quadrilha Estrela do Luar denunciou o caso que ocorreu na noite desta sexta-feira (5).
A Quadrilha Estrela do Luar relatou agressões sofridas pelos integrantes do grupo, na noite desta sexta-feira (5), durante apresentação no Sobral Shopping.
Os autores das agressões, verbais e físicas, teriam sido um casal de idosos que estava no local. Em nota de repúdio publicada pela Quadrilha no Instagram, eles dizem que os ataques foram "motivados por divergências político-ideológicas".
Os agressores teriam invadido a apresentação, tentado arrancar roupas de integrantes da quadrilha e gritado insultos com teor racista e LGBTfóbico contra os brincantes.
A coordenação da quadrilha acionou os policiais e tanto os brincantes como os suspeitos da agressão foram encaminhados até a delegacia, mas não houve prisão em flagrante, segundo a Quadrilha Estrela do Luar.
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Casal foi autuado por crime de constrangimento ilegal
Procurada, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que "a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) instaurou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) para investigar um caso de constrangimento ilegal".
"Os suspeitos, uma idosa de 69 anos e um idoso de 66 anos, foram conduzidos pela Polícia Militar do Ceará (PMCE) até a Delegacia de Polícia Civil de Sobral, onde o TCO foi lavrado", disse um trecho da nota.
O comunicado esclareceu ainda que "o casal foi ouvido, atuados pelo crime de constrangimento ilegal e liberados". De acordo com a SSPDS, o caso segue sendo investigado pela unidade policial.
O que aconteceu?
Segundo relato feito no Instagram da Quadrilha Estrela do Luar, a mulher idosa teria invadido a apresentação ao ver uma estrela no colete do marcador do grupo.
A senhora teria achado que a estrela faria referência ao PT e, por isso, entrou na apresentação, "dirigiu-se de forma hostil" ao marcador e teria tentado retirar o colete que ele vestia.
Na sequência, ela teria ido, junto com o companheiro, "para cima do palco", tentando intimidar a cantora da quadrilha. O relato foi feito por Dalila Castro, presidente do grupo, em publicação nos stories.
"Não satisfeita, (a mulher) foi para cima do palco, puxando a cantora, mandando ela encerrar porque senão ela ia acabar com tudo aquilo", disse.
A cantora Patrícia Souza também relatou o que sofreu: "Fui vítima de racismo em cima do palco, fazendo meu trabalho. Puxaram meu braço, o esposo dela gritou muito comigo", disse.
As agressões continuaram mesmo depois do fim da apresentação da quadrilha. Com o encerramento, o casal teria feito insultos LGBTfóbicos contra mulheres trans que integram o grupo junino.
"A Quadrilha Junina Estrela do Luar reafirma que não aceitará nem tolerará, sob nenhum circunstância, atos de intolerância política, racismo, LGBTfobia ou qualquer forma de violência contra seus integrantes", diz.
Shopping se posicionou sobre agressões
O Sobral Shopping também publicou uma nota oficial sobre os acontecimentos da sexta-feira.
O estabelecimento prestou solidariedade aos integrantes da quadrilha junina Estrela do Luar que "foram alvo de agressões físicas, verbais e atos de intolerância".
O shopping acrescentou que "repudia toda e qualquer forma de violência" e que a administração do shopping, ao saber dos fatos, "passou a colaborar para a apuração" do caso.
"Seguiremos atentos, colaborando com as autoridades e reafirmando nosso compromisso com um ambiente seguro, respeitoso e acolhedor para todos", completa o texto.